Torcedor lê jornal durante treino do GP do Brasil neste sábado, em Interlagos

A “empolgação” é tanta que o cara tava é lendo o jornal em vez de ver os carros na pista

Sábado, definição do grid de largada do GP Brasil de F-1. No autódromo de Interlagos, os sinais de desinteresse por um campeonato já decidido há 45 dias são evidentes. Com muitos vazios na arquibancada, a 15ª pole position obtida na temporada por Sebastian Vettel, nesta tarde, foi testemunhada em silêncio.

Nas ruas próximas ao autódromo, pela manhã, o movimento era pequeno. Por volta das 10h, faltando uma hora para o início da terceira sessão de treinos livres um pequeno grupo se concentra num trecho da arquibancada em frente à reta oposta. São os únicos animados na área.

Quando uma van entra na pista, eles comemoram como se fosse a passagem de um campeão. É o momento de maior entusiasmo visto durante o treino. Faltando dez minutos para o início da sessão, dois safety-cars entram na pista. É hora de sacar as câmeras de fotografia ou os celulares e colocar protetores auriculares.

O treino livre ocorre sem maiores emoções entre 11h e 12h. Do meu lado de um zé-ruela chamado Mauricio Stycer, um sujeito lê o jornal enquanto Vettel, mais uma vez, marca o melhor tempo.

No Globo Esporte, exibido em seguida, Thiago Leifert revela que a maior atração foi um pássaro, atropelado por um carro. Um repórter, ao vivo, entrevista dois jornalistas turcos que usam camisas do Corinthians.

Assistiam ao treino de um camarote ao final da reta oposta, com ótima visão da pista. O espaço tem capacidade para 1.500 pessoas. “É o lugar com mais homem por metro quadrado que já vi na vida”, reclama um convidado. “Nem no estádio de futebol é assim”, confirma seu amigo.

O camarote, montado pela Rede Globo, dona dos direitos de transmissão da F-1, é ocupado por convidados da emissora e de seus patrocinadores. As mordomias incluem hot-dog, empadinha, sorvete e cerveja.

Para entender o que ocorre no treino é preciso acompanhar a transmissão pela TV. Há cerca de 40 aparelhos espalhados pelo camarote. Durante o treino que vale a definição do grid, Galvão Bueno apresenta estatísticas da história do GP Brasil. Não tem nada melhor mesmo para dizer.

Às 14h45, 15 minutos antes do final do treino, já tem gente indo embora. Bruno Senna conquista o nono lugar, comemora Galvão. A má notícia é que não choveu. Se chovesse, podia-se esperar um Sutil ou um Senna na pole.

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