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Slim Borgudd e sua ATS patrocinada pelo grupo ABBA

Essa ATS já teve de tudo mesmo, hoje irei lhes contar do baterista que virou piloto. A vida musical de Thomas Borgudd era com a banda Lea Riders Group, onde era o baterista. Por causa de sua grande amizade com Björn Ulvaeus, um dos integrantes do grupo ABBA, Borgudd era convidado para gravar algumas músicas em estúdio com a banda.

Seu apelido Slim, veio por pura coincidência. Em uma noite de shows em Nova Orleans em 1964, Willie Dixon, Memphis Slim e um baixista local, iriam tocar em uma casa de shows local, no intervalo do show, a banda retorna com seu baterista (Memphis) com um problema no punho, e impossibilitado de tocar, o show iria acabar por ali mesmo se não fosse um colega de Borgudd gritar: – Ei, nós temos o melhor baterista do mundo bem aqui!

Na subida ao palco, os integrantes da banda o apelidaram de Little Slim, mas com o tempo o Little foi desaparecendo, mas o Slim continuava como uma forte marca sua, a ponto de Borgudd ter que, praticamente, adotar o Slim como nome oficial, pois quase todos os documentos enviados a ele vinham com a denominação Slim antes de seu nome.

No automobilismo Borgudd teve uma carreira mais do que eclética. Pilotou por várias categorias nórdicas e européias. Seus principais títulos antes da F1 foram o do Campeonato escandinavo de Formula Ford 1600 e a Formula 3 sueca.

Thomas ‘Slim’ Borgudd acelerando em Hockenheim

Mesmo sendo um craque, tanto na musica, quanto no automobilismo, competir na F1 não era só questão de talento, o dinheiro dos patrocínios era essencial. A ATS estava interessado em ter Borgudd como piloto, e ele, junto com o ‘marqueteiro’ Tommy Lindh foram atrás de alguns patrocinadores. Tudo estava certo para a American Reynolds Tobacco Company patrocinar a ATS com sua marca de cigarros Camel, mas num último instante, a empresa recuou, deixando Borgudd a ver navios.

Foi ai que seu amigo pessoal entrou em cena, Björn Ulvaeus propôs patrocinar a ATS de Borgudd e dar a ele o impulso e divulgação suficiente para ele arranjar novos patrocínios. Borgudd estreou no GP de San Marino de 81 com patrocínio do grupo ABBA estampado no carro. Essa seria uma grande marca sua.

Björn Ulvaeus e Slim Borgudd, velhos e grandes amigos

Em sua 1ª corrida de F1, já colocou seu companheiro de equipe ‘no saco’. Lammers nem consegue a classificação enquanto Borgudd completa toda a prova. A partir daí e durante toda a temporada, Borgudd fica como o único piloto da ATS na F1.

Quando o circo de 81 chega a Silverstone, Slim consegue um fato raro na equipe, ele marca 1 ponto no GP da Grã-Bretanha. Borgudd comemorou muito o que seria seu único ponto na F1 e também o 1º da Avon (marca de pneus). No Canadá ele consegue a 13ª volta mais rápida da prova. Ao final do ano, Ken Tyrrell notou todo o seu talento e o contratou para correr na Tyrrell em 82.

 

Acelerando fundo no Canadá

Neste ano, Borgudd corre apenas os 3 primeiros GP’s da temporada ( no Brasil) antes de ser demitido da Tyrrell. Em seu lugar entra o britânico Brian Henton, que não fez nada além do que Borgudd podia fazer.

Com o passar dos anos, Borgudd foi pilotando em uma série de campeonatos mundo a fora, participou de diversas categorias variando entre monopostos, carros de turismo e até caminhões. Conquistou alguns títulos, mas é sempre lembrado como o integrante do ABBA na F1, apesar deste rótulo ser um pouco errôneo.

Borgudd mostra o volante para Björn no GP da Alemanha

Para que classificação quando se tem bons amigos?

A história de hoje remete ao início da equipe. Em 1977, a ATS não corria com seus próprios chassis, mas sim com os PC4 de Roger Penske. Logo na estréia da equipe na F1, Jean-Pierre Jarier chega em sexto no GP dos Estados Unidos, marcando o primeiro ponto da equipe.

