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A Andrea Moda tentando se recuperar lá pelos bandos norte-americanos. Na CART. Andrea Sassetti patrocinava a Euromotosport-AGIP. A equipe que aparece nas fotos.

É engraçada a primeira foto. Parece que o David Kudrave pensou: “Fala sério, abandonando de novo…”

O resto são fotos do começo da transmissão do GP de Michigan de 1993 da CART, onde aparece o grid da corrida. Logo se vê a notável diferença de velocidades de David Kudrave contra Jeff Wood. 215 contra 207.

Pedro de la Rosa na China em 2012. Reparem que está com pneus intermediários, mas a pista está seca (!) . Não lembra um certo Perry McCarthy numa certa Andrea Moda.

No Facebook, Marcelo Necro. É isso aí, criei um Facebook.

Moreno com seu pretinho básico na Alemanha.

Chegamos hoje ao temido fim da Andrea Moda Formula na F-1. A equipe que fez de tudo na categoria, TUDO, menos competir. Hoje iremos da Alemanha até a Bélgica. Da falta de presença de McCarthy, passando pela birra de Sassetti, indo até a “Eau Rouge da Morte” para o inglês.

Na Alemanha, outro fato impensável da Andrea (bizarro, como diria eu). Perry McCarthy de novo ficou jogando Super Nintendo nos boxes da Moda (ou seria Atari ainda?). Novamente não participou do GP, pois foi desclassificado! Ele incrivelmente perdeu a pesagem oficial e ficou de fora da lista de entrada (!!). Chegou a dar umas voltas, mas não valeram.

Moreno, por mais que cravasse o pé nas retas do circuito, não conseguia passar Chiesa. Desta vez foi quase, pois ele ficou a somente alguns décimos atrás, demonstrando mais uma vez como Moreno extraia tudo do carro.

Regione Marche foi a única coisa que apareceu estampado nos carros sem contar esse ANDREA MODA na lateral do carro.

Na Hungria, a Moda tinha de volta um patrocínio. Qualquer “tia” que lhes oferecesse um prato de comida tinha seu nome estampado em letras garrafais na cobertura do motor. O patrocínio da vez era das indústrias da Regione Marche, uma junção de empresas italianas tentando salvar a Moda, ou não.

Mas o que mais animava a equipe era a falta de um piloto no grid. Andrea Chiesa saía da Fondmetal, e van de Poele, oriundo da Brabham o substitui. Só que na Brabham, ninguém tomou o lugar do belga. Ou seja, com um carro a menos no grid, ao menos um carro da Moda iria para a classificação no sábado, alguém tem dúvidas de quem?

McCarthy acelerando na Bélgica. Já não era sem tempo!

Sassetti ainda estava muito aborrecido com a FISA, que não lhe autorizou a trocar Bertaggia por McCarthy, e com isso perdera um bom dinheiro. Em forma de represália, sempre atrapalhava a vida de McCarthy. Na Hungria, chegou a fazer algo de extrema maldade com ele.

Moreno, como já tinha sido dito, é quem iria para a classificação no sábado, mas nem por isso deixaram o inglês treinar. De maldade, só liberou McCarthy para andar faltando 45 segundos para o treino terminar! Claro que ‘Péurrri’ só conseguiu dar a volta de aquecimento, e foi obrigado a voltar para os boxes.

Sassetti desolado e Moreno dando tudo de si.

Tirando leite de pedra, Moreno “voa” no travado circuito de Hungaroring. O traçado que mais parecia um circuito de rua, favorecia carros mais lentos, como o da Moda. Pupo ficou a pouco mais de 6 segundos do pole Patrese.

Por causa de sucessíveis “malcriações” com McCarthy, a FISA deu um ultimato à Andrea Moda, ou vocês dão um tratamento igual à McCarthy, ou tiramos vocês do campeonato.

Em Spa, a Moda fez o que não tinha feito durante todo o ano: Participou com ambos os carros do treino oficial de sábado. Não, não foi porque McCarthy virou uma volta ‘a lá’ Senna, que ele foi parar ali. Foi por causa da Brabham, que, depois da corrida da Hungria, abandonava de vez a F-1.

McCarthy andando em Spa batendo na porta de Dona Morte.

Felizmente ela estava ocupada demais tratando de sua ressaca e acabou não atendendo a porta. Ainda bem.

Claro que Moreno e McCarthy ficaram lá atrás, e claro que McCarthy ficou a 10 segundos de Moreno. A Moda fez o que a FISA pediu, deu um carro bom para McCarthy, só não avisaram a ele, que o bom da Andrea Moda, é um carro cheio de remendos e peças do carro que Moreno usou na Hungria. McCarthy escapou de uma tragédia por pouco:

“Eu cheguei desesperadamente na Eau Rouge tentando fazê-la ‘flat’, e o braço de direção teve uma (espécie de) flexão. Eu continuo não acreditando como eu consegui passar por aquela curva” Disse McCarthy. Quando ele chegou para falar com os mecânicos, eles disseram: “Sim, nos sabemos, retiramos essas peças usadas do carro do Moreno lá da Hungria”.

Sassetti foi para a cadeia por emitir notas falsas.

Enquanto na pista as coisas iam de mal a pior, fora dela não era diferente. Depois de escapar de tiros enquanto sua boate era incendiada, Sassetti foi preso pela polícia Belga por emitir notas fiscais frias.

A FISA suspende indefinidamente a equipe, e alega que ela mancha a seriedade da categoria e para evitar que o esporte caia em descrédito. Na Bélgica terminava a mais conturbada passagem de uma equipe pela Formula 1. Só um detalhe, a novela Andrea Moda ainda não acabou…

Pneus de chuva na pista seca, só podia ser na Moda

Inferno-céu-inferno. É assim que se pode mostrar a trajetória da Andrea Moda. Após as várias voltas de Ímola, e da classificação para o GP de Mônaco, se esperava um certo avanço da equipe no segundo terço do campeonato, só que as bizarrices voltaram, e voltaram com força!

