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Beba Tinnea! a melhor água mineral desse lado do oceano!

E agora Sassetti? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Sass… – Epa, epa, a festa não acabou não – diria ele. Não é que ele queria voltar para a F1 em 93! Depois de todo pastelão, o pior da história, diga-se de passagem, ele ainda queria voltar.

Andrea ficou entusiasmado porque Nick Wirth, dono da Simtek design company, empresa que projetou o carro, tinha um bólido animal (sei…) para 93, o S931. Mas como é sabido, Sassetti não entrou na conversa de Wirth, mas, Jean-Pierre Mosnier aceitou a idéia.

Monsnier estava criando a Bravo Grand Prix, time espanhol que iria disputar a temporada de 93. Os prováveis pilotos seriam Jordi Gene e Nicola Larini (Pedro de la Rosa e Ivan Arias também foram mencionados), mas o projeto foi a fundo quando o principal investidor do time morreu de forma repentina.

Davy correu em 93 patrocinado pela Andrea Moda.

É verdade que a Andrea Moda se desligou da F-1, mas ela não abandonou as corridas, eis que a empresa de Sassetti aparece na principal corrida americana, as 500 milhas de Indianápolis! Pilotando um carro negro com o número 50, Davy Jones competiu com o patrocínio da Andrea Moda em 1993.

Na prova vencida por Emerson Fittipaldi, Jones chegou a completar a corrida, mas chegou 3 voltas atrás, numa colocação para lá de razoável para um carro com o patrocínio da empresa de Sassetti. Jones, que corria pela Euromotorsports, cruzou em 15º. Na F1, esse resultado seria um sonho.

McCarthy em Mônaco. Só 3 voltas.

E Sassetti, por onde anda? A revista italiana Autosprint o encontrou e o entrevistou no início de 2007 . Ele disse que ainda guarda os dois chassis da Moda S921, e que pretende um dia colocá-los no Goodwood festival. Já imaginou, Moreno e McCarthy disputando uma corridinha com os Moda em Goodwood?

No Twitter, @Original_Stig

E os pilotos da Moda? Moreno, por ser brasileiro, aparece muito mais na mídia do que McCarthy. Roberto ainda correu pela Forti na F-1 (1995) e diversos anos na Cart, onde chegou até a vencer corridas.

McCarthy, que antes da Moda, já tinha feito testes com a Footwork, teve mais dois breves contatos com a categoria. Fez isolados testes pela Benetton e pela Williams. McCarthy era o foi o famoso ‘the stig’ no programa inglês da BBC ‘Top Gear’.

Também escreveu um famoso livro (Flat out, flat broke) onde conta todas as peripécias suas a bordo de carros de corrida (dizem que é imperdível, mas ainda não li). Fora isso, sua vida automotiva não teve nada de mais.

Sir Jack, David Brabham e Nick Wirth na apresentação do Simtek S941.

Wirth, consegue finalmente voltar para a F-1. Desta vez com uma equipe própria, a Simtek (Simulation Technology). A equipe estreou em 94 e teve fatos bem bizarros também, mas o que marcou a equipe foram dois terríveis acidentes: O de Roland Ratzenberger e o de Andrea Montermini.

Num carro que já vinha de inúmeros agouros em épocas passadas foi ainda mais ‘macumbado’ com a “ilustre” presença de Zé do caixão nos boxes da equipe no GP Brasil de 94. Brasileiros…

Zé do Caixão amaldiçoando Roland Ratzenberger.

Tenho 3 vídeos da Andrea Moda. Um da etapa de Spa, a outra é de Moreno se preparando para Mônaco e a última é de Moreno rodando em Hungaroring.

Moreno em Spa.

McCarthy e Moreno se preparando para Mônaco

Moreno rodando em Hungaroring

Termina aqui a novela da Andrea Moda pela passarela da Formula 1. Fiquem a vontade para indicar novas séries como esta. Ah, e apesar das duas primeiras terem sido com equipes, ela extensível para pilotos também. Dê sua sugestão usando a caixa de comentários abaixo. Feliz 20 anos de Andrea Moda.

Moreno com seu pretinho básico na Alemanha.

Chegamos hoje ao temido fim da Andrea Moda Formula na F-1. A equipe que fez de tudo na categoria, TUDO, menos competir. Hoje iremos da Alemanha até a Bélgica. Da falta de presença de McCarthy, passando pela birra de Sassetti, indo até a “Eau Rouge da Morte” para o inglês.