O dono da ATS, Günther Schmidt, se animando com a situação, arma uma novidade para o GP caseiro da ATS. Jarier, que corria sozinho na equipe, ganha um companheiro para disputar o GP da Alemanha em Hockenheim. O convocado é o experiente piloto de turismo, Hans Heyer.

O problema de Heyer, é que ele não estava acostumado a correr com este tipo de carro. Hans havia feito somente uma corrida de monopostos na vida (F2 em 76). Apesar de conhecer muito bem o traçado, este tipo de máquina não ‘era a sua praia’, e seus tempos de volta claramente mostravam isso. Heyer ficou a 5 segundos e meio do poleman sensação do ano, Jody Scheckter, e não se classificou para o GP.

Sem a classificação, Heyer podia normalmente ir para casa e assistir ao GP de seu sofá, só que ele não fez isso. Em uma história que beira ao absurdo, Heyer, com auxílio de alguns ‘camaradas’ seus, fica na espreita, dentro do boxe da ATS, antes da corrida começar. Ele já tinha um plano na cabeça e estava louco para executá-lo.

 Nos boxes da equipe matutando algo perverso

 A largada foi dada e um acidente na 1ª curva entre Alan Jones e Clay Regazzoni chama a atenção de todos os olhares. Momento perfeito para a ATS nº 35 entrar em ação. Sorrateiramente Heyer sai dos boxes e chega na pista. Pronto, sua maluquice estava feita.

Hans sai acelerando pela floresta alemã, e quando chega na área do estádio, os torcedores ficam incrédulos com o que vêem. Um alemão, pilotando por uma equipe alemã, disputando o GP da Alemanha, sem estar classificado. Essa loucura realmente existiu.

 O perverso fantasma sorrateiro!

 Parece que os comissários não viam algo de errado na pista, ou faziam vista grossa para o fato, pois, enquanto Heyer ganhava posições na corrida, ele sequer recebeu alguma advertência dos fiscais de pista. Só que a ousadia de deste maluco não durou muito tempo. Na volta 9, com problemas no câmbio do PC4, Heyer abandona a prova, e só então é desqualificado da corrida!

Depois deste ‘showzinho particular‘, Heyer nunca mais pilotou um F1 na vida. Para os GPs seguintes a ATS contrata os serviços de Hans Binder para o lugar de Heyer, que depois disso, se dedicou exclusivamente ao que mais gostava: correr de carros de tursimo.

Prólogo: Contarei neste espaço, fatos curiosos, engraçados, estranhos e bizarros de determinadas equipes ou pilotos. Começaremos essa nova novela com a Auto Technisches Spezialzubehor, mais conhecida como ATS. Um capítulo por dia, não percam!

Marc Surer com sua ATS adesivada nos treinos do GP da África do Sul

A ATS, nos dois primeiros GP’s de 1980, correu com chassi D3 que a equipe utilizou nas últimas etapas da temporada de 79. Para o GP da África do Sul, um novo modelo de carro faria sua estréia. O ‘D4’ foi projetado pelos ainda jovens: Gustav Brunner e Tim Wardrop. Quem ficou com incunbência de pilotar o novo carro em Kyalami, foi o Suíço Marc Surer. Jan Lammers, o outro piloto da equipe, foi para o GP ainda com o antigo D3.

Esta prova em Kyalami era apenas o sexto GP de Marc Surer. O Suíço, que vinha de uma boa colocação no GP da Brasil (7º), foi confiante para os primeiros treinos com seu carro novo, mas logo no início destes, Surer bate violentamente no muro da curva ‘Crawthorn’. A forte pancada destruiu a frente de sua D4 e feriu gravemente suas pernas.

Instantes após o acidente, pessoas iam chegando perto do carro de Surer: comissários, mecânicos, médicos, enfermeiros, repórteres, fotógrafos, curiosos, torcedores, ou seja, todo mundo entrou na pista!

Nessa foto consegue-se ver todos, menos o piloto, tamanho o número de pessoas no local

No desenrolar do atendimento (que foi um pouco demorado), algo muito inusitado e estranho foi acontecendo. A ATS começou a perder peças e adesivos (!). O fato é muito estranho. Posso até entender que as peças foram retiradas pelos mecânicos para ajudar no regaste de Surer, mas a retirada dos adesivos, eu não vejo o por que. Ai eu lanço a pergunta no ar: – Roubaram os adesivos da ATS?