Curtindo a festa de seu carro ter participado de uma corrida de F1, Sassetti foi para a costa leste da Itália, onde possui uma discoteca. Lá, ao que tudo indica, um incêndio criminoso destrói sua boate. No desespero, todos saem correndo e um atirador escondido dispara contra Andrea. Ele escapa sem ferimentos, mas o susto estava dado.

Depois do “tiroteio” da Itália, a equipe partiu para a America do Norte para disputar o GP do Canadá, no circuito Gilles Villeneuve. A equipe, os mecânicos, os pilotos, os chassis, os pneus, tudo já estavam lá, mas, e os motores? Cadê os propulsores da Judd que não estavam lá?

1988, um exemplo da da corrida dos barcos-cockpits na raia olímpica de Montreal

A resposta oficial da equipe foi que, um problema na rede elétrica da British Airways, causada por uma grande tempestade, impediu que o avião cargueiro fosse carregado perfeitamente e chegasse ao Canadá a tempo. Só a história que circulava pelo paddock não era bem essa.

O murmurinho do lado de dentro das muretas era que Sassetti não teria pagado a Judd, por isso não lhes foi fornecido os motores. Implorando migalhas, Sassetti conseguiu um motor emprestado da Brabham, que também usava os Judd 3.5 V10. McCarthy novamente só ficou olhando para Moreno andar.

Mesmo quase nunca andando no carro, McCarthy dava seus sorrisos (e a balaclava tampando a careca)

Ainda na quinta-feira, era tradição as equipes brincarem na raia olímpica de Montreal com seus barcos/cockpit (uma dupla de mecânicos remavam uma prova em cima de seus carros). Nem para isso a Moda servia, durante a ida da equipe para a “raia”, o carro afundou!!!

Nos treinos de pré-classificação na sexta, Moreno fez o usual da equipe, deu quatro voltas, o motor emprestado explodiu e ele virou 14 segundos mais lentos que Chiesa, o último colocado. Fim de semana dos mais bizarros para a equipe.

Sassetti perdia seu braço direito, Frederic Dhainaut

De volta para a Europa, naquele início de Julho, teríamos a usual dobradinha de GP’s entre França e Grã-Bretanha (5 e 12 de Julho). Sassetti não poderia esperar algo pior que no Canadá certo?… Nunca!!! Você esta lidando com a Andrea Moda rapaz, nunca duvide das bizarrices que ela pode cometer!

Para o GP francês, a Moda tinha sua 1ª grande baixa. Frederic Dhainaut, o chefe da equipe pediu demissão para se concentrar num projeto de uma futura equipe de F1, que acabou não vingando. Frederic deixou a Moda sem um ‘manager’, mas isso não fez falta alguma (risos).

Moreno descendo do caminhão em Silverstone. Desta vez chegaram.

Para “glorificar” ainda mais seu trajeto pela categoria, mais uma daquelas famosas bizarrices acontece. Uma greve de caminhoneiros fechou as principais rodovias da França. Todas as outras equipes pegaram um atalho até Magny-Cours, menos o caminhão da Moda, que ficou preso no engarrafamento!!! Novamente ela não participa de um GP.

Mesmo com a façanha de Moreno em Mônaco, dois GP’s sem aparições para os patrocinadores eram demais, e a equipe apareceu praticamente pelada em Silverstone, para o GP da Grã-Bretanha. Adivinhe o que houve? Se alguém disse ‘bizarrice’ acertou!

Com um carro quase que totalmente preto, a Moda foi para os treinos de pré-qualificação de sexta-feira. Uma chuva pela madrugada deixara a pista um pouco úmida. McCarthy teve que ceder algumas peças de seu carro para Moreno andar. Além disso, teve que esperar o seu companheiro marcar um tempo para poder sair (parece aqueles jogos de F1 que não tem o Multiplayer no menu) .

Pedaço de grama preso na asa dianteira do carro. Pudera, quem mandou sair com pneus de chuva?

Com isso, ele saiu muito atrasado dos boxes, e pasmem, com a pista já bem seca, lá estava McCarthy tentando virar voltas rápidas com os pneus de chuva! Era uma atrapalhada atrás da outra!

Moreno até que andou bem, ficou a menos de 2 segundo de Chiesa, o último a se pré-classificar. Já McCarthy… Andando com pneus de chuva no seco, rodou várias vezes e ficou a 30 segundos do pole Nigel Mansell, e pasmem de novo, a 12 segundos do pole da F3000, Rubens Barrichello (óia o Barrichello na F3000) .

Barrichello na F3000 em 1992, 12 segundos mais rápido que a Moda de McCarthy em Silverstone.

Moreno faz o impensável e coloca a Moda no grid

A Moda começa a se acertar após o GP da Espanha (Nossa! Nunca pensei que iria dizer isto um dia). Em Ímola, a equipe bate o recorde de voltas e Moreno fica a somente 7 segundos do tempo de Mansell, o pole. McCarthy finalmente estréia, mas mesmo assim a Moda não consegue sair das últimas duas posições.

Quando se pergunta a qualquer dono de equipe pequena, seja em que década for: Qual o GP que se espera que sua equipe ande melhor? Aposto que a grande maioria apostaria em Mônaco.

Enumerando casos mais recentes aos de 92, podemos citar a classificação (única, diga-se de passagem) dos 2 carros da Coloni (Raphanel e Moreno) em 89, e o fantástico tempo obtido pela equipe Life em 90, quando ficou a 20 segundos do pole, uma verdadeira proeza do vovô Giacomelli.

Mônaco foi o melhor fim de semana da equipe

Em 92, quando alguém cita o GP de Mônaco, 90% comentam sobre a histórica batalha de Senna com sua McLaren, versus o super mega hiper carro da Williams, pilotado por um senhor de bigode que não pensava muito nas atitudes, em pista, que tomava.

Mas para os mais ligados no lado ‘B’ (diria eu, ‘C’) da F1, aquele fim de semana foi marcado por uma atuação sobrenatural de Roberto Moreno. Neste fim de semana, ele fez o impossível e alinhou seu carro no grid.