Na Alemanha, outro fato impensável da Andrea (bizarro, como diria eu). Perry McCarthy de novo ficou jogando Super Nintendo nos boxes da Moda (ou seria Atari ainda?). Novamente não participou do GP, pois foi desclassificado! Ele incrivelmente perdeu a pesagem oficial e ficou de fora da lista de entrada (!!). Chegou a dar umas voltas, mas não valeram.

Moreno, por mais que cravasse o pé nas retas do circuito, não conseguia passar Chiesa. Desta vez foi quase, pois ele ficou a somente alguns décimos atrás, demonstrando mais uma vez como Moreno extraia tudo do carro.

Regione Marche foi a única coisa que apareceu estampado nos carros sem contar esse ANDREA MODA na lateral do carro.

Na Hungria, a Moda tinha de volta um patrocínio. Qualquer “tia” que lhes oferecesse um prato de comida tinha seu nome estampado em letras garrafais na cobertura do motor. O patrocínio da vez era das indústrias da Regione Marche, uma junção de empresas italianas tentando salvar a Moda, ou não.

Mas o que mais animava a equipe era a falta de um piloto no grid. Andrea Chiesa saía da Fondmetal, e van de Poele, oriundo da Brabham o substitui. Só que na Brabham, ninguém tomou o lugar do belga. Ou seja, com um carro a menos no grid, ao menos um carro da Moda iria para a classificação no sábado, alguém tem dúvidas de quem?

McCarthy acelerando na Bélgica. Já não era sem tempo!

Sassetti ainda estava muito aborrecido com a FISA, que não lhe autorizou a trocar Bertaggia por McCarthy, e com isso perdera um bom dinheiro. Em forma de represália, sempre atrapalhava a vida de McCarthy. Na Hungria, chegou a fazer algo de extrema maldade com ele.

Moreno, como já tinha sido dito, é quem iria para a classificação no sábado, mas nem por isso deixaram o inglês treinar. De maldade, só liberou McCarthy para andar faltando 45 segundos para o treino terminar! Claro que ‘Péurrri’ só conseguiu dar a volta de aquecimento, e foi obrigado a voltar para os boxes.

Sassetti desolado e Moreno dando tudo de si.

Tirando leite de pedra, Moreno “voa” no travado circuito de Hungaroring. O traçado que mais parecia um circuito de rua, favorecia carros mais lentos, como o da Moda. Pupo ficou a pouco mais de 6 segundos do pole Patrese.

Por causa de sucessíveis “malcriações” com McCarthy, a FISA deu um ultimato à Andrea Moda, ou vocês dão um tratamento igual à McCarthy, ou tiramos vocês do campeonato.

Em Spa, a Moda fez o que não tinha feito durante todo o ano: Participou com ambos os carros do treino oficial de sábado. Não, não foi porque McCarthy virou uma volta ‘a lá’ Senna, que ele foi parar ali. Foi por causa da Brabham, que, depois da corrida da Hungria, abandonava de vez a F-1.

McCarthy andando em Spa batendo na porta de Dona Morte.

Felizmente ela estava ocupada demais tratando de sua ressaca e acabou não atendendo a porta. Ainda bem.

Claro que Moreno e McCarthy ficaram lá atrás, e claro que McCarthy ficou a 10 segundos de Moreno. A Moda fez o que a FISA pediu, deu um carro bom para McCarthy, só não avisaram a ele, que o bom da Andrea Moda, é um carro cheio de remendos e peças do carro que Moreno usou na Hungria. McCarthy escapou de uma tragédia por pouco:

“Eu cheguei desesperadamente na Eau Rouge tentando fazê-la ‘flat’, e o braço de direção teve uma (espécie de) flexão. Eu continuo não acreditando como eu consegui passar por aquela curva” Disse McCarthy. Quando ele chegou para falar com os mecânicos, eles disseram: “Sim, nos sabemos, retiramos essas peças usadas do carro do Moreno lá da Hungria”.

Sassetti foi para a cadeia por emitir notas falsas.

Enquanto na pista as coisas iam de mal a pior, fora dela não era diferente. Depois de escapar de tiros enquanto sua boate era incendiada, Sassetti foi preso pela polícia Belga por emitir notas fiscais frias.