Acompanhe a seqüência de fotos abaixo e confirme a excentricidade do fato:

Marc Surer no instante de sua batida

Os “ajudantes” já começam a entar em ação

Reparem nos adesivos, eles ainda estão lá, mas a parte que cobre o Santo Antonio não

 

Podemos ver aqui que, alguns adesivos ainda não foram totalmente retirados…

… Já agora, com o carro sendo rebocado… Cadê os adesivos???

Na caçamba do caminhão pode se notar algumas peças

Marc ficou de fora dos 3 GP’s seguintes, só retornando na corrida da França, em Paul Ricard. A carreira de Surer na F1 não foi das piores, ele pontuou em vários Gp’s e foi companheiro de equipe de Nelson Piquet na Brabham em 85. Sua carreira no automobilismo profissional se encerrou em 86, quando, numa etapa do mundial de rali (Grupo B), seu RS200 perde o controle e bate numa árvore a mais de 200 km/h. Seu co-piloto, Michel Wyder, morreu na hora.

Momento caras: Surer foi casado com duas modelos que já foram capas de Playboy: Jolanda Egger e Christina Surer !

 
 
 

O último carro dos japoneses da Honda na F1, apesar de ser, em termos de resultados, bem superior do que seu antecessor, foi uma completa decepção. A Honda, agora sendo comandada por Ross Brawn, tentava apagar o sombrio 2007, e até que conseguiu, marcando pontos, e se mantendo regularmente na briga com os carros das equipes consideradas médias.

 

 

 

O RA108, apesar de ter terminado várias corridas ao longo do ano, não conseguia uma performance, muitas vezes nem para entrar no Top 10, tendo de se contentar com o pelotão intermediário. A equipe teve seu momento de glória, em um GP da Inglaterra caótico, marcado pelas chuvas, onde o heróico veterano Rubens Barrichello arrebatava um gratificante 3° lugar.

 

 

 

O design do RA108 também chamava a atenção, e a Honda, até criou um aparato aerodinâmico muito utilizado no ano de 2008, as chamadas Orelhas de Elefante, ou Orelhas de Dumbo. Mesmo com isso, os japoneses se despediram, com magros 14 pontos, e a 9° posição no Campeonato de Construtores.

 

 

 

Dados:
Equipe: Honda Racing F1

Designers: Jorg Zander (Diretor técnico)

Loic Bigois (Chefe de aerodinâmica)

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Dados técnicos:

Chassis: Moldado em fibra de carbono, monocoque

Suspensão: Feita de fibra de carbono, alumínio, sistema pushrod, e molas de torção ativadas. (Suspensões dianteira e traseira)

Motor: Honda RA808E 2.4 Litros, V8, 90°, limitado a 19.000 RPM, aspirado naturalmente

Transmissão: Honda, feita de fibra de carbono, 7 velocidades, e uma marcha reversa (marcha ré), sequencial, semi automática

Combustível: Eneos (5.75% de bio combustível)

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Pilotos:

16 Jenson Button

17 Rubens Barrichello

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Pontos: 14

Corridas: 18

Vitórias: 0

Poles: 0

Voltas mais rápidas: 0

Posição no Campeonato de Construtores: 9°

Abaixo um vídeo de Riccardo Patrese testando um Honda RA108 em 2008.

Descripción :
Abaixo um onboard de Rubens Barrichello pilotando um Honda RA108 no circuito de Interlagos. E usando um capacete igual ao do supercampeão da Stock Car Ingo Hoffmann.

Descripción :

Nova coluna no blog. Raridades da F1. Mostrando as raridades diversas da F1.

Ferrari 312T8 Eight Wheeler

Gerou um reboliço no meio especializado esse carro. Denominado Ferrari 312T8, o carro tinha 8 rodas (!) . Essa foto saiu em várias revistas em no final de 75 e inicio de 76, dando como verídico o fato. Só que, quando se perguntava aos “paparazzi” de plantão de Fiorano, ninguém nunca tinha visto aquele carro, e ninguém sabia quem tirou aquela foto.
Anos mais tarde, a Ferrari veio a público informando que o carro nunca foi construído, mas foi pensado pelos projetistas da Ferrari.

