Victor Pease, ou Al Pease nasceu em Darlington na Inglaterra, mas sempre correu pelo Canadá. Agora vamos direto para a história.

Pease famoso, mas não por ser rápido

Pease em Mosport Park em 1967

Piloto de relativo sucesso no automobilismo canadense, Pease fechou uma parceria com a fabricante de lubrificantes Castrol e, com o apoio desta, alugou um carro Eagle para o GP do Canadá de 1967. Pease, um dos diversos desconhecidos que se aventuravam na F-1, tenha sido o mais desastrado de todos.

Já nos treinos, Pease mostrou que não iria longe: seu tempo foi sete segundos mais lento do que o pole Jim Clark, da Lotus. Apesar de tudo, o canadense alinhou para a largada em 15º em um grid de 18 carros. No dia da corrida, um temporal atinge o circuito de Mosport Park e as coisas começam a dar errado para Pease antes mesmo da prova começar: Com problemas na bateria, ele perde a largada e só consegue sair para a pista quando os pilotos já estão na sexta volta.

Correndo em último, Pease não demora a rodar e ir para a grama. Seu motor fica tão cheio d’água que a bateria descarrega novamente. Mesmo parado no ponto da pista mais longe dos boxes, Pease não desistiu. O canadense volta a pé, pega outra bateria com seus mecânicos e ele próprio instala o instrumento no carro, que continuava estacionado à margem da pista. Perde muito tempo e retorna para o circuito, quando já era o lanterna.

Quando a corrida termina, o resultado é impressionante: Pease, que chegou em último, acabou terminando a prova incríveis 43 voltas atrás do vencedor, Jack Brabham. Sua média de velocidade é ridícula: 69,4 km/h, menor do que um carro de passeio. Para comparação, Brabham completa 90 voltas e Pease, apesar de ter chegado ao fim, não é classificado porque não completara a distância mínima necessária. A estreia mais desastrosa de todos os tempos.

Al Pease, o retorno em 1968

Apesar do início desastroso, o piloto estaria de volta para a corrida de 1968. Novamente pilotando um Eagle, Pease é 15 segundos mais lento do que o pole-position Jochen Rindt e fica 8 segundos atrás do penúltimo colocado. O canadense não se classifica para a corrida.

Pease, desclassificado por estar muito lento em 1969

Aos 48 anos de idade, Pease tem desempenho sofrível nos treinos e termina a 11 segundos do pole Jacky Ickx. Depois de ter perdido o patrocínio da Castrol, o canadense corre com um carro Lola, equipado com motor Chevrolet, claramente mais fraco do que o restante do grid. Não poderia dar outro resultado: na corrida, Pease é tão lento que acaba excluído pela direção da prova.

Já nas primeiras voltas, o piloto freia cedo demais para uma curva e o suíço Silvio Moser é obrigado a desviar para não bater. Moser sai da pista e acerta a barreira de proteção, tornando-se a primeira vítima de Pease. Logo depois, o francês Jean-Pierre Beltoise recebe uma vigorosa fechada e entorta a suspensão. A errática pilotagem de Pease acaba com uma disputa emocionante pelo quinto lugar e começa a irritar os chefes de equipe.

Quando Pease passa muito perto de jogar Jackie Stewart para fora da pista, Ken Tyrrell vai à direção de prova e pede a imediata desclassificação do canadense. O pedido é aceito e Pease se torna o primeiro – e até hoje – único piloto da história a ser excluído da prova por ser excessivamente lento. No total, ele completa apenas 22 voltas na corrida – na altura em que foi tirado da prova, os líderes já tinham mais do que o dobro disso.

Após o GP de 1969, Pease nunca mais retorna à Fórmula 1. Compete apenas em provas no automobilismo local até se aposentar. Foi incluído no Canadian Motorsport Hall of Fame (Hall da Fama do automobilismo canadense) em 1998.

Nem se dessem um McLaren MP4/4, o carro considerado por esse blog como o melhor carro de F1 que já existiu, ele ia deixar de ser

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