Acelerando no pequeno principado

Com uma atuação “mais-que-perfeita” e com a ajuda do certeiro alinhamento de todos os planetas, sistemas e galáxias direcionando seus poderes para Monte Carlo, “seu” Pupo não só desbancou Katayama, como passou por cima de Chiesa também. Ele se tornou “o cara” na única vez em que a equipe andou mais de um dia na F1. (A equipe também andou 2 dias em Spa, mas lá não houve pré-classificação).

Quando todos já endeusavam Moreno pela incrível classificação para os treinos oficiais, aquele simpático piloto, que corria para a equipe que tinha a dupla mais desprovida de cabelo da história, aprontava mais uma. Desta vez, no sábado.

Moreno foi ovacionado por muitos e se torna um MITO

Com uma volta digna de um campeão mundial, ele coloca, na metade do treino, a sua Moda nº 34 na “meieira” na metade do grid. Naquele momento ele deixava para trás uma infinidade de carros, e a impossível classificação parecia garantida. Parecia…

Logo após sua volta “espírita”, a Moda voltava a apresentar os corriqueiros problemas mecânicos. Moreno consegue arrastar seu carro para o box a fim de fazer os possíveis reparos e voltar para o treino.

Larga em último, mas isso já é muito mais do que o esperado pela equipe e pelo próprio Moreno

Graças a Deus, eu tive a oportunidade de classificar o carro em Mônaco e fui aplaudido de pé por todos os engenheiros e chefes de equipes da F-1 quando entrei nos boxes. Aquele momento foi para mim o melhor. Foi um reconhecimento enorme do que eu fiz. O carro superaquecia na quinta volta, só podia fazer quatro voltas para classificar, e mesmo assim consegui, no meio do grid. Nos últimos minutos, a pista estava mais rápida, e eu nos boxes com problema mecânico. Fiquei em último.

:Roberto Moreno em entrevista ao site Grande Prêmio

E foi por muito pouco mesmo, Roberto ficou a somente 36 milésimos de ficar fora do grid. Moreno inclusive desbancou Damon Hill, um futuro campeão mundial. Ficou na frente de 2 Brabhams, um March e uma Fondmetal.

Na corrida, eles tinham um problema (risos), o motor tinha dado muitas voltas durante o fim de semana, e todos ficavam na expectativa de que voltas ele iria ruir. Largando de 26º, Moreno já figurava em 19º, em virtudes de abandonos, quando o Judd não aguentou e abriu o bico na volta 12. E olhe que ele não andou com o pé totalmente lá em cima não, Moreno foi mais rápido Gabriele Tarquini a bordo de uma Fondmetal.

McCarthy também consegue andar em Mônaco. Mas só 3 voltas.

Com essa apresentação de gala, o mundo começou a ver mais a Andrea Moda Formula, alguns novos patrocínios começavam a querer aparecer. Tudo parecia mais bonito na equipe, e ela tinha um futuro, aparentemente, mais brilhante não é? A resposta vem amanhã (eu acho), mas acho que vocês já sabem a resposta…

Os 18 metros da “grande” estréia de McCarthy.

McCarthy, que teve sua superlicença cassada, finalmente teria condições de estrear na Formula 1. Depois de um consenso entre os dirigentes das equipes, que aprovavam a entrada de Perry no campeonato, ele estava pronto para correr. Mas e a equipe, estava?

Enrico Bertaggia chegou a cogitar uma volta ao assento da Moda. Ele ofereceu à Sassetti 1 milhão de dólares em patrocínios. Valor bem razoável para uma equipe que já nasceu falida. Andrea ficou inclinado a aceitar a proposta “milionária”, mas a FISA foi quem não permitiu desta vez, ela disse que a equipe já tinha feito mudanças demais e que não poderia trocar McCarthy agora.

Andrea Sassetti estava bem desapontado com o fato, ele estava precisando e muito deste dinheiro. Com os atuais recursos ele não poderia dar uma igualdade de equipamentos para ambos os pilotos. O carro de McCarthy era constantemente modificado, cedendo peças para o carro de Moreno.

O motor Judd de Moreno não dura nem uma volta.

Na sexta-feira de manhã, os primeiros carros iriam para a pista de Catalunya em Montmeló, cidade ao norte de Barcelona. Os gladiadores da vez, na pré-qualificação do GP da Espanha, eram os mesmos do Brasil (Gachot, Chiesa, Alboreto, Katayama e Moreno) mas com a adição de ‘Péurrri’ McCarthy.

Os carros da Larrousse Venturi, da Footwork e da Fondmetal andavam “bem” outra vez, já os da Moda… Roberto Moreno foi o 1º piloto da equipe a sair para a pista, Pupo só consegue fazer algumas sequências de curvas antes do seu motor estourar. As coisas não andavam nada bem na Andrea Moda, mas momentos piores ainda estavam por vir.

Já o Judd de McCarthy não durou tempo sequer para McCarthy sai dos boxes.

A história da estréia de Perry McCarthy no GP espanhol foi a mais engraçada, se é que se pode dizer isto. Depois de conseguir sua superlicença no inicio da semana, ele teria a oportunidade de finalmente pilotar um carro de Formula 1, mas nada conspirava a favor do inglês.

A Moda se enrola muito para entregar o carro para Perry, o S921 nº 35 só ficou pronto na metade final da pré-qualificação, aumentando ainda mais a ansiedade de McCarthy.

Os comissários espanhóis rindo de McCarthy enquanto empurram o seu Moda.

Quando finalmente o carro estava pronto e com ele já dentro do cockpit, os mecânicos finalmente deram a partida no V10 Judd. Junto com o rugido inicial, uma grande labareda de fogo saia dos escapes do carro, algo não parecia bem.

McCarthy engatou a 1ª marcha e se dirigiu rumo ao pit lane, mas logo na saída de seu box, o carro dá uma nervosa ‘rabeada’ que foi corrigido com um contra-esterço.

O ‘pipocar’ do motor estava muito estranho, com o passar dos metros os barulho só ia ficando pior, até que, aproximadamente 18 metros após a saída do box da Moda, seu carro pára, inerte, sem apresentar qualquer barulho.

A face de desolação de McCarthy.

Perry comentou:

Claro que estou muito decepcionado, mas não vou desistir. Eu sei que a Formula 1 é um trabalho duro, e eu aceito isso (…) Eu tenho agora que buscar minha chance eu quero fazer isto já na próxima corrida, fala McCarthy.