Clay Regazzoni “testando” o Ferrari de 8 rodas. Mas TALVEZ essa foto seja montagem

Uma miniatura do suposto Ferrari de 8 rodas

Benetton no GP do Brasil de 1986

No GP Brasil de 1986, Gerhard Berger correu com sua Benetton com pneus coloridos, vejam só.

 

Em 2011, tivemos corridas memoráveis. Vou recordar as vitórias de pilotos nas principais corridas de 2011.

GP de Mônaco de F1. Vencedor: Sebastian Vettel

Em Mônaco, todos sabiam que Seb Vettel era favorito para levar mais um troféu para casa. Largou na pole e esteve na liderança na maior parte do tempo. Mas os seus compostos da Pirelli já não estavam mais aguentando e Alonso e Button estavam na pressão sobre Vettel. Até que veio a bandeira vermelha causada por Vitaly Petrov. A FIA então resolveu deixar os pilotos trocarem seus pneus e isso facilitou bastante para que Vettel conseguisse segurar Alonso e Button e vencesse a prova mais importante do calendário de F1.

500 Milhas de Indianápolis ou Indy 500. Vencedor: Dan Wheldon

No centenário do Indianapolis Motor Speedway, Alex Tagliani largou na pole. Mas nunca esteve com sorte e acabou batendo e abandonando. Nas últimas 10 voltas, a tensão era geral. Danica liderava, mas não quis arriscar e parou nos boxes. Betrand Baguette assumiu a ponta, mas também não arriscou e teve de parar nos boxes. JR Hildebrand assumiu a ponta faltando 4 voltas para o final. Hildebrand entra na Last Lap. A torcida delira. Na última curva, o diabético Charlie Kimball aparece no meio e Hildebrand acaba batendo. Hildebrand continua acelerando, mas não dá e Dan Wheldon faz a ultrapassagem e acaba vencendo a Indy 500 2011.

24 Horas de Le Mans. Vencedores: Bénoit Tréluyer, André Lotterer e Marcel Fässler

 

O trio Teluyer, Lotterer e Fässler pilotavam o Audi começaram liderando as primeiras 12 horas. E continuaram liderando as 12 horas restantes. Não foi fácil pois tiveram que segurar Sebastien Bourdais, Mike Rockenfeller e Simon Pagenaud. Mas a última parada nos boxes e uma garoinha no final da corrida fizeram com que o trio da Audi vencesse com 13 segundos de vantagem.

NASCAR Budweiser Shootout. Vencedor: Kurt Busch

O Budweiser Shootout é uma corrida realizada em Daytona que reúne os melhores da NASCAR Sprinte Cup Series da temporada anterior. Dale Eanhardt Jr. conseguiu a pole. O que levou os fãs de Dale Sir. e Dale Jr. ao delírio. Mas após 50 voltas no superoval de Daytona, Kurt Busch pilotando o Dodge amarelo patrocinado pela Shell Pennzoil venceu. Kurt teve de segurar a forte pressão que levou de Kevin Harvick, mas venceu.

Daytona 500. Vencedor: Trevor Bayne

Na Daytona 500 de 2011, tivemos o prazer de ver uma corrida muito louca. Novamente, Dale Earnhardt Jr. conseguiu a pole nos Gatorade Duels. Nas últimas voltas, vários pilotos que brigavam pela ponta como David Ragan, Regan Smith e Dale Earnhardt Jr. (de novo) foram abandonando a prova. Como gosto de ver azarões ganhando corridas, só restava torcer para um piloto, Trevor Bayne. Bayne estava surpreendendo e sobrevivendo a Big Ones e acidentes. Na última volta, Bayne liderava sob forte pressão de David Gilliland,  Bobby Labonte e Carl Edwards. Edwards tenta um último ataque, mas Bayne espertamente o fecha e vence a Daytona 500. Sendo a primeira vitória da equipe Wood Brothers (a equipe de Bayne na NASCAR) em dezenas de anos.

GP do Macau de F-3. Vencedor: Daniel Juncadella

Daniel Juncadella estava quase no ostracismo da F-3 Euroseries. Então, precisava da vitória no Macau para poder ser visto com bons olhos de novo. Até que Juncadella não estava fazendo uma má corrida. Veio a entrada do safety-car. Daniel estava em segundo, atrás de Marco Wittmann. Juncadella consegue fazer a ultrapassagem sob Wittmann. Wittmann que foi ultrapassado por Felipe Nasr, momentos depois. Daniel só tinha que segurar Nasr para se sagrar vencedor. E foi isso que aconteceu, Juncadella venceu com 3 décimos de vantagem para Nasr.

