Slim Borgudd e sua ATS patrocinada pelo grupo ABBA

Essa ATS já teve de tudo mesmo, hoje irei lhes contar do baterista que virou piloto. A vida musical de Thomas Borgudd era com a banda Lea Riders Group, onde era o baterista. Por causa de sua grande amizade com Björn Ulvaeus, um dos integrantes do grupo ABBA, Borgudd era convidado para gravar algumas músicas em estúdio com a banda.

Seu apelido Slim, veio por pura coincidência. Em uma noite de shows em Nova Orleans em 1964, Willie Dixon, Memphis Slim e um baixista local, iriam tocar em uma casa de shows local, no intervalo do show, a banda retorna com seu baterista (Memphis) com um problema no punho, e impossibilitado de tocar, o show iria acabar por ali mesmo se não fosse um colega de Borgudd gritar: – Ei, nós temos o melhor baterista do mundo bem aqui!

Na subida ao palco, os integrantes da banda o apelidaram de Little Slim, mas com o tempo o Little foi desaparecendo, mas o Slim continuava como uma forte marca sua, a ponto de Borgudd ter que, praticamente, adotar o Slim como nome oficial, pois quase todos os documentos enviados a ele vinham com a denominação Slim antes de seu nome.

No automobilismo Borgudd teve uma carreira mais do que eclética. Pilotou por várias categorias nórdicas e européias. Seus principais títulos antes da F1 foram o do Campeonato escandinavo de Formula Ford 1600 e a Formula 3 sueca.

Thomas ‘Slim’ Borgudd acelerando em Hockenheim

Mesmo sendo um craque, tanto na musica, quanto no automobilismo, competir na F1 não era só questão de talento, o dinheiro dos patrocínios era essencial. A ATS estava interessado em ter Borgudd como piloto, e ele, junto com o ‘marqueteiro’ Tommy Lindh foram atrás de alguns patrocinadores. Tudo estava certo para a American Reynolds Tobacco Company patrocinar a ATS com sua marca de cigarros Camel, mas num último instante, a empresa recuou, deixando Borgudd a ver navios.

Foi ai que seu amigo pessoal entrou em cena, Björn Ulvaeus propôs patrocinar a ATS de Borgudd e dar a ele o impulso e divulgação suficiente para ele arranjar novos patrocínios. Borgudd estreou no GP de San Marino de 81 com patrocínio do grupo ABBA estampado no carro. Essa seria uma grande marca sua.

Björn Ulvaeus e Slim Borgudd, velhos e grandes amigos

Em sua 1ª corrida de F1, já colocou seu companheiro de equipe ‘no saco’. Lammers nem consegue a classificação enquanto Borgudd completa toda a prova. A partir daí e durante toda a temporada, Borgudd fica como o único piloto da ATS na F1.

Quando o circo de 81 chega a Silverstone, Slim consegue um fato raro na equipe, ele marca 1 ponto no GP da Grã-Bretanha. Borgudd comemorou muito o que seria seu único ponto na F1 e também o 1º da Avon (marca de pneus). No Canadá ele consegue a 13ª volta mais rápida da prova. Ao final do ano, Ken Tyrrell notou todo o seu talento e o contratou para correr na Tyrrell em 82.

 

Acelerando fundo no Canadá

Neste ano, Borgudd corre apenas os 3 primeiros GP’s da temporada ( no Brasil) antes de ser demitido da Tyrrell. Em seu lugar entra o britânico Brian Henton, que não fez nada além do que Borgudd podia fazer.

Com o passar dos anos, Borgudd foi pilotando em uma série de campeonatos mundo a fora, participou de diversas categorias variando entre monopostos, carros de turismo e até caminhões. Conquistou alguns títulos, mas é sempre lembrado como o integrante do ABBA na F1, apesar deste rótulo ser um pouco errôneo.

Borgudd mostra o volante para Björn no GP da Alemanha

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