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Ele fazia a mesma coisa quase todo domingo. Ele havia nascido para fazer aquilo. Desde criança, ele amava corridas. Amava a velocidade. Vendo isso, seu pai, que era dono de fábrica de peças de automóveis, fez um kart com um motor de cortador de grama de número “007″ . À época, ele tinha apenas 6 anos.
Ele amou aquele “brinquedo” que seu pai havia lhe dado. Quando andou com aquele “brinquedo”, ficou fascinado quase que instantâneamente. Durante anos, ele levava seu “brinquedo” para a garagem de sua casa, onde vivia o desmontando e montando em busca da perfeição. Ele consertava alguma coisa no freio para fazer a curva de maneira melhor. Ele vivia fazendo coisas naquele “brinquedo” para torná-lo melhor e mais rápido.
Ironicamente, em sua primeira corrida de kart, ele conseguiu a pole-position. De forma aleatória que era decidida o grid de largada da corrida, ele tirou justamente o número 1, o da pole-position. Na corrida, ele venceu sem problemas. Anos mais tarde, foi pole-position e venceu várias e dezenas de vezes sem problema algum. Foi ali que surgia um grande trabalhador e ídolo.
A primeira vez que ele correu na chuva, ainda estava no kart. Já era um adolescente. Quando correu pela primeira na chuva, rodou várias vezes. Terminou nas últimas colocações da corrida.
Decidido a nunca mais passar por tal humilhação, ele passou a treinar várias vezes na chuva. Quando chovia, ele pegava o capacete e ia pra pista molhada de Interlagos em busca de aprender a dominar aquele fenômeno da natureza. Foi assim durante meses e meses e sempre retornava para casa completamente encharcado. Anos mais tarde, venceu várias corridas na chuva. Foi ali que surgiu o apelido “o rei da chuva” para ele.
Com seus pais permitindo, ele viajou para a Europa para correr na Fórmula Ford 1600. Afinal, era apenas um hobby, não um trabalho ou profissão. Na Inglaterra, ganhou 12 campeonatos e foi saudado como um prodígio pelos ingleses. Mesmo assim, seu pai pediu para ele pensar seriamente sobre o seu futuro, afinal, as corridas eram apenas um hobby.
Ele foi matriculado num curso universitário de Administração de Empresas de São Paulo. Ao perceber que ele não era feliz ali, seu pai autorizou que ele volta-se a Inglaterra para ser um campeão. Na F-2000, conseguiu vencer corridas, voltas mais rápidas, poles-position logo nas primeiras seis corridas do campeonato. Ele ganhou 20 das 28 corridas da temporada. Feito ainda inigualável nos tempos de hoje da F-2000. O seu desempenho em Silverstone era tão excepcional que a pista chegava a se chamada de “Silvastone” por tantas vitórias e poles-position na pista.
Na F-3000, venceu 12 de 20 corridas na temporada. Ele venceu na chuva, sem freios literalmente, faturou várias poles-position e voltas mais rápidas. Harry, como era chamado pela imprensa britânica, pois seu nome verdadeiro era impronunciável para os ingleses, era imparável nas pistas. Anos mais tarde, faturou várias vitórias, títulos, voltas mais rápidas, poles-position e vários outros marcos na carreira. Foi ali que surgia um grande campeão.
Ele era um grande trabalhador. Um trabalhador que conseguiu animar o Brasil nos domingos mesmo quando o país parecia voltar para trás no tempo com tantos problemas financeiros e políticos e até mesmo quando não tinha o melhor carro.
Um trabalhador que gostava e amava o que fazia. Um trabalhador que morreu fazendo o que amava justamente no Dia do Trabalho. Um trabalhador que fez um país inteiro ficar de luto por semanas e anos. Um trabalhador que mesmo após de morrido, ainda atrair uma legião de fãs pelo mundo. Fãs que fazem o que fazem hoje, ou seja correr, justamente por querer ser como o ídolo trabalhador.
Um trabalhador que fez milhões de pessoas acordar cedo apenas para vê-lo dar seu show na pista. Um trabalhador chamado Ayrton Senna. Que já se foi há 19 anos. Descanse em paz, Ayrton Senna. Onde quer que você esteja.