Corrida do Milhão. Vencedor: Thiago Camilo

A Corrida do Milhão tinha duas novidades. Novidade 1- A curva do Café tinha se transformado em Chicane do Café. Novidade 2- Jacques Villeneuve aceitou participar da corrida do Milhão. Marcos Gomes largou na pole. Gomes não conseguiu segurar a pressão de Thiago Camilo após a sua parada nos boxes. Gomes segurou D.Serra o suficiente para que Camilo abrisse 8 segundos para Daniel. Depois disso, só precisou segurar o carro na pista e correr pro abraço. E foi assim que Thiago Camilo ficou milionário. E Villeneuve terminou em décimo oitavo.

É isso mesmo que você está vendo. Alessandro (ou Alex para simplificar mais as coisas) Zanardi fez uma ultrapassagem incrível no Corkscrew! Vamos direto para a histórias de tudo isso.

Últimas curvas da última volta da ultima prova do ano. Este era o cenário perfeito para que Alessandro Zanardi mostrasse toda sua categoria enquanto pilotava essas máquinas de 800 HP sem nenhum auxílio eletrônico, num dos circuitos mais seletivos do mundo: Laguna Seca.

O vídeo em si é um pouco longo, não mostra logo de cara a ultrapassagem. Ele cria um enredo para você se deliciar ainda mais com o feito. Zanardi estava no encalce de Bryan Herta, que liderava a prova. O italiano queria por que queria vencer a prova que daria o título para seu companheiro de equipe, Jimmy Vasser. A 4 voltas do fim, logo depois do “saca-rolhas”, Alex força demais seu Ganassi e vai para a terra, mas mesmo assim consegue voltar.

O nível de aderência dos pneus de todos os concorrentes era irrisório. Podemos notar claramente isso quando a câmera onboard vai para o carro de Michael Andretti, o posterior vice-campeão de 1996. A dificuldade e o nível de leveza ao segurar no volante e “cutucar” o acelerador até impressionam. Os carros pareciam andar sobre bolinhas.

E foi nesse estado que a mágica foi feita. Zanardi conseguiu se reaproximar um pouco de Herta, mas nada que fosse alarmante para a segurança do americano. Logo na primeira curva da última volta Zanardi coloca seu carro quase que de lado em uma tentativa desesperada de ganhar a prova.

A chance de Zanardi seria na curva 4, mas o italiano não estava perto para tentar algo. A corrida estava no colo de Herta. Só um milagre poderia mudar as coisas.

E ele veio.

Em uma manobra ‘pra-lá’ de ousada, Alessandro tenta a ultrapassagem em um dos piores locais do mundo para se faze-la, que é na parte alta da “corkscrew”, ou saca-rolhas. O pior ainda é que nem perto ele estava de Herta, que tinha uma grande vantagem visual, mas em um mergulho insano, Zanardi apareceu como um raio ao lado de Herta. Trava os freios, atravessa a pista, se segura na terra, desce a ladeira, se desvia do muro e se ajeita à frente de Bryan (o nome do Herta é estiloso como podem ver) . De tirar o fôlego. De bater palmas de pé.

Daqui a pouco tem outro post no blog. 😉

Ainda não terminei a Retrospectiva 2011. Mas não esquenta, essa série deve ser finalizada esse mês ainda. E a Retrospectiva 2011 não fala apenas de F1, fala do automobilismo em geral. Hoje, o maior fracasso de 2011: a Superleague Formula.

Só uma palavra pode definir o que foi a temporada 2011 da Superliga: fracasso. Depois de anunciar um calendário com corridas em quatro continentes, incluindo duas rodadas no Brasil (em Curitiba e Goiânia), a categoria confirmou no dia 13 de outubro o cancelamento das três corridas marcadas para a Ásia, encerrando o campeonato de maneira prematura.

Após cancelar a rodada da Nova Zelândia — que fecharia a temporada — e também as corridas brasileiras, a Superliga anunciou que as etapas de Pequim, marcada para os dias 29 e 30 de outubro, de Xangai, uma semana depois, e da Coreia do Sul, prevista para 12 e 13 de novembro, também estão fora do calendário da temporada.