“Péurrri” tentou voltar para os pits empurrando o carro, mas foi barrado.

A Moda ainda conseguiu alinhar o carro de Moreno para dar algumas voltas. Eles retiraram algumas peças do carro de McCarthy e o brasileiro finalmente conseguiu completar algumas voltas pelo circuito, mas o tempo não escondia a inferioridade do carro. Moreno viraria cerca de 10 segundos mais lento que Chiesa, o último colocado.

A Simtek apresentou um novo carro em 14 dias! Eis o Moda S921

A Simtek construiu o carro em tempo recorde, o Andrea Moda S921, mas o bólido tinha alguns probleminhas básicos de fixação de peças, mas nada que um pouco de fibra de carbono e adesivos não resolvessem. O carro estava até apto para correr no México, mas numa decisão sensata, Sassetti preferiu pular a etapa mexicana e desembarcar aqui no Brasil.

Caffi e Bertaggia (este último sequer andou no carro) foram despedidos, em seus lugares vieram o melhor quebra galho da época, Roberto Moreno, e um eterno backmaker, com um capacete ‘a lá’ Gilles Villeneuve, oriundo da F3000 e da IMSA, Perry McCarthy.

Moreno saindo dos boxes de Interlagos.

Qualquer esperança que os mecânicos, pilotos e a equipe tinham com a estréia do novo carro começou a ir abaixo logo quando pisaram em Interlagos. Na quinta-feira, ou seja, antes mesmo da pré-qualificação, Perry McCarthy teve sua super licença cassada e foi excluído da corrida. Restava somente Moreno fazer as honras da casa.

A equipe até “agradeceu” por McCarthy não participar do GP, pois as peças de reposição e os equipamentos básicos não davam nem para um carro. Segundo Flávio Gomes, que cobria o GP na época: “O carro era uma temeridade. Os mecas da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi, atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.”

A cambio saiu em sua mão logo na 1ª saída do carro para a pista

Na manhã de sexta acontecia a pré-qualificação da F1, Moreno iria se digladiar contra: Bertrand Gachot Ukyo Katayama (Catagrama para os íntimos) da Larrousse, Michele Alboreto da Footwork, Andrea Chiesa da Fondmetal e com sua manopla de câmbio que escapou na sua mão logo na 1ª saída do carro para a pista.

Claro que a Moda levou um ‘vareio’ feio dessas equipes. Gachot que foi o 1º e Katayama que foi o 4º, andaram bem colados, com uma diferença de apenas 1 segundo, já a Andrea Moda de Roberto Moreno vinha a 15 segundos do último colocado (!!), um verdadeiro fiasco!

De longe a Andrea Moda era a equipe mais confusa da F1

Sem dinheiro para nada, Sassetti descolou um bom escambo. Em troca de divulgação da churrascaria fogo de chão no macacão de seus pilotos, toda a equipe tinha almoço de graça durante toda a estadia no Brasil. Bizarrices que só a Andrea Moda podia nos proporcionar.

Alez Caffi treinando em Kyalami com sua Coloni-Moda C4

Depois de vocês se deliciarem com as maluquices da equipe ATS, vamos ver um pouco das bizarrices da equipe Andrea Moda. E também, neste mês de fevereiro é “comemorado” os 20 anos da própria. Vamos direto para a história.

Tudo parecia uma brincadeira quando o Sr. Enzo Coloni vendia sua equipe para um “desconhecido” do ramo da moda italiana. Um sujeito bem peculiar e sem a cara da F1, mas o excêntrico Andrea Sassetti parecia não ligar para isso.

Designer do ramo de sapatos na Itália, Andrea pagou 8 milhões de Libras para Enzo, e recebeu em troca uma equipe de F1 e 3 chassis Coloni C4. Nada que enchesse os olhos de ninguém, pois a Coloni era mestre em sequer se pré-classificar para os GP’s.

Bernie e Andrea. O preto clássico sempre acompanhava Sasseti.

Numa conversa com os donos da Dallara, Andrea resolveu trocar os antiquados e antigos motores Ford DFR pelos impotentes Dallara Judd GV (gato por lebre, diga-se de passagem). O carro estava montado: Um C4 com um Judd V10, e agora? Vamos correr?

Pois bem, a primeira aparição da equipe foi ainda em 1991 no Bolonha Motor Show, um evento dentro de um “parque fechado” em que se corriam durante uma pista super estreita com carros de F1. O piloto era o fraco italiano Antonio Tamburini. A participação da Moda só não foi horrorosa pois ela passou para a segunda rodada do torneio quando Gianni Morbidelli a bordo de uma Minardi, bateu e abandonou (só podia ser desse jeito mesmo) .

Antonio Tamburini foi 1º a andar. Aqui em ação no Bolonha Motor Show de 91.

Para a temporada de 1992, Sassetti desiste de Tamburini e contrata outros dois italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia. Caffi, que esteve fora de alguns GP’s da temporada passada por uma quebra de maxilar, quase nunca alinhava sua Footwork para o grid. Bertaggia também nada fez quando pilotou para Enzo em 89. Detêm um bom aproveitamento de não pré-classificação, nada mais nada menos que 100%.

A segunda aparição da equipe é mais “normal”. Ela foi com seus carros negros para o GP da África do Sul de 1992. Kyalami iria retornar a categoria após 6 anos, e voltava com modificações no traçado. A FISA abriu uma exceção e liberou a 5ª feira para as equipes treinarem.

Essa Coloni negra era de 15 a 20 segundos mais lentos que todos os outros carros.

A Moda foi à pista com Alex Caffi nesta quinta, mas logo depois de algumas voltas a equipe foi impedida de continuar. A FISA cobrara uma inscrição para novas equipes de 100 mil dólares que Sassetti não fez, e nem queria fazer, pois ele alegava que a Moda não era um novo time, e blá-blá-blá.

Claro que a FIA não engoliu esta desculpa e não permitiu a entrada mais na pista dos carros da Moda. Injuriado Sassetti pagou a devida conta (!) e disse que depois de um investimento desses, não valeria usar os velhos e ultrapassados Coloni.

