Maylander em ação em Interlagos

Ontem eu falei do GP Brasil de 2003. E apesar da esmagadora maioria das pessoas só ligarem para esse GP porque choveu, teve o acidente do Webber e do Alonso e porque o Fisichella ganhou e blá, blá, blá, blá, blá, blí. Teve outra coisa interessante que aconteceu naquele domingo.

Ele liderou o GP Brasil de 2003 por 21 voltas, atrás apenas de David Coulthard, da McLaren, que ficou na frente por 26 voltas. O segundo colocado do GP, Kimi Raikkonen, ficou 17 giros na ponta. Bernd Maylander, 31, foi o alemão que mais se destacou neste domingo em Interlagos. Ele é o responsável por dirigir o safety car, grande atração do GP.

“Posso dizer que não foi um trabalho fácil, mas, no final das contas liderei a prova por 19 voltas”, disse, sem saber ao certo quantos giros havia “liderado”. “Foi meu recorde. Nunca fiquei por tantas voltas na pista em uma corrida.”

Neste domingo, em Interlagos, Maylander disse que alcançou 235 km/h na Reta dos Boxes com o Mercedes CLK 55 AMG que dirige. Parece muito? Parece, mas não é. Um carro de F-1 chega a atingir 320 km/h nesse mesmo trecho.

Maylander em ação na etapa do Canadá este ano

“Nas retas não tinha problema, a grande preocupação era mesmo nas curvas, onde parecia que tinha rios de tanta água.”

Ele disse, no entanto, que a pista não estava tão ruim como no treino de sexta-feira de manhã. “Foi tranquilo. Hoje todo mundo sabia que tinha bastante água na pista e que era preciso ser bastante cuidadoso.”

Mas conduzir o safety car em todos os GPs do calendário da F-1 -esta é sua quarta temporada nesta função- não é o único emprego de Maylander. Ele também disputava naquela época, a DTM, campeonato alemão de turismo, desde 1995, como piloto da Mercedes.

“É muito mais difícil ser piloto do que conduzir o safety car, pois quando corremos estamos sempre no limite. Com o safety car estamos apenas perto do limite”, afirmou o piloto de 1,80 m e 72 kg, ressaltando que usou “apenas 90%” do potencial do carro (em Monza, chega a 280 km/h).

Para saber se está indo rápido ou devagar demais, Maylander disse que presta atenção à distância que ele está do primeiro piloto da fila. “Se vejo que ele está muito perto de mim, sei que estou lento e acelero. Se eles ficam longe, percebo que estou rápido.”

O piloto tem um contrato renovado anualmente com a FIA e diz que ganha “muito bem”. “É um trabalho maravilhoso. Faço o que gosto, viajo o mundo inteiro e ainda ganho para isso”, disse. No carro, ele não está sozinho. É acompanhado por outro piloto, o também alemão Peter Tibbets.

Maylander disse ainda que adora visitar o Brasil. “Gosto muito de vir para cá. A pista aqui é maravilhosa, e sou um fã das coisas boas do Brasil, como caipirinha e as mulheres bonitas”, afirmou.

Pra quem dirige apenas um Safety-Car, liderar mais voltas que Schumacher, Raikkonen e Barrichello, já é um grande feito. Digno de parabéns. Parabéns, Bernd Maylander.

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