Aquela altura do dia 13, a Superleague também já tinha cancelado a rodada dupla que ia ser realizado na Rússia no circuito de Smolensk.

Dessa forma, o campeonato se encerra apenas com as etapas de Assen e Zolder. Com 158 pontos marcados, a Austrália, guiada por John Martin, sagrou-se campeã da Superliga, com 22 a mais que o Japão. Em 2011, a categoria adotou um conceito diferente que misturou Copa das Nações com os times, que eram o grande foco das atenções da categoria até o ano passado.

Robin Webb, diretor de competições da categoria, justificou o cancelamento das rodadas asiáticas. “Enquanto todos na Superliga reconhecem que esse é um resultado insatisfatório para seus milhares de fãs, simplesmente não é possível viajar até à China com alguns detalhes ainda a serem acertados.”

“O fato de esse anúncio ter sido feito tão próximo do primeiro evento marcado é a prova de que houve tentativas incansáveis de o campeonato realizar as corridas como planejado, especialmente depois da recepção calorosa que nós tivemos da China na última temporada”, comentou o dirigente, prometendo voltar ao continente em 2012.

“Naturalmente estou tão frustrado como qualquer outra pessoa pelo fato de que o campeonato não vai visitar a Ásia neste ano. Gostaria de tranquilizar os fãs, no entanto, que os planos já estão em estado avançado para que juntos possamos elaborar um pacote muito melhor para 2012, os anúncios serão feitos no momento oportuno”, finalizou Webb.

Antes do início da temporada, o Corinthians, então único time brasileiro anunciado na categoria, foi apresentado com as cores verde e amarela, relacionando com o Brasil, mas também com uma das cores do maior rival, o Palmeiras. Depois de manifestações da cúpula do time de Parque São Jorge, a Superliga retirou sua inscrição, restando apenas a equipe ser nomeada como Brasil.

Entre outras bizarrices, a equipe da Coreia do Sul foi representada pelo alemão Max Wissel, o carro do Japão foi pilotado por Duncan Tappy e Robert Doornbos, e o bólido da Turquia, que estampou o escudo do Galatasaray, foi guiado também por Tappy e Andy Soucek.

No final, 7 rodadas duplas foram canceladas de 9 previstas. Foram as etapas de Smolensk (Rússia) , Goiânia (Brasil) , Curitiba (Brasil) , Beijing (China) , Shanghai (China) , Seul (Coréia do Sul) e a de Taupo (Nova Zelândia) .

Mas que coisa bonita

Amanhã tem mais Retrospectiva 2011.

Sem assunto. Apresento um diálogo de uma discussão feia entre Ayrton Senna e Eddie Irvine. Aconteceu depois do GP do Japão de 1993, em 24 de Outubro em Suzuka. Prost já havia anunciado (depois de assegurar o título em Estoril) que ia se aposentar no fim da temporada, Senna já havia anunciado que ia para a Williams, para ser companheiro do Damon Hill. Um jovem Eddie Irvine fazia sua estréia de Jordan Hart 1035 V10 com Barrichello como companheiro de equipe, em uma pista que o irlandês conhecia muito bem, graças as suas duas temporadas anteriores, competindo no Campeonato Japonês de F3000 pela Cerumo-Cosmo Oil.

Irvine correndo pela F3000 Japonesa

Eddie havia classificado sua Jordan em oitavo, e pularia para quinto na largada, depois de colocar duas rodas na grama, por fora, para completar a manobra. Mesmo assim, ele foi rápidamente ultrapassado de volta por Schumi na Benetton (que teve uma largada ruim) e Damon Hill, na Williams. A briga na ponta era de Senna e Prost, continuando assim na primeira parada de box, e sob a chuva que começou a cair.

Ayrton Senna vencendo em Suzuka/1993

Basicamente, o “episódio” foi que Senna brigava com Prost pela ponta, e chegou para colocar uma volta em Irvine e Hill (que brigavam pela 5ª posição). Hill estava de slicks na pista razoávelmente molhada, e Senna com pneus de chuva. Senna passou Irvine, e estava sendo “cuidadoso” para passar Hill, pois este escorregava por todo lado.