Carro de Enrico Bertaggia em Kyalami. Ele sequer andou no carro…

Andrea entrou em contato com Nick Wirth, da Simtek design company. Nick já tinha um projeto de F1 no passado, ele tinha sido encarregado de fazer um carro para a possível entrada da BMW na F1. Wirth fez somente alguns ajustes e em tempo recorde nasceu um dos piores carros da história da Formula 1: o Andrea Moda S921.

Sassetti deu um ‘chute na bunda’ de seus dois pilotos (que até agradeceram) e contratou o mais do que rodado Roberto Moreno e o ‘backmaker’ Perry McCarthy. O time chegou a desembarcar no México, mas sequer montou os carros. Após, a equipe veio para o Brasil, mas essa já é outra história. Não percam a seqüência de trapalhadas e bizarrices que estão por vir… como essa abaixo:

Uma caricatura de Andrea Sasseti.

A F1 sempre teve as suas equipe nanica. Veja pelo retrospecto:

2006: Toro Rosso, MidLand e Super Aguri.

2007: Honda, Toro Rosso, Super Aguri e Spyker.

2008: Honda, Super Aguri e Force India.

2009: Force India e Toro Rosso.

2010: Lotus, Virgin e Hispania.

2011: Lotus, Marussia Virgin e Hispania.

Mas essas que eu acabei de citar não chegam nem perto (algumas chegam) das piores equipes da F1 segundo este que vos fala.

Life Racing Engines

Michael Schumacher pilotando uma Ferrari sem capô

Detentora do pior carro da história da Fórmula 1, em minha humilde opinião, fez muito feio na temporada de 1990. Mas tão feio que sequer é lembrada por muitos, pois nunca teve um carro rápido o suficiente para conseguir ficar dentre os 26 bólidos da faixa de largada.

Andou bisonhamente com Gary Brabham ao volante nas duas primeiras provas do ano – Phoenix e Interlagos – mas o herdeiro de Sir Jack logo abandonou o barco, vendo a tremenda furada que se meteu. Em seu lugar veio o gordinho Bruno Giacomelli, que em outros tempos havia feito certo sucesso na categoria.

Mas o problema todo era o carro, que nascera muito errado desde o início. Seu chassi era péssimo, refugado, e mais se parecia com um de F-3000. Seu motor era ousado – W12 – mas fraco como palha e quase se dissolvia em poucas voltas na pista.

Seus tempos de volta eram, pasmem, em média quase 30 segundos mais lentos que os pole positions (!!!). Também, com o número de voltas que o carro dava nas pré-qualificações de sexta-feira, nada podia ser atualizado no bólido.

Estima-se que, em todos os 14 GP’s que esteve presente, andou cerca de 30 voltas no total do campeonato, o que dá algo em torno de 2 voltas por fim de semana. Absurdo, absurdo, absurdo…

O ponto alto da Life Racing Engines: Conseguir dar 10 voltas em Montecarlo. Um recorde da equipe. Não, eu não considerei o treino em Monza, onde Gary Brabham conseguiu dar 20 voltas na pista.

Andrea Moda Formula

Roberto Pupo Moreno se arrastando com sua Andrea Moda

Se a Life era detentora do pior carro que a Fórmula 1 já presenciou em seus mais de 60 anos, a Andrea Moda Formula, time do canastrão Andrea Sasseti, deve ter sido a pior equipe de todos os tempos.

Improvisação, amadorismo e erros primários foram cometidos por essa fraquíssima equipe durante a temporada de 1992. As histórias vão de esquecimento de aparafusamento da manopla de câmbio (Roberto Moreno durante o classificatório para o GP Brasil), até o rodar com pneus de chuva no mais alto calor (Perry McCarthy em Silverstone).

Era uma bizarrice atrás da outra, mas em um GP, e apenas nesse, os deuses do automobilismo deram uma olhadinha para baixo e decidiram ajudar a Moda. Durante o Grande Prêmio de Mônaco, o mito Roberto Pupo Moreno conseguiu alinhar o carro para a corrida pela primeira e única vez na história.

Claro, o carro não era feito para suportar uma prova inteira e sucumbiu após poucas voltas. Depois disso, os fiascos voltaram a acontecer e só terminaram após a FISA acabar com a brincadeira suspendendo indefinidamente a escuderia por manchar o nome da categoria. Veja este relato de McCarthy após o último GP da equipe:

“Eu cheguei desesperadamente na Eau Rouge tentando fazê-la ‘flat’, e o braço de direção teve uma (espécie de) flexão. Continuo não acreditando como eu consegui passar por aquela curva, mas quando relatei o caso aos mecânicos, minha surpresa foi maior: ‘Sim, nos sabemos que isso aconteceria, retiramos essas peças usadas do carro do Moreno lá da Hungria’”. Caras de pau.

Ponto alto da Andrea Moda Formula: Ter conseguido se classificar para uma corrida. Um verdadeiro show de Moreno em Mônaco.

MasterCard Lola

Não é o carro da Lola, mas a pintura é parecida

Com um patrocínio de peso como este, uma equipe que não se desse bem seria fadada ao rápido insucesso. Ainda mais se tivesse por trás a parceria da sempre isenta Lola. Mas não é que deu errado? Muito errado.

Pressionada por patrocinadores, leia-se Mastercard, a Lola adiantou muito seu projeto para estrear na categoria ainda na temporada de 1997, uma vez que o plano inicial era só efetuar a entrada em 1998.

Com isso, o carro foi terminado nas coxas, o motor não ficou pronto e os pilotos foram escolhidos de supetão e sequer testaram antes do GP da Austrália, o primeiro do ano. Testes em túnel de vento? Pfff, não me venha com essa… passou longe disso. O T97/30, como era tecnicamente chamado, foi todo virgem para Melbourne.

E o resultado não poderia ser outro. A equipe se arrastou pelo circuito citadino, ficando a quase 15 segundos do tempo do líder, fora da margem de 107% que a categoria exige. E como a outra estreante (Stewart) teve um rendimento razoável, não havia por que liberar a Lola para largar.

