Em meados de 2010, quando a Indy estava fazendo seu concurso sobre qual seria o carro para a temporada de 2012. Teve uns carros legais, mas o que impressionou mais foi o projeto conhecido como Delta Wing, ou asa delta no bom português. O Delta Wing foi chamado pela mídia de caça, de avião, de tudo quanto é nome ligado a Aeronáutica e ao Recruta Zero.

Na verdade, descobri esse Delta Wing na metade de 2011, por meio de um post no ótimo Bandeira Verde. Vi aquelas linhas agressivas e o carro de fato lembrava mesmo um caça. Mas lembrava também velocidade. O Delta Wing lembra um caça, e caça lembra velocidade. Então faz sentido.

Me dava pena de terem escolhido aqueles Dallara bigode cheio de frescuras e coisa e tal. Seria divertido ver fichinhas como Dario Franchitti e Ryan Hunter-Reay pilotando caças num oval como Indianapolis. Eu e meu gritinho de menina vibrariam num dos chamados “Big Ones” .

Durante algum tempo, nínguem tocou mais no assunto “Delta Wing” . Mas uns caras da Nissan resolveram dar uma espertos. Ela resolveu ressuscitar a brincadeira da Delta Wing e anunciaram que o ambicioso Delta Wing iria correr em algumas etapas da Le Mans Series. Aquela categoria que corre 12, 20, 24 horas em circuitos como Sebring, Spa, Le Mans Sarthe e Daytona. Muito louco. Imagina os Delta Wing rasgando a reta Mulsanne ou cruzando a Eau Rouge, quem sabe até lutando pela liderança. Mas se precisava fazer alterações, aquela frescurada toda. O resultado foi a da foto apresentada acima.

Felizmente, as alterações não tiraram a beleza que admiro tanto. Mas ainda faltava uma coisa. Quem seria doido o suficiente para pilotar um carro que mais se parece um caça ?

Eis que surge das catacumbas Marino Franchitti que tem parentesco com dois pilotos famosos do mundo automobilístico. Obviamente, ele é irmão do tetracampeão da Indy e que já fez um teste num F1, Dario Franchitti. E é primo de Paul di Resta, atual primeiro piloto da Force India e campeão da DTM. Ironicamente, ao contrário de seus dois parentes famosos, poucos já tinham ouvido seu nome. E também nunca havia se dado bem aonde corria. Seu melhor resultado nas 24 Horas de Le Mans foi um mísero vigésimo quinto colocado em 2010. Era de vez, o patinho feio da família.

Outro que também criou coragem foi o alemão Michael Krumm. Krumm fez sua carreira basicamente no Japão. Passou anos e anos lá sem sucesso algum. Mas Krumm pode se gabar de alguma coisa, ao contráro de seu companheiro submarino (me desculpem pelo péssimo trocadilho) . Foi campeão ano passado da GT1 World Championship vencendo 3 etapas de um monte.

Michael Krumm vencendo no Algarve na GT1 2011, ele vai pilotar o Delta Wing em 2012

Para honrar o título, tenho que dizer o que espero do Delta Wing em 2012. O ano de 2012 poderá servir de aprendizado, isso se eles resolverem correr em 2013. Marino Franchitti não é o melhor dos pilotos. Talvez nem seja um bom piloto (Papa e Mama Franchitti trabalharam melhor no Dario) . E Michael Krumm pode surpreender. Só vamos saber melhor sobre o Delta Wing nas 12 Horas de Sebring em Sebring (!) .

PS: o desafio que mandei no domingo. Dos 4 que palpitaram, 3 acertaram. Os que acertaram foram os leitores Gabriel, Paulinho Buffara Farah e Paulo Alexandre Teixeira (ou Speeder76 para os íntimos) . O circuito é Donington Park em 1993. Apenas o leitor Ramon Mendes não acertou, mas ao menos tentou, e isso que importa.

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