A FISA suspende indefinidamente a equipe, e alega que ela mancha a seriedade da categoria e para evitar que o esporte caia em descrédito. Na Bélgica terminava a mais conturbada passagem de uma equipe pela Formula 1. Só um detalhe, a novela Andrea Moda ainda não acabou…

Pneus de chuva na pista seca, só podia ser na Moda

Inferno-céu-inferno. É assim que se pode mostrar a trajetória da Andrea Moda. Após as várias voltas de Ímola, e da classificação para o GP de Mônaco, se esperava um certo avanço da equipe no segundo terço do campeonato, só que as bizarrices voltaram, e voltaram com força!

Curtindo a festa de seu carro ter participado de uma corrida de F1, Sassetti foi para a costa leste da Itália, onde possui uma discoteca. Lá, ao que tudo indica, um incêndio criminoso destrói sua boate. No desespero, todos saem correndo e um atirador escondido dispara contra Andrea. Ele escapa sem ferimentos, mas o susto estava dado.

Depois do “tiroteio” da Itália, a equipe partiu para a America do Norte para disputar o GP do Canadá, no circuito Gilles Villeneuve. A equipe, os mecânicos, os pilotos, os chassis, os pneus, tudo já estavam lá, mas, e os motores? Cadê os propulsores da Judd que não estavam lá?

1988, um exemplo da da corrida dos barcos-cockpits na raia olímpica de Montreal

A resposta oficial da equipe foi que, um problema na rede elétrica da British Airways, causada por uma grande tempestade, impediu que o avião cargueiro fosse carregado perfeitamente e chegasse ao Canadá a tempo. Só a história que circulava pelo paddock não era bem essa.

O murmurinho do lado de dentro das muretas era que Sassetti não teria pagado a Judd, por isso não lhes foi fornecido os motores. Implorando migalhas, Sassetti conseguiu um motor emprestado da Brabham, que também usava os Judd 3.5 V10. McCarthy novamente só ficou olhando para Moreno andar.

Mesmo quase nunca andando no carro, McCarthy dava seus sorrisos (e a balaclava tampando a careca)

Ainda na quinta-feira, era tradição as equipes brincarem na raia olímpica de Montreal com seus barcos/cockpit (uma dupla de mecânicos remavam uma prova em cima de seus carros). Nem para isso a Moda servia, durante a ida da equipe para a “raia”, o carro afundou!!!

Nos treinos de pré-classificação na sexta, Moreno fez o usual da equipe, deu quatro voltas, o motor emprestado explodiu e ele virou 14 segundos mais lentos que Chiesa, o último colocado. Fim de semana dos mais bizarros para a equipe.

Sassetti perdia seu braço direito, Frederic Dhainaut

De volta para a Europa, naquele início de Julho, teríamos a usual dobradinha de GP’s entre França e Grã-Bretanha (5 e 12 de Julho). Sassetti não poderia esperar algo pior que no Canadá certo?… Nunca!!! Você esta lidando com a Andrea Moda rapaz, nunca duvide das bizarrices que ela pode cometer!

Para o GP francês, a Moda tinha sua 1ª grande baixa. Frederic Dhainaut, o chefe da equipe pediu demissão para se concentrar num projeto de uma futura equipe de F1, que acabou não vingando. Frederic deixou a Moda sem um ‘manager’, mas isso não fez falta alguma (risos).

Moreno descendo do caminhão em Silverstone. Desta vez chegaram.

Para “glorificar” ainda mais seu trajeto pela categoria, mais uma daquelas famosas bizarrices acontece. Uma greve de caminhoneiros fechou as principais rodovias da França. Todas as outras equipes pegaram um atalho até Magny-Cours, menos o caminhão da Moda, que ficou preso no engarrafamento!!! Novamente ela não participa de um GP.

Mesmo com a façanha de Moreno em Mônaco, dois GP’s sem aparições para os patrocinadores eram demais, e a equipe apareceu praticamente pelada em Silverstone, para o GP da Grã-Bretanha. Adivinhe o que houve? Se alguém disse ‘bizarrice’ acertou!

Com um carro quase que totalmente preto, a Moda foi para os treinos de pré-qualificação de sexta-feira. Uma chuva pela madrugada deixara a pista um pouco úmida. McCarthy teve que ceder algumas peças de seu carro para Moreno andar. Além disso, teve que esperar o seu companheiro marcar um tempo para poder sair (parece aqueles jogos de F1 que não tem o Multiplayer no menu) .

