Dan Gurney testando a ATS para uma revista alemã em 1980.

Ontem estava com preguiça e com um sono do cacete, então eu fiz um breve resumo do raro teste de Dan Gurney num ATS em Hockenheim em 1980. Então eu encerro essa novela da ATS com uma descrição completa de como foi o teste de Dan Gurney e a única vitória da Porsche utilizada no mesmo teste de Gurney.

O furioso barril de gasolina é pintado de prata, tem uma cobertura de alumínio e corre com algum esforço a 250km/h. E os homens que nele se sentam devem ser simplesmente heróis: cintos de segurança foram declarados inúteis, barra anti-rolagem instaladas apenas para tranquilizar a consciência.

Dan Gurney acelerando com seu Porsche em Rouen-les Essarts 1962.

Todo homem forte sabia que as barras de ferro a que se chamavam barras anti-rolagem podiam ser dobradas por mãos [puxando] em direções arbitrárias. Sentava-se também sobre o tanque, o reservatório de gasolina era moldado como um assento.

Para conferir mais explosividade ao foguete prateado, instalavam-se à direita e à esquerda no nariz do carro mais dois tanques de combustível – o lugar que é o primeiro ponto de uma batida em corrida. E com essas potenciais bombas sobre rodas se disputavam – e ganhavam – corridas de Fórmula 1.

O perigoso carro de competição era bom o suficiente para a Porsche, que por enquanto tem apenas uma vitória na honrosa vitória da casa durante o seu amaciamento, em 1962, no Grande Prêmio da França.

Neste meio tempo, 20 anos se passaram desde a estréia da Porsche e nisso, outra equipe alemã surgiu, a amarela ATS, com o suíço Marc Surer ao volante. Na ocasião, a equipe tenta acabar com a hegemonia dos franceses, ingleses e italianos.

O distante ano de 1962 ficou no passado, Dan Gurney não ganhou mais nada no ano e terminou o mundial de pilotos em quinto. Um resultado que, para a ATS seria um sonho, mas que é possível, naturalmente.

Em 1962, Gurney foi mais rápido que seus adversários e com um tempo de 8:15 fez a pole em Nürburgring Nordschleife. Hoje, um F1 fecha na casa de 6:20! Entretanto, o GP da Alemanha não é mais disputado em Nordschleife. Ele é disputado em rodízio entre Hockenheimring e o atual Nürburgring Sudschleife por motivos de segurança.

Dan Gurney nos boxes no fim de semana de sua 1ª vitória na F1.

Um bom exemplo da força dos F1 de 1980: Surer foi no GP da Holanda de 1980, apenas 2 segundos mais lento que o pole position, a Renault Turbo de Rene Arnoux, e mesmo assim ficou entre os quinze últimos colocados (ficou em vigésimo em um total de vinte e quatro pilotos da grelha).

Outra diferença está nos custos. Um motor 8 cilindros de 1,5 litros custa aproximadamente à mesma coisa que um motor 3 litros V8 fabricado pela Cosworth: uns 80000 Marcos. Isso porque o dinheiro não valia tanto como na década de 80. Para se ter uma idéia, com essa mesma quantia, se compraria uma casa no campo.

Com bastante dinheiro, certamente os engenheiros da Porsche fariam um carro espetacular. Mesmo assim, várias peças do carro foram feitas em titânio. Duas válvulas por cilindros fazem o motor chegar a 10000 rpm/min. Para um desempenho assim, os “arquitetos” do Porsche tinham uma dica: ”produzir mais potência em pouco tempo”

A equipe utilizada pela Porsche naquele tempo é semelhante(em quantidade) ao que a ATS utilizava em 1980: Em 1962, 21 homens preparavam o carro prateado. Com a ATS não era muito diferente, 24 funcionários.

A maior diferença entre o projeto de 62 e o de 80 é mesmo financeira. Do começo da fabricação do carro(1959) até o final da temporada de 1962, a equipe gastou 3 milhões de Marcos. A ATS mantém os valores em sigilo, mas estima-se que só para fabricar o carro, a equipe gastou de 3 a 4 milhões de Marcos.

O carro mudou, logicamente, mas a mudança mais significativa diz respeito à segurança. Tempos atrás o piloto ficava desprotegido, praticamente fora do carro. Em 1980, o piloto ficava mais protegido com relação a 1962.

Este dia na França também ficou marcado na história da Porsche. 1ª e única vitória na categoria com seu próprio carro.

Os carros ficaram mais seguros, ficamos mais protegidos dentro do cockpit” disse Gurney. A opinião de Dan certamente não engana. O americano já sentiu isso na pele, quando sofreu um sério acidente de stock car.

A Porsche construiu quatro carros para a temporada de 1962. Hoje existem apenas três (sabe se lá o que aconteceu com o outro) . Dois estão na fábrica da fabricante, em Stuttgart. Um americano colecionador de carros comprou o outro.

Em 1980, a ATS colocou cinco carros para rodar e certamente eles não sobreviveram para poder contar história hoje em dia. A não ser que algum colecionador tenha comprado o F1 ou que ele tenha apareçido por aí andando na antiga Formula Aurora.

A vitória da Porsche na França foi uma demonstração para o mundo e impulsionou o crescimento da fábrica de Stuttgart. Em contrapartida, a ATS não fez nada no campeonato de 1980 a não ser o sétimo em Interlagos.

O alegre chefe de equipe Günther Schmid diz: “Em quatro anos, estivemos sempre ativos na F1. Nós só mostramos 55% da nossa força (pobrezinho, não sabia o que ia acontecer depois) .”

O projeto da Porsche não foi só para fazer propaganda. O ex-piloto Herbert Lunge diz que a Porsche já almejava o sucesso nas grandes categorias do automobilismo desde 1949. Neste meio tempo, eles se focaram em fazer um novo projeto. Trocaram o antigo motor de 4 cilindros de F2 por um potente 8 cilindros, modificando também todo o chassi.

O promissor projeto passou por testes em Zandvoort e Nürburgring e fracassou. Mas os erros foram corrigidos e o carro andou muito bem em 1962, mas foi só. Um grande futuro era visto nos próximos anos para os carros e pilotos alemães, até se pensavam em vitórias. E que a missão da Porsche de lucros no futuro do automobilismo.

E assim se encerra a novelada ATS na F1. Amanhã será iniciado a segunda edição da Novela das 7. Para comemorar os 20 anos da equipe mais bagunçada da história da F1: orgulhosamente anuncio que a equipe escolhida para “historietar” na malvada Novela das 7 é a Andrea Moda!

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