Na corrida seguinte, quando todos os mecânicos e equipe técnica já estavam no Brasil, a Lola, numa quinta-feira, anunciou que não iria disputar a corrida. Com isso, todos os funcionários voltaram para a Europa.

A equipe, após o duplo fiasco, chegou a testar em Silverstone, mas como seus tempos continuaram péssimos e estava afundanda em dívidas, pediu as contas e se retirou de todo o campeonato.

Ponto alto da MasterCard Lola: Conseguir pelo menos correr na pista de Albert Park. Um grande feito com um carro péssimo.

EuroBrun

Carrinho prateado mais lindo que já vi. CHUPA McLaren, CHUPA Mercedes

Diferentemente das companheiras acima citadas, a EuroBrun foi dura na queda. Demorou três temporadas para largar de vez a Fórmula 1. Com isso, acumulou a incrível marca de 53 GP’s onde não conseguiu a qualificação para a corrida com seus pilotos, além de 3 desqualificações por problemas técnicos. Um mar de problemas, para não dizer outra coisa.

A equipe começou até que certinha, se classificando para os grids e mantendo um ritmo (lento, é verdade) que a permitia ver um possível futuro pela frente. Contudo, no final de sua primeira temporada, a verdade veio à tona.

Como um enfermo que melhora antes de morrer, Stefano Modena cravou a melhor posição de chegada da equipe em Hungaroring 1988 (11ª posição). Depois disso a equipe tentou por mais dois anos se manter na Fórmula 1, mas em apenas quatro GP’s conseguiu classificação. Em dois anos! Feio demais!

Em 1989, com somente um carro, não largou em nenhuma corrida e só passou para o treino classificatório de sábado somente uma vez, ou seja: todo o time de mecânicos e pilotos estava acostumado a ir embora do autódromo na sexta-feira à tarde, após o pré-qualificatório.

No ano seguinte, Walter Brun arriscou. Voltou a utilizar dois pilotos, mas havia uma discrepância enorme de talento entre eles. De um lado tínhamos Roberto Moreno, piloto que era capaz até de pilotar uma máquina de lavar com rodas. Do outro, um dos piores que a Fórmula 1 já viu: Cláudio Langes, o “motorista” que nunca passou dos treinos pré-classificatórios da Fórmula 1. Uma incrível marca de 14 DNPQ (Did not pre qualify) seguidos.

A equipe fecharia as portas finalmente após a temporada de 1990 e sequer viajava para a Ásia e Oceania para disputar as corridas do Japão e da Austrália.

Ponto alto da EuroBrun: Fazer com que Stefano Modena se classifica-se em 10 GPs e Oscar Larrauri se classificar em 8 GPs.

Enzo Coloni Racing Car Systems

A Coloni é talvez a equipe nanica mais conhecida da história da F1. A equipe foi fundada pelo italiano (esses italianos só sabem fazer equipes de merda) Enzo Coloni e estreou em 1987 com apenas um piloto que era Nicola Larini. Larini não pode fazer nada com um carro péssimo.

Em 88, Gabriele Tarquini é contratado. Tarquini também não consegue fazer muita coisa e tem um oitavo no Canadá como melhor posição. Mas esse oitavo faz com que a Coloni fique na frente de Ligier, Osella, EuroBrun e Zakspeed.

Em 89, Enzo Coloni toma jeito e contrata Roberto Pupo Moreno e Pierre-Henri Raphanel. Enrico Bertaggia corre pela Coloni na última etapa. Moreno, Raphanel e Bertaggia colecionam várias não classificações. Mesmo assim, a Coloni completa o ano na frente da Zakspeed e EuroBrun.

Em 1990,  Bertrand Gachot é contratado por Enzo Coloni. Gachot não classifica para nenhuma corrida o ano todo. O verdadeiro mico da temporada. Gachot e Cia ficam na frente apenas da horrenda Life Racing.

Em 91, o português Pedro Matos Chaves é contratado pela Coloni. Em casa, foi sua última corrida (ele tinha um contrato com a March para 92, segundo o meu chefinho Jean Corauci do GP Expert, mas algo deu errado e ele não correu mais) . Para seu lugar, o folclórico Naoki Hattori corre, mas depois é esquecido. E acabou a historinha da Coloni.

Ponto alto da Enzo Coloni Racing Car Systems: A oitava colocação conseguida por Gabriele Tarquini na etapa do Canadá de 1988.

ZakSpeed

Originalmenta, a ZakSpeed ia ser apenas uma equipe de DTM, mas Erich Zakowski queria mais. Então migrou para os monopostos em 1985. Na sua primeira temporada, Jonathan Palmer e Christian Danner conseguem se classificar para 10 das 16 etapas, mas abandona em 9 dessas 10 etapas. Fiasco puro.

Em 86, Palmer continua e Huub Rothengarter entra no lugar de Danner. Palmer consegue um oitavo no GP dos EUA-Leste e Rothengarter consegue um oitavo no GP da Áustria. Um ligeira melhora da equipe de Zakowski.

Em 87, Martin Brundle entra no lugar de Jonathan Palmer e Christian Danner volta para a equipe alemã. Brundle consegue marcar os primeiros pontos da equipe em Ímola com uma quinta colocação.

Em 88, Bernd Scheneider e Piercarlo Ghinzani são contratados. A dupla consegue como melhor resultado um décimo segundo de Scheneider na Alemanha.

Depois disso, a ZakSpeed nunca mais voltou para a F1.

Ponto alto da ZakSpeed: A quinta colocação de Martin Brundle em San Marino, marcando os primeiros pontos da ZakSpeed.

Pacific Racing

A Pacific é considerada uma das piores equipes da história da F-1, pois na maioria das vezes não se classificava. Em 1994, com o Pacific PR01, equipado com o fraco motor Ilmor, e praticamente sem patrocinadores até a chegada da fábrica de vodca Ursus, Paul Belmondo e Bertrand Gachot não passavam dos últimos lugares e ficava na espera pela sua oportunidade.

No começo de 1995, a Pacific se funde com a equipe Lotus e ganha uma nova chance. Com o Pacific PR02, movido por motores Ford, e pintados de azul, Andrea Montermini, Jean-Denis Délétraz, Giovanni Lavaggi e Bertrand Gachot passavam até com facilidade. Mas no fim da temporada, a Pacific, que tinha planos de competir em 1996, deu adeus à F-1.