*1960 +1994

Após o GP da Austrália de 1993, ocorre uma coletiva de imprensa. Ayrton Senna entra pela porta na sala e senta na cadeira onde tem seu nome numa plaquinha. De repente, um cara lhe pergunta quem foi seu maior adversário em toda a sua carreira. Alain Prost logo pensa que Senna vai falar que foi ele.
Mas ao invés de dizer “Alain Prost” , Senna recorda de seus tempos de kart e fala o nome “Terry Fullerton” . Aí o pessoal começa a se perguntar “Quem é esse tal de Terry Fullerton?” . Embora o nome “Terry Fullerton” lembre fuleiragens do tipo, ele era mais o menos conhecido por outra coisa. Ele detonava nas pistas de kart.
Fullerton nunca chegou à F1. Ele abandonou o sonho de ir a F1 depois que seu irmão, Alec Fullerton, foi morto num acidente em Mallory Park. Depois disso, ele optou por ficar apenas nos karts. Queria ganhar a F1 dos karts, o Campeonato Mundial de Kart. Não conseguiu entrar para a equipe britânica, então, correu sob licença irlandesa.
E assim correu, como um irlandês, por mais dois anos. Até que em 71, ele pode finalmente correr como um inglês. E dois anos depois veio o tão sonhado título da F1Kart (o nome verdadeiro é grande demais) .
Mas seu maior desafio, veio em 1978. Quando se tornou companheiro de equipe de um tal de Ayrton Senna. Até aí nada demais. Não rolou muita coisa nesse tempo até a corrida derradeira em 1980. Senna estava se despedindo do mundo dos karts. Era a etapa tripla de Nivelles-Baulers. Na primeira corrida, deu Fullerton no lugar mais alto do pódio. Na segunda corrida, Fullerton abandonou com uma falha no pequeno motor de kart daquela época.
Na última corrida, Senna terminou em segundo e Fullerton chegou em terceiro. Senna e Fullerton fazem a festa no pódio. Antes da última corrida, Fullerton chega perto de Senna, lhe abraça e diz “Boa sorte na F1″ . Senna faz cara de não entender muito aquilo que ele disse, mas mesmo assim o agradece. Fullerton sabia o que estava dizendo e sabia que aquele garoto com que formou umas das melhores duplas de todos os tempos, ia ter um grande futuro pela frente. E ele estava certo.
Ayrton Senna foi tricampeão da F1 em 1988, 1990 e 1991. E pela TV, onde Fullerton assistia as corridas de Senna, fazia cara de felicidade, por ter corrido ao lado de um tricampeão mundial.
Feliz 52 anos, Ayrton Senna. Onde quer que você esteja.

Mario Haberfeld guiando pela Paul Stewart Racing
O grande Mario Haberfeld, está hoje aposentado. Tudo bem. Aposentar, todo mundo se aposenta. Mas Haberfeld se aposentou aos 34 anos (ou era 33) . É uma pena. Para homenageá-lo, vou fazer um breve resumo de sua carreira porque tempo me falta.
No Brasil, depois de correr no Brasil de kart e na Fórmula Ford, em ambas as ocasiões na equipe dirigida pelo jornalista e chefe de equipe João Alberto Otazú, Mario passou a correr na Europa, onde se constituiu em um dos grandes nomes brasileiros na década de 90. Os títulos no Britânico de Fórmula Ford (1995) e no Europeu de Fórmula Renault (1996), os dois pela Manor Motorsport, pavimentaram a carreira para a sua maior conquista, que foi o título no Britânico de Fórmula 3, em 1998, pela equipe Stewart. Seu principal rival naquele ano foi justamente o brasileiro Enrique Bernoldi, que mais tarde seria piloto titular da equipe Arrows de Fórmula 1.

Chegou a guiar pela Stewart e pela Williams, mas só achei essa foto de seu teste pela Stewart
Equipes nem sempre competitivas e alguns acidentes não permitiram que ele repetisse a mesma performance vitoriosa nos quatro anos seguintes na Fórmula 3000, então último degrau rumo ao objetivo máximo, a Fórmula 1.

Na F3000 em 2002, foi companheiro de Rob Nguyen, ídolo do Leandro “Verde” Kojima
A opção pelos Estados Unidos o conduziu para a Champ Car entre 2003 (Conquest) e 2004 (Walker). Seguiram-se participações na Grand Am e na Mil Milhas de 2007 com o LMP2 da Embassy Racing.

