Rubinho e Michael no pódio

Hoje não, hoje não, hoje sim… hoje sim?! 

Quem não se lembra da tragicômica narração do global Cléber Machado na ocasião da marmelada mais escandalosa da história da categoria? O GP da Áustria de 2002 foi uma besteira de Jean Todt que manchou com tinta preta a imagem da F1. Não precisava daquilo. Muitos idiotas brasileiros (pode até ser você que está lendo esse post) botaram a culpa no Rubens Barrichello. Fuçando a internet, encontrei esse diálogo no rádio de Rubens Barrichello. Lembrando, esse post não é um post de primeiro de abril e a fonte deste post foi publicada em outubro. Nada a ver com o dia da mentira. Leia e decida no que acredita.

Legenda:

VOZ 1 – Jean Todt, então chefe de equipe da Ferrari
VOZ 2 – Rubens Barrichello, piloto da Ferrari
KS – Karl Scheister , o procurador-chefe da Ferrari
VOZ 4 – Idely, mãe de Barrichello

Início da conversa:

VOZ 1: Rubens, você está pilotando muito bem, otimamente, continue com o bom trabalho. Faltam 5 voltas.

VOZ 2: Obrigado, Jean. O carro está excelente, realmente muito bom hoje. Eu nem sei como agradecer a vocês. Diga a minha mãe que eu vou dar-lhe o melhor Dia das Mães da sua vida.

VOZ 1: É bom ouvir isso, Rubens. Ela está adorando assistir à corrida conosco. Eu irei passar para ela. Ela está muito orgulhosa! Ouça, você se importaria de desacelerar um pouco e deixar Michael ganhar?

VOZ 2: Obrigado por dizer a ela, Jean. Ela ficará tão feliz. Vocês são os melhores, simplesmente os melhores! [estática, intelegível]

VOZ 1: Ah, nós também te admiramos, Rubens. Você tem sido de grande ajuda para a equipe. Michael também acha. Faltam 4 voltas agora. Ah, a distância de Michael ainda é de 3 segundos.

VOZ 2: Tá bom.

VOZ 1: Ah, Rubens, acabamos de falar com Michael novamente. Ele diz que a distância ainda é de 3 segundos.

VOZ 2: Que ótimo! Nós teremos 1º e 2º! Obrigado, meu Deus! Incrível! [sons de choro ouvidos pelo rádio]

VOZ 1: Tá bem, Rubens, faltam só 3 voltas agora. Nós precisamos fazer um ajuste na tática, garotão.

VOZ 2: [ainda chorando] Claro Jean! O que você disser! Como está o meu combustível?

VOZ 1: Não se preocupe, o combustível é suficiente. Ouça, só uma pequena mudança na tática. Nós queremos que Michael ganhe.

VOZ 2: (risos) Não me façam rir, gente, eu quase errei a freada na curva Lauda. Obrigado por quebrar a tensão. Eu aprecio isso. Vocês são os maiores!

VOZ 1: Ah, Rubens. Eu não estou brincando.

VOZ 2: [estática, intelegível]

VOZ 1: Você me entende, Rubens?

VOZ 2: [mais estática, intelegível]

VOZ 1: Rubens, a gente já passou por essa rotina antes. Não vamos passar por isso novamente.

VOZ 2: Sim, entendido. Eu achei que você tivesse me dito para me curvar e assumir a traseira de Michael de novo, seu sapo francês magrelo.

VOZ 1: Rubens, agora não seja assim. Faltam 2 voltas agora, ele está bonito.

VOZ 2: Não é justo! Ele já ganhou um zilhão de vezes, e eu só uma vez, e só porque vocês pagaram a Mercedes para usar aquela placa idiota e correr pela pista depois que o garoto Mickey se ferrou.

VOZ 1: Rubens, não tenho idéia do que você está falando. Eu tenho alguém que quer falar com você. É Karl Scheister, o procurador-chefe da nossa corporação.

KS: Oi, Rubens. Grande corrida!

VOZ 2: Se manda, seu incorporado doente [opa!]