Ponto alto da Pacifica Racing: Um oitavo conseguido por Andrea Montermini na Alemanha em 1995.

Modena Team SpA

Na única temporada em que participou, não conseguiu conquistar pontos, tendo como melhor resultado o sétimo lugar no GP dos EUA. Foi equipada com motores V12 da Lamborghini.

Nicola Larini e Eric van de Poele andaram no carro da equipe. Van de Poele se classificou apenas uma vez, em San Marino. Larini teve mais sorte e conseguiu a sétima colocação no GP dos EUA.

Ponto alto da Modena Team SpA- Lambo: O sétimo lugar de Nicola Larini no GP dos EUA de 1991.

A melhor das piores, a Minardi Team

A mítica Minardi. Sempre esteve no fundão, mas isso não impediu de que a equipe conseguisse vários fãs pelo mundo. Ele tiveram até um livro. Bom se quiser ler a história completa da Minardi, é só clicar no nome da Minardi nessa parte escrita.

Espero que tenham gostado.

Como vimos no último post desta seção, a equipe Coloni sempre falida e no mês de setembro de 91 a história não era diferente. Seu dono, Enzo Coloni, acabou vendendo o que sobrou da sua equipe para o também italiano Andrea Sassetti, por 8 milhões de Libras. Sassetti era um playboy milionário que atuava na indústria de sapados de moda. O time recebeu o nome de uma de suas empresas, a Andrea Moda, e partiu para a temporada de 1992, usando o terrível carro da Coloni, equipado com “poderosos” motores Judd V10.

Para pilotar os seus bólidos, Sassetti contratou ninguém menos que Alex Caffi, que havia sido mandado embora da Footwork por causa da sua má forma e de suas seguidas lesões. O outro braço duro contratado foi Enrico Bertaggia, que havia tentado passar da pré-qualificação com a ex-Coloni em diversas corridas em 1989 e nunca obteve sucesso.

Caffi em Kayalami: O primeiro mico.

Logo na primeira corrida, na África do Sul, o primeiro vexame. Para que a equipe pudesse participar da temporada, a FIA exigiu que Sassetti pagasse as garantias que as equipes novas precisavam pagar para poder estrear no certame, cerca de US$ 100 mil, na época. Sassetti não quis pagar a quantia, alegando que a equipe era a Coloni rebatizada. Além disso, outras equipes também mudaram de nome e não pagaram a garantia.

De certo modo, Sassetti estava certo, e a equipe chegou a participar dos treinos de reconhecimento do circuito de Kyalami, na quinta. Porém, a FIA decidiu que a equipe era nova e a excluiu da primeira etapa do mundial.

Com esse pequeno problema, a equipe decide dar uma reformada nos carros da Coloni, renomeados de Moda S921. Os desenhos ficaram a cargo de Nick Wirth (fundador da Simtek) e de mecânicos de outros times. Mesmo com o carro pronto às pressas, a equipe desistiu de participar da 2ª etapa, no México, e os profissionais contratados, incluindo Bertaggia (este nem andou nos carros) e Caffi, acabaram demitidos. E eles nem haviam estreado!

E chegamos na terceira etapa, o GP do Brasil. A equipe estava esperançosa para a tão sonhada estréia e os lugares de Caffi e Bertaggia forma preenchidos pelo super herói das equipes bizarras, Roberto Moreno. Para o segundo carro, o italiano contava com o inglês Perry McCarthy. Só que a super licença do inglês foi cassada, o que foi até bom para a equipe, pois as peças de reposição e os equipamentos básicos não davam nem para um carro.

Segundo Flávio Gomes, que cobria o GP na época: “O carro era uma temeridade. Os mecânicos da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi (eram João, Cláudio e Walter) , atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.”

A miséria era tanta que, em troca de divulgação da churrascaria Fogo de Chão no macacão de seus pilotos, toda a equipe tinha almoço de graça durante toda a estadia no Brasil.

Portanto, a honra da estréia ficou a cargo de Moreno, que na pré-qualificação travaria uma batalha épica contra Bertrand Gachot e Ukyo Katayama da Larrousse, Michele Alboreto da Footwork, Andrea Chiesa da Fondmetal.

Logo na sua 1ª saída para a pista, a manopla de câmbio escapa da mão de Moreno. Depois do problema resolvido, Moreno volta à pista e toma um baile das outras equipes, ficando cerca de 15 segundos atrás do último colocado. Uma verdadeira vergonha.

Depois da brilhante estréia aqui no Brasil, o circo parte para a Espanha, aonde aconteceria a 4ª etapa do mundial daquele ano. Depois de resolvido seu problema com a super licença, finalmente Perry McCarthy poderia fazer a sua estréia. Só restava uma dúvida: ele teria um carro?

Na pré-qualificação, Roberto Moreno foi o 1º piloto da equipe a sair para a pista. Depois de algumas seqüências de curvas, o motor de Moreno estoura. Além disso, a equipe se enrolou toda e só conseguiu preparar o carro do McCarthy para a segunda metade da pré-qualificação. Se é que conseguiram preparar alguma coisa, pois o carro de Perry quebra antes mesmo de ele entrar na pista. O carro dele parou depois de andar apenas 18 metros.

O carro não andou nem 18 metros e quebrou. Um recorde!

Usando as peças do carro de Perry, a equipe ainda coloca Moreno de volta na pista, mas o brasileiro não é Jesus e milagres não aconteceram. O carro era 10 segundos mais lento que o último colocado.

Na etapa seguinte, em Ímola, a equipe finalmente consegue colocar seus dois carros na pista. Por incrível que pareça, a equipe consegue uma excelente melhora e Moreno fica apenas 7 segundos atrás do pole, Nigel Mansell. McCarthy até conseguiu estrear, ficando 8,5 segundos atrás de Moreno. Faltou pouco para colocarem um carro no grid de largada.

