O assunto é nulo. Eu sei. Tem aquela disputa pela vaga na Williams e na HRT. Tem Adrian Sutil nos tribunais, etc e etc. Como o título fala por si só, eu vou apresentar as 11 vitórias caseiras mais legais da F1. Mas porque 11. Porque eram para ser 10, mas me lembrei de outra importante.

11- Felipe Massa, Interlagos, 2006

Quando a alegria brasileira voltou para Interlagos

Em 2006, havia aquela angustia dos torcedores brasileiros. Desde 1993 um brasileiro não ganhava num GP Brasil de F1. Tinha o Barrichello, mas o azar sempre esteve ao seu lado em Interlagos (2009 foi o cúmulo) . Felipe Massa foi lá e cravou a pole-position. O que animou muitos brasileiros, inclusive aqueles que votaram naquelas curiosas cabines de votação para ver quem ia ser campeão.

Felipe Massa honrou seu macacão tupiniquim e venceu para a alegria dos torcedores brasileiros que apareceram em Interlagos. Essa vitória botou Felipe Massa como um dos favoritos para ser campeão em 2007.

10- Stirling Moss, Aintree, 1955

Gostou de ser vice

Uma vitória suada contra um dos maiores de todos os tempos ou um presente daquele maestro que era seu companheiro de equipe?

Stirling Moss é cavalheiro demais para pedir algo assim a Fangio, mas conquistar essa vitória incrível em Aintree 55 foi perfeito para Moss.

Só que a distânica de 0,2s de um para o outro foi controversa. Ate hoje não sabemos – e talvez nunca – se a corrida foi realmente vencida por Moss ou foi Fangio que abriu a porteira para o inglês.

9- Juan Manuel Fangio, Buenos Aires, 1955

No sangue e no suor

O GP da Argentina quase sempre começava as temporadas de Fórmula 1, e Juan Manuel Fangio quase sempre vencia a corrida, mas porque o GP de 1955 foi de fato mais importante que os outros?

Com temperatura de pista na casa dos 40° e em uma época em que o limite de 2 horas de prova não era regra, as 96 voltas do GP da Argentina daquele ano foram um páreo duro. Duríssimo! Se pilotar nos dias de hoje provas “curtas”, com um carro cheio de tecnologia, já é complicado, imagine ter que trocar marchas manualmente e pilotar um carro a mais de 200 km/h sem segurança e sem direção hidráulica.

Apenas Fangio e seu colega argentino Robert Mieres completaram a distância sem entregar seu carro para outro piloto, o que era permitido na época.

Mesmo com os gases do escape quentes cauterizando sua pele, Fangio se mantinha firme e forte, enquanto seus rivais caiam fora de seus carros direto para ambulâncias com exaustão pelo calor. Fangio não arregou para vencer uma de suas vitórias mais duras na Fórmula 1.

8- Jim Clark, Aintree, 1962- Silverstone, 1963- Brands Hatch, 1964 e Silverstone, 1965

Gostou de vencer

Jim Clark era uma máquina. E ninguém vencia mais do que ele no início da década de 60. Nos GP dentro de casa então… imbatível.

Nos Grandes Prêmios de 62, 63, 64 e 65, disputados em Aintree, Silverstone, Brands Hatch e Silverstone, respectivamente, Clark liderou 314 das 317 voltas, deixando somente um restinho de três voltas para Jack Brabham, que liderou as três primeiras voltas da corrida de 62. Uma máquina de liderar as provas de casa.

7- José Carlos Pace, Interlagos, 1975

A primeira dobradinha brasileira

Em meados da década de 70 os brasileiros tinham muito que comemorar com a Fórmula 1. Emerson Fittipaldi recém conquistara dois títulos e o jovem José Carlos Pace, o Moco, vinha fazendo bonito a bordo de uma Brabham, angariando vários pontos e brigando pelas vitórias. Além disso, a partir de 75, o país tinha uma equipe na Fórmula 1. O futuro era promissor.

O vencedor dos dois GP’s anteriores, Emerson Fittipaldi, largava na primeira fila, mas quem saia na pole e surpreendia a todos era Jean-Pierre Jarier da Shadow. O francês do carro negro como uma sombra manteve a liderança por todos as voltas. Bem, por quase todas, pois a oito voltas do fim seu motor sucumbiu deixando a vitória cair no colo do brasileiro… José Carlos Pace.

Após abrir certa vantagem para Fittipaldi, Moco foi tranquilo para sua primeira e última vitória na carreira, pois pouco tempo depois viria a falecer em um acidente de avião. Emerson conseguiu segurar a segunda posição e junto com Pace cravou a primeira dobradinha brasileira da história da Fórmula 1.