Irvine, que agora estava uma volta atrás, resolveu “tirar a volta” passando Senna na entrada das curvas Degner, e o fez, irritando Senna. Mais tarde, Irvine diria que a culpa de tudo que aconteceu era de Damon Hill (??). Além disso, há três voltas do final, Irvine não hesitou em “empurrar” Derek Warwick na Footwork para a brita na chicane e lhe tomar o sexto lugar, tornando-se o primeiro estreante a marcar pontos em seu primeiro GP desde Jean Alesi. Senna venceu, seguido de Prost, Hakkinen, Hill, Rubinho e Irvine, os únicos seis na mesma volta, e os últimos dois registrando o melhor resultado da Jordan na temporada. Penúltima vitória de Senna, de número 40, e número 103 da McLaren, empatando-a com a Ferrari, significativo na época.

Eddie Irvine acelerando com seu Jordan na pista de Suzuka

O diálogo que se seguiu, segundo os vários rumores e sites na internet descrevendo o acontecido, foi gravado por um “figurante” que preferiu não se identificar. Dizem que o estreante Irvine estava sentado sozinho em uma mesa na área reservada da Jordan após a corrida, onde também se encontravam Rubinho Barrichello, o gerente comercial e outros membros da equipe, todos assistindo exatamente ao replay do “incidente”. De repente, a porta se abre e Senna entra, com Norman Howell (diretor de comunicações da McLaren) e Giorgio Ascanelli (engenheiro de Senna). Senna procura por Irvine, mas parece não encontrá-lo (ou não reconhecê-lo). O próprio Eddie levanta a mão, chamando a atenção de Senna, que se encaminha até ele.

O incidente: Senna e Irvine dividindo a Degnes Curve

Irvine: “ Hey.”
Senna: “Que m**** você acha está fazendo ?”
Irvine: “ Eu estava correndo .”
Senna: “ Você estava correndo ? Você conhece a regra que você tem que deixar os líderes passarem quando você é um retardatário ?”
Irvine: “Se você estivesse indo rápido o bastante, não haveria problema.”
Senna: “Eu te passei ! E você saiu da pista três vezes na minha frente, no mesmo lugar, como um fuc**** idiot (isso não tem tradução boa o bastante), onde havia óleo. E você estava jogando pedras e coisas na minha frente por três voltas. Quando te passei, você viu que eu estava na sua frente. E quando eu cheguei no Damon, ele estava de slicks e tendo dificuldades, e você deveria ter ficado atrás de mim. Você correu um risco muito grande, de me tirar da corrida.”
Irvine: “Eu te coloquei em algum perigo ?”
Senna: “Você não me colocou em perigo ?”
Irvine: “Eu encostei em você ? Eu encostei em você alguma vez ?”
Senna: “Não, mas você chegou à isso (gesticulando, polegar e indicador juntos) de encostar em mim, e eu era o fuc**** líder (berrando), eu era o fuc**** líder !”
Irvine: “Se não encostou, tanto faz estar à uma milha de distancia (“A miss is as good as a mile”).”
Senna: “Vou te dizer uma coisa. Se você não se comportar apropriadamente no próximo evento, é melhor você repensar o que faz. Eu te garanto isso.”

Irvine: “Os comissários disseram que não houve problema, não houve nada de errado.”
Senna: “Ah, é ? Espere até a Austrália. Espere até a Austrália, quando os comissários falarem com você. Aí você me diz se eles dizem isso.”
Irvine: “Hey, eu estou aí para fazer o melhor para mim.”
Senna: “Isso não é correto. Você quer ir bem. Eu entendo, pois já fui assim. Eu entendo. Mas é muito anti-profissional, se você é um retardatário, e está uma volta atrás…”
Irvine (interrompendo): “Mas eu teria te seguido se você passasse o Hill.”
Senna: “…você deveria deixar o líder passar…”
Irvine (interromendo novamente): “Eu entendo perfeitamente.”
Senna (ele agora interrompendo): “…e não voltar e fazer as coisas que você fez. Você quase bateu no Hill, na minha frente, três vezes, eu ví, e eu podia ter “coletado” você e ele como resultado, e essa não é a maneira de…”