E o milagre veio em Mônaco. Numa atuação digna de campeão mundial, Roberto Moreno consegue se classifica para o treino de classificação no sábado. Não satisfeito, na metade do treino de sábado, o brasileiro tem uma das atuações mais sobrenaturais da F1 e coloca seu carro na metade do grid. O feito foi tão grande que quando Moreno retornou para os boxes, todos os engenheiros, mecânicos e chefes de todas as equipes da F1 estavam de pé, aplaudindo Moreno.

Moreno deu um show em Mônaco

Porém, estamos falando da Andrea Moda e suas trapalhadas. Depois da volta mágica de Moreno, ele volta para os boxes arrastando seu carro pela pista, com a intenção de voltar para os treinos. Claro que eles não conseguem arrumar o carro a tempo, mas mesmo assim, o brasileiro conseguiu se classificar em último.

McCarthy também andou em Mônaco. Deu três voltas e depois teve que ceder todas as peças do seu carro para Moreno poder correr. Mesmo assim, eles teriam um problema (novidade) para a corrida. Moreno havia dado muitas voltas com seu motor e eles não sabiam até quando o carro iria agüentar. Moreno viu seu motor Judd abrir o bico depois de 11 voltas completadas (na verdade, foram as únicas voltas que a Andrea Moda conseguiu dar em uma corrida). Mesmo assim, o “impressionante” desempenho em Mônaco fez com que os patrocinadores dessem a cara novamente nos carros da equipe.

Moreno conseguiu dar 11 voltas na corrida. Foram as únicas da equipe na F1.

Depois de Mônaco, a F1 foi para o Canadá e mais uma das bizarrices acontece. A equipe e os pilotos estavam presentes, mas por falta de pagamento, a Judd não enviou os motores para o time. O jeito foi arrumar um motor emprestado com outra equipe, a Brabham, que também andava com os sofríveis motores Judd. Com apenas um motor, só Moreno foi para a pista, mas não por muito tempo. O brasileiro conseguiu dar apenas 4 voltas com o tal motor emprestado, que explodiu.

De volta para Europa, a equipe se aprontava para participar do GP da França. Porém, uma greve de caminhoneiros fechou as principais rodovias da França. Todas as outras equipes pegaram um atalho até Magny-Cours, menos o caminhão da Moda, que ficou preso num gigantesco engarrafamento. Novamente a equipe não participa de um GP e acaba perdendo seus valiosos patrocinadores adquiridos depois da façanha de Moreno em Mônaco.

Como toda desgraça é pouca para a equipe, para a etapa seguinte, em Silverstone, acontece mais uma atrapalhada. No treino de sexta acontece a mesma história de sempre e McCarthy teve que ceder algumas peças de seu carro para Moreno andar. Além disso, teve que esperar o seu companheiro marcar um tempo para poder tentar alguma coisa.

Mas quando o brasileiro foi para a pista ele estava usando pneus de chuva, pois havia chovido durante a madrugada e a pista estava um pouco úmida no início dos treinos. Com esse probleminha de dividir o carro com Moreno, o inglês saiu muito atrasado para o treino e nem trocou os pneus. Só que quando ele saiu para tentar andar com o carro a pista já estava bem seca e mais uma fez a equipe vira motivos de piada. Lá estava o cara tentando dar voltas rápidas com pneus de chuva em pista seca. Era uma atrapalhada atrás da outra.

Moreno foi razoavelmente bem, ficando 2 segundos atrás do último colocado e McCarthy, com pneus de chuva, foi 30 segundos mais lento que o pole do dia, Mansell. Foi mais um mico para entrar para a história da F1.

Uma das suas trapalhadas: pneus de chuva em pista seca

Na Alemanha, mais um fato insólito acontece com a equipe. McCarthy simplesmente perde a pesagem oficial porque estava jogando Super Nintendo na garagem da equipe. Dessa forma, o inglês acaba sendo desqualificado. Já Moreno, mesmo tirando o máximo do carro, não conseguiu classificá-lo para o treino de sábado, ficando alguns décimos atrás do último colocado.

Na Hungria um fato animava toda a equipe. Van de Poele saiu da Brabham e foi para a Fondmetal, no lugar de Chiesa, que havia sido demitido. Com isso faltava um carro no grid e as chances de um carro da Moda participar da corrida eram grandes, pois pelo menos um carro da equipe iria participar dos treinos de sábado. Claro que com Moreno. Moreno dá um show em Hungaroring, ficando apenas 6 segundos atrás do pole, Ricardo Patresse. Mesmo assim, ele foi o carro mais lerdo de todos e não se classificou para a corrida. Neste momento, as coisas começam a ficar ruins para a Sassetti. A FIA deu um ultimato: ou davam um carro descente para McCarthy ou o registro da Moda seria impugnado.

Mas com o fim das atividades da Brabham, em Spa a pré-classificação tornou-se desnecessária, “promovendo” os carros da Andrea Moda à qualificação propriamente dita. Mesmo com o francês Erik Comas, da Ligier, sem marcar tempo, os carros da Moda só conseguiram os últimos tempos do treino. E McCarthy foi 10 segundos mais lento que Moreno.

Para completar a história, Sassetti acabou preso pela polícia belga por emitir notas fiscais falsas. Sem alternativas, a FIA anula o registro da Andrea Moda e a exclui do campeonato por “trazer má-reputação ao esporte”. Foi o fim para a equipe mais atrapalha de todos os tempos.

A falta é justificada pelo desempenho da equipe.

O carro da Andrea Moda, o S921, ainda foi comprado para a obscura equipe Bravo GP. Mas seria feito as devidas modificações. O novo carro seria chamado de Bravo S931 (por isso que o carro da Simtek de 94 era chamado de S941) . O chefe de equipe seria um certo Adrian Campos. Os pilotos seriam Jordi Gene (o irmão do Marc e não se sabe se ele é melhor) e Nicola Larini. Pilotos de teste: Ivan Arias e Pedro de la Rosa.

O projeto começou a morrer quando Mosnier morreu, de câncer fulminante, apenas dias depois da apresentação do projeto. A equipe ainda se inscreveu para 1993, mas o carro acabou não sendo colocado sequer pra testes e sumiu, oficialmente, dias antes do GP da África do Sul.

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