6- Gilles Villeneuve, Circuit Île Notre-Dame (ou atualmente, Circuit Gilles Villeneuve) , 1978

Tudo novo para todos

A Fórmula 1 chegava a Montreal pela primeira vez, e Gilles Villeneuve correria em casa também pela primeira vez com chances de vitória. Era tudo muito novo para todos, ainda mais para o próprio Villeneuve, já que ele também buscava sua primeira vitória na categoria.

A temperatura estava mais fria que normalmente se vê em um GP, mas amena quando se fala de Montreal. E tudo isso se encaixou perfeitamente para que Villeneuve vencesse sua primeira.

Mas nem tudo foi fácil como se pareceu. Villeneuve teve a sorte de contar novamente com o azar de Jean Pierre-Jarier, que assim como no GP Brasil de 75, perdeu uma corrida praticamente ganha com sua Lotus.

Melhor para os 72 mil espectadores que vieram para a Île-Notre Dame ver de perto o GP que marcaria esta importante vitória.

5- Alain Prost, Dijon-Prenois, 1981

Primeira vitória de sua carreira veio em grande estilo

Vencer pela primeira vez na categoria já é um tremendo feito a ser comemorado por dias. E vencer esta corrida dentro de casa deve ter sido ainda mais especial para Alain Prost.

Em 1981, Dijon-Prenois recebia o Grande Prêmio da França, mas uma chuva torrencial fez com que a corrida fosse interrompida e recontinuada durante a estiagem. Naquele momento, já com 59 voltas de prova, Piquet tinha uma vantagem de sete segundos para Prost.

A chuva parou e a pista secou. Na segunda largada, Piquet caiu para o meio do grid com problemas de embreagem enquanto Prost a bordo de sua Renault Turbo abria vantagem suficiente para ser coroado com os louros da vitória pela primeira vez.

E o professor adorou essa ideia de vencer em casa. Depois de 1981, venceu em 1983, 1988, 1989, 1990 e 1993. Ninguém venceu mais vezes em casa do que ele.

4- Nigel Mansell, Silverstone, 1987

Com direito a uma ultrapassagem fenomenal em Nelson Piquet

Na velocíssima Silverstone do final da década de 80, ter um motor que despejasse “milhões” de cavalos sobre as rodas do carro era meio caminho andando para se fazer uma boa prova. E a Williams de época, com seu potente motor V6 Honda Turbo era ideal para vencer.

Ninguém se assustou quando a dupla da equipe pegou a primeira fila nos treinos classificatórios, mas certamente ficaram assustados quando Alain Prost, partindo da quarta colocação, deu o pulo do gato e pegou a ponta.

Só que nada poderia parar o ímpeto das Williams. Nem um pneu que forçou Nigel Mansell a fazer uma troca não programada de pneus quando estava em segundo e na caça de Nelson Piquet. Mas foi depois da saída de troca de pneus (que nesta época não chegava nem próximo dos três segundos de hoje) que Mansell fez jus ao seu apelido de Leão.

Como uma flecha, foi descontando mais de um segundo por volta para Piquet, quebrado recordes em cima de recordes do traçado inglês até que, a duas voltas do fim, colou no brasileiro.

Se Galvão Bueno já dizia o bordão “chegar é uma coisa, passar é outra”, com Mansell isso não pode ser aplicado. Fazendo uma manobra de gênio, deu uma sambada atrás de Piquet, fingiu que ia por fora, mas embicou sua Williams Red Five por dentro e cravou uma das ultrapassagens mais belas da história da Fórmula 1.

Após disso, foi só comemorar junto com a torcida inglesa, que quebrou o “decoro” e invadiu a pista para enaltecer o feito de Mansell.

3- Ayrton Senna, Interlagos, 1991

Esbugalhando sua embreagem nas voltas finais

Vencer o Grande Prêmio do Brasil sempre foi meta para Ayrton Senna. Mas desde 1984 disputando o mundial, Ayrton nunca conseguiu realizar tal feito. Ele disputou seis edições no Rio de Janeiro sem conseguir a vitória, mas a partir de 1990, com uma Interlagos modificada a pitacos do próprio piloto, São Paulo voltaria a sediar a prova, e quem sabe isso não traria mais sorte a ele.

E foi mais ou menos o que aconteceu. Logo na segunda edição da prova de retorno às terras paulistas, Senna conseguiu realizar o tão almejado sonho. Mas engana-se quem acha que foi fácil. O que Ayrton teve que fazer naquelas últimas voltas em Interlagos foi coisa de um piloto realmente de outro nível.