Após seguidas decepções na GP2 da época, ele resolveu migrar para a América, onde também não se deu bem

Depois migrou para os protótipos da Grand Am
Em paralelo ao seu desempenho nas pistas, Mario sempre se destacou pela forma discreta de se portar, decisões ponderadas, educação e camaradagem. João Alberto Otazú, o cara que participou do começo da carreira de Haberfeld, disse certa vez: “A família Haberfeld é extremamente discreta, educada, e sempre primou por decisões sábias.
Tive uma das grandes oportunidades na vida ao trabalhar com o Mário em minha equipe de kart e Fórmula Ford. E acabei de ganhar um capacete dele (em 2009) , em comemoração aos meu 30 anos como profissional do automobilismo (em 2009) , da ocasião em que ganhamos muitas corridas e títulos no kart.”
Hoje, Mario Haberfeld está infelizmente aposentado. Uma pena, um grande piloto que ganhou a F3 inglesa em 1998. foi para F3000, o último estágio naquela época para chegar na F1, falhou seguidas vezes. Tentou a sorte nos EUA, não deu certo novamente. E acabou tendo de se aposentar cedo.
Termino esse post com uma declaração de Haberfeld em 2009 antes das 500 Milhas de Granja Viana de 2009: “Acho que essa página do automobilismo já virou na minha vida. Agora, só mesmo as 500 Milhas de Granja Viana”
Giovanna Amati, um nome bem famoso para quem conhece bem a F1. Amati foi a última mulher na F1. Vamos a história dessa mocinha. Amati nasceu em 1959 numa cidadezinha de Roma, chamada Lácio. De família rica, Amati era filha de um cara de uma indústria de cinemas.
Riquinha e metida, ela arranjou aos 15 anos, uma moto Honda 500cc que usava todo o dia nos arredores de Roma, e sem licença de pilotagem. Seus pais nem sabiam da existência da tal moto, e só foram descobrir ela dois anos depois. Numa tardezinha de fevereiro em 1978, Amati foi abordada por 3 homens mascarados e sequestraram a patricinha. Amati viveu por 74 dias numa caixa de madeira. Amati custou 800 mil libras para poder respirar o ar livre de novo.
Após o seqüestro, Giovanna e um dos seqüestradores, o francês Daniel Nieto, mantiveram contato e se encontraram várias vezes. Depois desse caso, Giovanna ingressou numa escola de pilotagem ao lado de um amigo de infância, o gentleman Elio de Angelis. Foi aprovada e estreou na Formula Abarth em 1981. Nesta categoria e na Fórmula 3 italiana, ela chegou a vencer algumas corridas, mas nunca foi considerada uma futura campeã. Na Fórmula 3000, disputou corridas entre 1987 e 1991 e obteve um sétimo lugar como melhor resultado.

Amati na F3000 em Enna Pergusa
É óbvio que ela só estreou na Fórmula 1 em 1992, pela Brabham, por ser mulher, por ser bonitona e pela possibilidade de atrair alguns patrocinadores para a combalida equipe. Dizem até que teve casos com Niki Lauda e Flavio Briatore, e isso lhe ajudou a correr na F1. Ela também já tinha alguma experiencia com um F1 após ter feito um teste pela Benetton em 1991 graças a seu namorado na época, Flavio Briatore.
Sua estreia aconteceu em Kyalami na Africa do Sul.
Amati em Kyalami, com combustível da Lotus
Ela ganhou um certo marketing por ser a primeira mulher na F1 em anos. Mas a sua estréia não foi coisa que diga que foi boa porque não foi. Amati marcou o último tempo e não se classificou, além de seu carro ter tido vários problemas durante o treino, chegando ao ponto da equipe pedir emprestado um pouco de combustível da Lotus.
Então vamos para o ensolarado México ver Amati correr de novo.

Amati no México, novo fracasso
Circuito de Hermanos Rodriguez, Cidade do México, México, América do Norte, Planeta Terra, Sistema Solar, Via Láctea, Universo. Amati novamente tenta se classificar para um GP. Resultado: outra não-qualificação. Além de Amati não ser uma pilota muito boa, o carro era um dos piores daquele ano.
Agora vamos para Interlagos.

Amati acelerando em Interlagos
Amati novamente tenta se classificar, mas novamente não consegue. Para relaxar um pouco, porque patricinha nenhuma é de ferro, Amati deu um pulo no Shopping Morumbi, comprou algumas roupas e duas fitas de sambas-enredo do carnaval paulista. Após três fracassos seguidos, Amati foi sacada e Damon Hill entrou no seu lugar e teve infelicidade de correr num carro caquético e ainda por cima ROSA! D. Hill também não classificou para nenhuma das provas restantes do campeonato.
Veja três frases, a primeira de Giovanna Amati falando do preconceito sofrido na época de F3000. A segunda é de Christian Danner falando a respeito de Amati dentro das pistas e a última é de Eric Van De Poele, seu companheiro de equipe naquela época.
“Com frequência eu tive que mudar as cores do meu carro para que os outros pilotos não conseguissem me identificar de uma corrida para a próxima. Para alguns deles, era francamente intolerável ser ultrapassado por uma mulher e muitas vezes, deliberadamente, eles preferiam bater em vez de perder uma posição.” revelou Amati na época de F3000.
“É uma das mulheres mais malucas que eu conheci. Ele tinha a pegada necessária para se manter no circo, era mentalmente forte. Mas teve de sair da F-1 por motivos financeiros.” cornetou Danner sobre Amati.
“Além de não andar nada, Giovanna ainda enche o saco.” reclamou Van De Poele.
E fora das pistas, Amati também não era agradável. Os jornalistas a detestavam, pois ela era insuportável e se recusava a dar entrevistas. Um deles chegou ao ponto de xingá-la de dondoca!
Atualmente a dondoca é jornalista de imprensa de um TV italiana.

