Na primeira parte dessa história, vimos que a equipe conseguiu superar grandes dificuldades e acabou terminando de forma animadora a temporada de estréia. Para 2007, a Super Aguri contou com uma “ajudinha” da FIA, que permitiu que a jovem equipe utilizasse os chassis da Honda do ano anterior, o RA106, que teve ótimos resultados durante a 2ª metade da temporada passada. Enquanto isso, Anthony Davidson (ex-Minardi e BAR) foi contratado para fazer companhia ao talentoso Sato.

Embora a FIA tenha permitido que a Aguri utilizasse os chassis da Honda, o novo SA07 foi reprovado durante os teste de impacto realizados pela FIA, pois o mesmo apresentou falhas na traseira. Por causa disso, houve um atraso na apresentação do carro, que acabou ocorrendo apenas 48 horas antes dos primeiros treinos livres para o GP da Austrália, GP abriria a temporada de 2007.

Durante o primeiro final de semana, a Williams e a Spyker entraram com um protesto junto a FIA para que ela olhasse o caso com mais carinho. Mas de nada adiantou. E talvez o desempenho da Aguri durante os treinos classificatórios serviriam de respaldo para tanta chiadeira, já que Sato e Davidson realizaram um trabalho surpreendente durante os treinos e classificaram os seus carros em 10º e 11º lugares no grid de largada, superando as Williams, um Renault, a Toro Rosso, a Spyker e a própria Honda. Até Felipe Massa, na Ferrari, foi superado pelos carros japoneses.

Davidson em ação durante o GP da Austrália

Já durante a corrida, os carros não foram tão surpreendentes assim. Takuma Sato acabou terminando a corrida em 12º, enquanto Davidson foi acertado por Adrian Sutil (Spyker) durante a corrida e terminou apenas da 16ª posição. Mesmo assim, o início de temporada foi bastante promissor.

Se o resultado dentro da pista foi considerado bom, fora dela as negociações davam sinais de que iam bem. Antes mesmo da corrida, a equipe havia anunciado a SS United Group Oil & Gas Company como o novo patrocinador da equipe.

Três corridas depois, no GP da Espanha, a equipe consegue o seu primeiro ponto na temporada, com Takuma Sato terminando a corrida em oitavo lugar. É claro que Sato se aproveitou dos vários abandonos que aconteceram durante a corrida, mas a introdução de um único fornecedor de pneus e o uso dos chassis da Honda fizeram muito bem a equipe.

A equipe comemora o primeiro pont conquistado na F1.

O ponto alto da equipe foi mesmo o GP do Canadá daquele ano. É bem verdade que a corrida (uma corrida pra lá de maluca!) teve vários incidentes ao longo das 70 voltas, com diversos pilotos cometendo erros infantis e Kubica sofrendo um espetacular acidente. Além disso, o safety car esteve na pista por 4 ocasiões. Mesmo assim, os pilotos da Super Aguri mostraram grande desenvoltura, com os dois pilotos chegando a andar entre os quatro primeiros lugares.

Davidson vinha muito bem em terceiro, com um forte ritmo de corrida. Mas teve que fazer uma parada nos boxes depois que atropelou uma marmota (!) e acabou terminando a corrida fora da zona de pontos.  Sato também apresentou um excelente desempenho ao longo da corrida e chegou a realizar uma ultrapassagem em cima de Alonso, que sofria com problema nos freios de sua McLaren. Entretanto, o piloto japonês teve que fazer um pit stop quando ocupava a quinta colocação e terminou a corrida em sexto. Alguns comentaristas falaram na época que o pit foi um equívoco da equipe e que o japa poderia ter terminado a corrida em quarto.  Mesmo com todos os acontecimentos, foi um grande final de semana da Super Aguri.

Takuma Sato fez grande corrida no Canadá

Na verdade, o desempenho dos seus pilotos era um reflexo do que acontecia com a equipe, que estava mais bem organizada e constantemente apresentava evoluções para o carro. Tanto que a Super Aguri já havia somado mais pontos que a equipe mãe, a Honda, naquele momento. Só que a equipe vinha enfrentando diversos problemas, o que impedia maior crescimento. O mais grave era financeiro, já que a petrolífera SS United Group, principal patrocinadora da equipe, não vinha honrando seus compromissos firmados com Aguri Suzuki.

Além dos problemas financeiros, a própria equipe Honda vinha sabotando o desenvolvimento da sua filial. A denúncia mais grave aconteceu durante do GP da Bélgica. Antes da prova em Spa, a Super Aguri havia testado uma asa dianteira que elevou o rendimento dos carros. Porém, a matriz simplesmente proibiu que a nova asa fosse utilizada pela equipe. Com a proibição, ambos os pilotos disseram que o SA07 ficou sem condições de ser guiado.

Mesmo com todos os problemas, a equipe comandada por Aguri Suzuki não fez feio durante 2007. O SA 07 se mostrou bem mais competitivo que o horroroso carro produzido pela Honda durante toda a temporada. O vexame só não foi maior porque Jenson Button conquistou um quinto lugar no penúltimo GP do ano, realizado na China.

Embora Takuma Sato tenha marcado todos os 4 pontos da equipe,  Anthony Davidson apresentou melhor desempenho nas classificações: 10×7. O problema do inglês foi mesmo o azar que, às vezes, o perseguia.

Amanhã a terceira e última parte das aventuras da Super Aguri na F1.

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