Alez Caffi treinando em Kyalami com sua Coloni-Moda C4

Depois de vocês se deliciarem com as maluquices da equipe ATS, vamos ver um pouco das bizarrices da equipe Andrea Moda. E também, neste mês de fevereiro é “comemorado” os 20 anos da própria. Vamos direto para a história.

Tudo parecia uma brincadeira quando o Sr. Enzo Coloni vendia sua equipe para um “desconhecido” do ramo da moda italiana. Um sujeito bem peculiar e sem a cara da F1, mas o excêntrico Andrea Sassetti parecia não ligar para isso.

Designer do ramo de sapatos na Itália, Andrea pagou 8 milhões de Libras para Enzo, e recebeu em troca uma equipe de F1 e 3 chassis Coloni C4. Nada que enchesse os olhos de ninguém, pois a Coloni era mestre em sequer se pré-classificar para os GP’s.

Bernie e Andrea. O preto clássico sempre acompanhava Sasseti.

Numa conversa com os donos da Dallara, Andrea resolveu trocar os antiquados e antigos motores Ford DFR pelos impotentes Dallara Judd GV (gato por lebre, diga-se de passagem). O carro estava montado: Um C4 com um Judd V10, e agora? Vamos correr?

Pois bem, a primeira aparição da equipe foi ainda em 1991 no Bolonha Motor Show, um evento dentro de um “parque fechado” em que se corriam durante uma pista super estreita com carros de F1. O piloto era o fraco italiano Antonio Tamburini. A participação da Moda só não foi horrorosa pois ela passou para a segunda rodada do torneio quando Gianni Morbidelli a bordo de uma Minardi, bateu e abandonou (só podia ser desse jeito mesmo) .

Antonio Tamburini foi 1º a andar. Aqui em ação no Bolonha Motor Show de 91.

Para a temporada de 1992, Sassetti desiste de Tamburini e contrata outros dois italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia. Caffi, que esteve fora de alguns GP’s da temporada passada por uma quebra de maxilar, quase nunca alinhava sua Footwork para o grid. Bertaggia também nada fez quando pilotou para Enzo em 89. Detêm um bom aproveitamento de não pré-classificação, nada mais nada menos que 100%.

A segunda aparição da equipe é mais “normal”. Ela foi com seus carros negros para o GP da África do Sul de 1992. Kyalami iria retornar a categoria após 6 anos, e voltava com modificações no traçado. A FISA abriu uma exceção e liberou a 5ª feira para as equipes treinarem.

Essa Coloni negra era de 15 a 20 segundos mais lentos que todos os outros carros.

A Moda foi à pista com Alex Caffi nesta quinta, mas logo depois de algumas voltas a equipe foi impedida de continuar. A FISA cobrara uma inscrição para novas equipes de 100 mil dólares que Sassetti não fez, e nem queria fazer, pois ele alegava que a Moda não era um novo time, e blá-blá-blá.

Claro que a FIA não engoliu esta desculpa e não permitiu a entrada mais na pista dos carros da Moda. Injuriado Sassetti pagou a devida conta (!) e disse que depois de um investimento desses, não valeria usar os velhos e ultrapassados Coloni.

Carro de Enrico Bertaggia em Kyalami. Ele sequer andou no carro…

Andrea entrou em contato com Nick Wirth, da Simtek design company. Nick já tinha um projeto de F1 no passado, ele tinha sido encarregado de fazer um carro para a possível entrada da BMW na F1. Wirth fez somente alguns ajustes e em tempo recorde nasceu um dos piores carros da história da Formula 1: o Andrea Moda S921.

Sassetti deu um ‘chute na bunda’ de seus dois pilotos (que até agradeceram) e contratou o mais do que rodado Roberto Moreno e o ‘backmaker’ Perry McCarthy. O time chegou a desembarcar no México, mas sequer montou os carros. Após, a equipe veio para o Brasil, mas essa já é outra história. Não percam a seqüência de trapalhadas e bizarrices que estão por vir… como essa abaixo:

Uma caricatura de Andrea Sasseti.

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