KS: Você está terrível, muito bem! Ouça, eu estou lendo o seu contrato agora Rubens, e eu cito, “considerando a parte primeira” – que é você, por acaso – “deveria ultrapassar o carro principal do grupo da parte segunda” – que somos nós, significando Michael e a Ferrari – “e recusar as ordens da equipe para corrigir a situação, a parte primeira estará sujeita a penalidades, o que inclui a perda total do salário…”

VOZ 2: Eu não ligo!

KS: “perda de direção…”

VOZ 2: Que seja!

KS: “…e a transferência de ‘Lulu’, canina mestiça pertencente à primeira parte e atualmente sob porte da segunda parte, para uma terceira parte inominada permanentemente”.

VOZ 2: Seus desgraçados!! Eu ainda vou levar essa para casa! Eu mereço essa vitória!!

VOZ 1: Rubens, eu tenho mais alguém que gostaria de conversar com você, falta 1 volta, cara. A pressão do combustível está boa.

VOZ 4: Rubens?

VOZ 2: Mãe?

VOZ 4: Rubens, eu estou com medo. Não consigo enxergar e não sei para onde eles me levaram. Meus pulsos doem! Deus me ajude! [sons abafados]

VOZ 2: Mãe? Mãe!! Seus desgraçados!! Seus doentes, doentes desgraçados!!

VOZ 1: Rubens, Michael está perguntando por que está demorando tanto. Falta 1 volta, cara.

VOZ 2: Está bem!! Está bem!! Vocês venceram!! Vocês venceram!! Só não machuquem a mamãe. E eu quero a Lulu de volta quando a temporada acabar.

VOZ 1: Sem problemas, cara. O Dia das Mães só ocorre uma vez por ano.

VOZ 2: Obrigado Deus… [sons de choro foram ouvidos]

VOZ 1: E um contrato é um contrato.

VOZ NÃO IDENTIFICADA 5 (acho que era o Schumacher) : Uhhhhhuuuuu!!!!! Eu ganhei!! Eu ganhei!!

VOZ 1: Grande corrida, Rubens.
VOZ 2: Ah, calem a boca, seus tagarelas…

Fim da transmissão.

O momento da chegada do GP da Áustria de 2002

Michael Schumacher cruzou a linha de chegada na frente e Cléber Machado ficou indignado com o que viu. Os torcedores que estavam presentes faziam sinal de negativo como forma de protesto. Jean Todt fez cara de que não devia ter feito aquilo. Michael Schumacher saiu do carro e seu irmão, Ralf, olhou para Michael com uma cara que misturava pena e vergonha da dupla da Ferrari. Rubens e Michael se abraçaram após saírem do carro. No pódio, Michael deu seu trófeu para Rubens e lhe pediu para ficar no lugar mais alto do pódio.

Como punição, a Ferrari teve de pagar 1 milhão de dólares e só. Uma merreca que pode ser justificada pela forte influência exercida pela equipe italiana nos homens da FIA. As reputações da Ferrari, de Schumacher, de Barrichello e da própria Fórmula 1 foram seriamente afetadas por esse episódio. Muitos disseram que Schumacher, com todo o seu poder de influência, poderia ter evitado a situação. Afinal de contas, havia ainda onze etapas pela frente e ele já tinha chegado a A1-Ring com 21 pontos de vantagem sobre Juan Pablo Montoya. A Ferrari argumentou que tudo podia acontecer e esses pontos poderiam fazer falta no fim do ano.

Não fizeram. E o esporte ficou maculado para sempre. Não vou dizer que Rubens fez a coisa certa. Quem sabe esse post possa ser mentira, mas quem decide isso é você que tá lendo. Decida no que acredite e depois faça algo que uma pessoa normal faria. Coma um hamburguer ou qualquer coisa.

Abaixo a última volta narrada por Cléber Machado.

 
E o final da corrida, a cara de pena e vergonha de Ralf Schumacher e o protesto da torcida presente em Spielberg na Áustria.
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