Irvine (interrompendo e gritando agora): “Mas eu estou correndo ! Estou correndo ! Você só aconteceu de…”
Senna (interrompendo e berrando): “ Você não estava correndo ! Você estava guiando como um fuc****idiota. Você não é um piloto de corridas – você é um fuc**** idiota !”
Irvine: “ Você fala, você fala. Você estava no lugar errado, na hora errada.”
Senna: “ Eu estava no lugar errado, na hora errada ?”
Irvine: “Sim. Eu estava disputando com o Hill.”
Senna: “Sério ? Sério ? Me diz uma coisa. Quem deve julgar: você ou o líder da prova que vem vindo para te colocar uma volta ?”
Irvine: “ O líder da prova.”
Senna: “Então o que você fez ?”
Irvine: “ Você estava muito devagar, e eu tinha que passar você para tentar chegar no Hill.”
Senna: “Sério ? Como eu estava colocando uma volta em você se eu estava muito devagar ?”
Irvine: “Chuva. Porquê de slicks você estava mais rápido que eu, mas com pneus de chuva você não estava.”
Senna: “Sério ? Sério ? Como que eu te passei com pneus de chuva, então ?”
Irvine: “ Ahn ?”
Senna: “Como que eu te passei com pneus de chuva, então ?”
Irvine: “Eu não lembro disso. Na realidade, não lembro da corrida.”
Senna: “Exato, porque você não é competente o bastante para lembrar. Funciona assim, você sabe.”
Irvine: “Tudo bem, tudo bem, você pensa assim.”
Senna: “Tenha cuidado, cara.”
Irvine: “Vou ter, e vou ficar de olho em você.”
Senna: “Você vai ter problemas não só comigo, mas com várias outras pessoas, e também com a FIA.”
Irvine (sarcástico): “ É ?”
Senna: “Pode apostar.”
Irvine (rindo): “ É ? Bom.”
Senna: “ É ? Bom saber disso.”
Irvine: “Te vejo na pista.”
Senna (agressivo): “É ? Bom saber disso.”
Irvine: “Te vejo na pista.”
Senna faz uma meia volta, dá alguns passos e parece que vai embora quando solta um “aaahhh” alto e vira, anda de volta para o Irvine e lhe dá um soco, de esquerda, na parte direita da cabeça de Irvine – que se desequilibra e cai no chão.
Irvine (berrando): “Processo !”
Senna (berrando enquanto é colocado para fora): “Você precisa aprender a respeitar onde voce está indo errado.”

Com certeza, não é o melhor exemplo para os jovens pilotos, mas Senna deu mais exemplos ótimos que ruins, logo não deve ser julgado apenas por esse descontrole. Mas até que deu para extravasar a raiva legal.

Segunda passada mandei várias fotos para descobrirem quem era quem. Mesmo que apenas o leitor assíduo Ramon Mendes tenha comentado, vou dar as respostas.

Piloto: Tony Kanaan. Ramon Mendes acertou.

Pista: Jerez de la Frontera. Ramon Mendes acertou.

Piloto: Takuma Sato. Ramon Mendes acertou.

Piloto: Christian Danner. Ramon Mendes acertou.

Equipe: ARROWS. Ramon Mendes acertou.

Pista: Autodromo Nelson Piquet (Jacarepaguá). Ramon Mendes acertou.

Piloto: Alan Jones. Ramon Mendes acertou.

Pista: Willow Springs. RM acertou.

Carro: ARROWS. RM acertou.

Piloto: Hiroshi Fushida. RM acertou.

Equipe: Maki Engineering. RM acertou.

Piloto: Ho-Pin Tung (acreditam que esse cara tem até um jogo próprio) . RM acertou.

Piloto: Jan Lammers. RM acertou.

Pista: Autodromo Fernanda de Pires (Estoril) . RM acertou.

Equipe: Toleman GP. RM acertou.

Carro: Toleman TG184. RM acertou.

Piloto: Jos Verstappen. Ramon Mendes acertou.

Equipe: Tyrrell. RM acertou.

Pista: Oscar Alfredo Galvez. RM acertou.

Piloto: Loris Kessel. RM acertou.

Equipe: Jolly Club of Switzerland (o carro é que era um Apollon) . Ramon Mendes errou (até que enfim) .

Pista: Autodromo Nazionale de Monza. RM acertou.

Piloto: Stephane Sarrazin. RM acertou.

Ramon Mendes detonou!

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