Victor Pease, ou Al Pease nasceu em Darlington na Inglaterra, mas sempre correu pelo Canadá. Agora vamos direto para a história.
Pease famoso, mas não por ser rápido

Pease em Mosport Park em 1967
Piloto de relativo sucesso no automobilismo canadense, Pease fechou uma parceria com a fabricante de lubrificantes Castrol e, com o apoio desta, alugou um carro Eagle para o GP do Canadá de 1967. Pease, um dos diversos desconhecidos que se aventuravam na F-1, tenha sido o mais desastrado de todos.
Já nos treinos, Pease mostrou que não iria longe: seu tempo foi sete segundos mais lento do que o pole Jim Clark, da Lotus. Apesar de tudo, o canadense alinhou para a largada em 15º em um grid de 18 carros. No dia da corrida, um temporal atinge o circuito de Mosport Park e as coisas começam a dar errado para Pease antes mesmo da prova começar: Com problemas na bateria, ele perde a largada e só consegue sair para a pista quando os pilotos já estão na sexta volta.
Correndo em último, Pease não demora a rodar e ir para a grama. Seu motor fica tão cheio d’água que a bateria descarrega novamente. Mesmo parado no ponto da pista mais longe dos boxes, Pease não desistiu. O canadense volta a pé, pega outra bateria com seus mecânicos e ele próprio instala o instrumento no carro, que continuava estacionado à margem da pista. Perde muito tempo e retorna para o circuito, quando já era o lanterna.
Quando a corrida termina, o resultado é impressionante: Pease, que chegou em último, acabou terminando a prova incríveis 43 voltas atrás do vencedor, Jack Brabham. Sua média de velocidade é ridícula: 69,4 km/h, menor do que um carro de passeio. Para comparação, Brabham completa 90 voltas e Pease, apesar de ter chegado ao fim, não é classificado porque não completara a distância mínima necessária. A estreia mais desastrosa de todos os tempos.
Al Pease, o retorno em 1968
Apesar do início desastroso, o piloto estaria de volta para a corrida de 1968. Novamente pilotando um Eagle, Pease é 15 segundos mais lento do que o pole-position Jochen Rindt e fica 8 segundos atrás do penúltimo colocado. O canadense não se classifica para a corrida.
Pease, desclassificado por estar muito lento em 1969

Aos 48 anos de idade, Pease tem desempenho sofrível nos treinos e termina a 11 segundos do pole Jacky Ickx. Depois de ter perdido o patrocínio da Castrol, o canadense corre com um carro Lola, equipado com motor Chevrolet, claramente mais fraco do que o restante do grid. Não poderia dar outro resultado: na corrida, Pease é tão lento que acaba excluído pela direção da prova.
Já nas primeiras voltas, o piloto freia cedo demais para uma curva e o suíço Silvio Moser é obrigado a desviar para não bater. Moser sai da pista e acerta a barreira de proteção, tornando-se a primeira vítima de Pease. Logo depois, o francês Jean-Pierre Beltoise recebe uma vigorosa fechada e entorta a suspensão. A errática pilotagem de Pease acaba com uma disputa emocionante pelo quinto lugar e começa a irritar os chefes de equipe.
Quando Pease passa muito perto de jogar Jackie Stewart para fora da pista, Ken Tyrrell vai à direção de prova e pede a imediata desclassificação do canadense. O pedido é aceito e Pease se torna o primeiro – e até hoje – único piloto da história a ser excluído da prova por ser excessivamente lento. No total, ele completa apenas 22 voltas na corrida – na altura em que foi tirado da prova, os líderes já tinham mais do que o dobro disso.
Após o GP de 1969, Pease nunca mais retorna à Fórmula 1. Compete apenas em provas no automobilismo local até se aposentar. Foi incluído no Canadian Motorsport Hall of Fame (Hall da Fama do automobilismo canadense) em 1998.
Nem se dessem um McLaren MP4/4, o carro considerado por esse blog como o melhor carro de F1 que já existiu, ele ia deixar de ser



























