Do meio da corrida para o final, Ayrton estava com sérios problemas para colocar a quarta marcha. Ela não entrava, e quando entrava, era cuspida para fora de uma hora para outra. E com o passar das voltas, ela não entrava mais, e assim foi com a segunda, com a terceira, com a quinta… até que só restou para Ayrton a sexta marcha. A cinco voltas do fim Senna só teria essa longa marcha para realizar seu feito.

Como o próprio disse após a prova, usar uma marcha tão longa tinha dois problemas. O primeiro é que o carro não tinha força nas saídas de curva, para tentar minimizar o problema, Senna dava “clutch kicks“, desgastando o sistema de embreagem para elevar um pouco o giro do motor Honda.

O outro problema era que, na freadas, o motor empurrava o carro para fora, então, para contornar as curvas, Senna precisava segurar o carro literalmente no braço.

E para piorar ainda mais, uma chuva começou a cair a duas voltas do fim, mas nada poderia segurar Ayrton naquele dia. Ele cruzou a linha de chegada e praticamente desfaleceu. Com espasmos musculares pelo corpo todo em virtude do esforço excessivo, não conseguia sequer levantar o troféu após a conquista. Feito heroico que coroava e perpetuava ainda mais ele nos corações de todos os brasileiros.

2- Lewis Hamilton, Silverstone, 2008

Pilotagem de campeão

A Inglaterra não tinha um piloto de expressão desde Damon Hill, mas com a chegada de Lewis Hamilton à Fórmula 1 tudo mudou. Em seu primeiro ano na categoria já mostrou a que veio, mas foi no ano seguinte que ele comprovou todo o seu talento.

Correndo em casa pela segunda vez na carreira, vinha de uma fase difícil. Batidas e punições o atormentavam, e uma má posição de largada logo em seu GP caseiro não estava em seu plano ideal, ainda mais quando Northamptonshire amanheceu com chuva. Parecia que o fim de semana não seria seu.

Mas foi um ledo engano. Logo na largada já pulava de quarto para segundo, batendo rodas na primeira curva com o companheiro Heikki Kovalainen. Na volta quatro o ultrapassou e abriu vantagem na molhada Silverstone.

Só que a pista foi secando e Kimi Raikkonen encostando. Na volta 21 ambos entraram nos pits juntos, mas a chuva, neste momento, voltou a apertar. A Ferrari, tentando apostar alto, foi com pneus slicks enquanto a McLaren preferiu manter os intermediários, que logo se mostraram a opção correta, pois Raikkonen logo de cara virava um segundo mais lento que Hamilton.

Mas mesmo quem estava com pneus de chuva não conseguia segurar o ímpeto de Lewis, que em determinada parte da prova virava absurdos três segundos mais rápido que todos, terminando a prova com extrema vantagem de 1m08s de frente. Fantástico!

1- Felipe Massa, Interlagos, 2008

Era difícil. Era complicado. E porque não, para mim naquele fim de semana, achava impossível! Mas torcia, claro, pois queria ver um brasileiro campeão do mundo novamente.

Com Massa largando na pole e com Hamilton largando em quarto, comecei a ter um pouco mais de esperança no impossível. Naquele esquema: vai que… vai que chove né?

Mas não precisava ser o dilúvio que atrasou a largada da prova. Era água que saía por todos os ladrões. Pintava ali uma chance.

E Hamilton, cometendo suas corriqueiras trapalhadas e se embananando no meio do grid, hora sendo campeão (chegando entre os cinco primeiros se Massa vencesse), hora perdendo o título. Foi emocionante demais.

E assim foi Massa liderando sempre e Hamilton brigando no meio. E para dar a emoção final, a famosa chuva de Interlagos veio para complicar a vida dos gregos e troianos. Parar para trocar pneus ou não? Massa não podia arriscar. E muito menos Hamilton. Mas Glock podia.

Emoção ainda maior quando um jovem piloto da Toro Rosso dava aquele passão em Hamilton nas voltas finais, deixando o inglês em sexto e dando o título nas mãos de Massa. Um jovem alemão que seria bicampeão do mundo anos depois… esqueci o nome do rapaz.

Mas que arriscou nos pneus de seco no fim se deu mal (para o público brasileiro) já que não se aguentavam na pista. E o que o diga Glock, que não segurou a investida de Hamilton na última curva e perdeu a quinta colocação, dando o título nas mãos do inglês por incríveis um ponto. Final épico. O melhor de todos os tempos de uma temporada.

Toda vez que eu me lembro desse GP, sinto uma vontade de gritar MEEEEEEEEEERDA!!! Eu, na época com 8 anos, não tinha capacidade de acreditar que aquilo tinha acontecido.

 

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