Pessoal ajeitando o carro de De Cesaris.

Como eu falei no post passado, o Rial ARC-01 era uma bomba. Era rápido. Mas sofria para durar a corrida inteira. De Cesaris cruzou a linha de chagada apenas 3 das 16 corridas na temporada de 1988. Em Detroit, na França e na Alemanha. O Canadá foi uma prova de como o pequeno tanque de combustível era um problema. De Cesaris estava em sexto brigando com Phillippe Streiff pela quinta posição.

Até que a suspensão da AGS de Streiff se arrebenta e ele acaba por abandonar. De Cesaris está em quinto. Faltava 3 voltas para o final quando o tanque ficou sem combustível. De Cesaris não acredita e provavelmente deve ter pensado: “de novo” . Depois deve ter xingado o carro com um palavrão em italiano para que seus chefes alemães e não-poliglotas não reclamassem. E foi assim que Jonathan Palmer marcou mais um ponto. Mas deixa esse negócio de corridas em que De Cesaris abandonou. Hoje eu vou falar das 3 únicas corridas em que a Rial sobreviveu até o final.

O negócio agora era pensar em Detroit. Detroit era um circuito de rua, lento, travado e propício a acidentes. Iriam ser 63 voltas numa pista de exatos 4 quilometros, ou seja, era só conseguir uma boa posição no grid que o tanque ia aguentar as 63 voltas na ensolarada Detroit.

Detroit 1988. Palco de um milagre do De Crasheris

E lá foi De Cesaris para a Q1 da classificação. Alguns pilotos da época sempre deixavam sua melhor volta para a Q2 quando a pista está mais rápida e mais emborrachada. E foi isso que De Cesaris fez. Ele marca 1.45.866. O vigésimo tempo. Tempo 5 segundos mais lento que o do primeiro da Q1, Ayrton Senna. Mas não fazia mal. Como eu acabei de falar, a pista estaria melhor na Q2.

E lá vai De Cesaris para a Q2 da classificação. De cara, ele marca 1.44.216. O nono tempo. No geral, ele ia largar em décimo segundo. A melhor classificação dele em 1988.

Na corrida, era ele contra o tanque de combustível. Uma batalha feroz. Que De Cesaris venceu. O carro sobreviveu as 63 voltas em Detroit. E ele cruzou em quarto (!). Ele ainda batalhou por algumas voltas com Thierry Boutsen pela terceira posição (mentira). De Cesaris marcou os tão esperados primeiros pontos da equipe. 1 volta atrás.

Largada de Detroit/1988. Onde De Cesaris marcou seus primeiros pontos

Depois do milagre de De Cesaris, a equipe voltou ao normal. Veio a etapa de Paul Ricard, na França. De Cesaris largou em décimo segundo (de novo). Na corrida, ele terminou em décimo, 2 voltas atrás. A frente apenas de carros mais fracos como a EuroBrun de Stefano Modena, Lola de Yannick Dalmas e a Dallara de Alex Caffi.

Na Alemanha, De Cesaris larga em décimo quarto e terminou em décimo terceiro. Novamente, na frente apenas de carros mais fracos como a EuroBrun de Oscar Larrauri, a ZakSpeed de Piercarlo Ghinzani e a Dallara de Alex Caffi. A corrida foi tão ruim para De Cesaris que ele chegou quase uma volta atrás da horrenda ZakSpeed de Bernd Schneider.

Em 1988, a Rial Racing marcou 3 pontos. Terminou 5 corridas oficialmente, mas em apenas 3 delas, ele cruzou a quadriculada. Nas outras duas, ele completou apenas 90% da corrida e por isso foi classificado oficialmente que não abandonou a corrida. E essa foi a temporada de 1988 para a Rial Racing. Nos próximos capítulos, contarei como foi a temporada de 1989 para a Rial.

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