Para que classificação quando se tem bons amigos?

A história de hoje remete ao início da equipe. Em 1977, a ATS não corria com seus próprios chassis, mas sim com os PC4 de Roger Penske. Logo na estréia da equipe na F1, Jean-Pierre Jarier chega em sexto no GP dos Estados Unidos, marcando o primeiro ponto da equipe.

O dono da ATS, Günther Schmidt, se animando com a situação, arma uma novidade para o GP caseiro da ATS. Jarier, que corria sozinho na equipe, ganha um companheiro para disputar o GP da Alemanha em Hockenheim. O convocado é o experiente piloto de turismo, Hans Heyer.

O problema de Heyer, é que ele não estava acostumado a correr com este tipo de carro. Hans havia feito somente uma corrida de monopostos na vida (F2 em 76). Apesar de conhecer muito bem o traçado, este tipo de máquina não ‘era a sua praia’, e seus tempos de volta claramente mostravam isso. Heyer ficou a 5 segundos e meio do poleman sensação do ano, Jody Scheckter, e não se classificou para o GP.

Sem a classificação, Heyer podia normalmente ir para casa e assistir ao GP de seu sofá, só que ele não fez isso. Em uma história que beira ao absurdo, Heyer, com auxílio de alguns ‘camaradas’ seus, fica na espreita, dentro do boxe da ATS, antes da corrida começar. Ele já tinha um plano na cabeça e estava louco para executá-lo.

 Nos boxes da equipe matutando algo perverso

 A largada foi dada e um acidente na 1ª curva entre Alan Jones e Clay Regazzoni chama a atenção de todos os olhares. Momento perfeito para a ATS nº 35 entrar em ação. Sorrateiramente Heyer sai dos boxes e chega na pista. Pronto, sua maluquice estava feita.

Hans sai acelerando pela floresta alemã, e quando chega na área do estádio, os torcedores ficam incrédulos com o que vêem. Um alemão, pilotando por uma equipe alemã, disputando o GP da Alemanha, sem estar classificado. Essa loucura realmente existiu.

 O perverso fantasma sorrateiro!

 Parece que os comissários não viam algo de errado na pista, ou faziam vista grossa para o fato, pois, enquanto Heyer ganhava posições na corrida, ele sequer recebeu alguma advertência dos fiscais de pista. Só que a ousadia de deste maluco não durou muito tempo. Na volta 9, com problemas no câmbio do PC4, Heyer abandona a prova, e só então é desqualificado da corrida!

Depois deste ‘showzinho particular‘, Heyer nunca mais pilotou um F1 na vida. Para os GPs seguintes a ATS contrata os serviços de Hans Binder para o lugar de Heyer, que depois disso, se dedicou exclusivamente ao que mais gostava: correr de carros de tursimo.

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