Pedaço de grama preso na asa dianteira do carro. Pudera, quem mandou sair com pneus de chuva?

Com isso, ele saiu muito atrasado dos boxes, e pasmem, com a pista já bem seca, lá estava McCarthy tentando virar voltas rápidas com os pneus de chuva! Era uma atrapalhada atrás da outra!

Moreno até que andou bem, ficou a menos de 2 segundo de Chiesa, o último a se pré-classificar. Já McCarthy… Andando com pneus de chuva no seco, rodou várias vezes e ficou a 30 segundos do pole Nigel Mansell, e pasmem de novo, a 12 segundos do pole da F3000, Rubens Barrichello (óia o Barrichello na F3000) .

Barrichello na F3000 em 1992, 12 segundos mais rápido que a Moda de McCarthy em Silverstone.

A Simtek apresentou um novo carro em 14 dias! Eis o Moda S921

A Simtek construiu o carro em tempo recorde, o Andrea Moda S921, mas o bólido tinha alguns probleminhas básicos de fixação de peças, mas nada que um pouco de fibra de carbono e adesivos não resolvessem. O carro estava até apto para correr no México, mas numa decisão sensata, Sassetti preferiu pular a etapa mexicana e desembarcar aqui no Brasil.

Caffi e Bertaggia (este último sequer andou no carro) foram despedidos, em seus lugares vieram o melhor quebra galho da época, Roberto Moreno, e um eterno backmaker, com um capacete ‘a lá’ Gilles Villeneuve, oriundo da F3000 e da IMSA, Perry McCarthy.

Moreno saindo dos boxes de Interlagos.

Qualquer esperança que os mecânicos, pilotos e a equipe tinham com a estréia do novo carro começou a ir abaixo logo quando pisaram em Interlagos. Na quinta-feira, ou seja, antes mesmo da pré-qualificação, Perry McCarthy teve sua super licença cassada e foi excluído da corrida. Restava somente Moreno fazer as honras da casa.

A equipe até “agradeceu” por McCarthy não participar do GP, pois as peças de reposição e os equipamentos básicos não davam nem para um carro. Segundo Flávio Gomes, que cobria o GP na época: “O carro era uma temeridade. Os mecas da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi, atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.”

A cambio saiu em sua mão logo na 1ª saída do carro para a pista

Na manhã de sexta acontecia a pré-qualificação da F1, Moreno iria se digladiar contra: Bertrand Gachot Ukyo Katayama (Catagrama para os íntimos) da Larrousse, Michele Alboreto da Footwork, Andrea Chiesa da Fondmetal e com sua manopla de câmbio que escapou na sua mão logo na 1ª saída do carro para a pista.

Claro que a Moda levou um ‘vareio’ feio dessas equipes. Gachot que foi o 1º e Katayama que foi o 4º, andaram bem colados, com uma diferença de apenas 1 segundo, já a Andrea Moda de Roberto Moreno vinha a 15 segundos do último colocado (!!), um verdadeiro fiasco!

De longe a Andrea Moda era a equipe mais confusa da F1

Sem dinheiro para nada, Sassetti descolou um bom escambo. Em troca de divulgação da churrascaria fogo de chão no macacão de seus pilotos, toda a equipe tinha almoço de graça durante toda a estadia no Brasil. Bizarrices que só a Andrea Moda podia nos proporcionar.

Como vimos no último post desta seção, a equipe Coloni sempre falida e no mês de setembro de 91 a história não era diferente. Seu dono, Enzo Coloni, acabou vendendo o que sobrou da sua equipe para o também italiano Andrea Sassetti, por 8 milhões de Libras. Sassetti era um playboy milionário que atuava na indústria de sapados de moda. O time recebeu o nome de uma de suas empresas, a Andrea Moda, e partiu para a temporada de 1992, usando o terrível carro da Coloni, equipado com “poderosos” motores Judd V10.

Para pilotar os seus bólidos, Sassetti contratou ninguém menos que Alex Caffi, que havia sido mandado embora da Footwork por causa da sua má forma e de suas seguidas lesões. O outro braço duro contratado foi Enrico Bertaggia, que havia tentado passar da pré-qualificação com a ex-Coloni em diversas corridas em 1989 e nunca obteve sucesso.

Caffi em Kayalami: O primeiro mico.

Logo na primeira corrida, na África do Sul, o primeiro vexame. Para que a equipe pudesse participar da temporada, a FIA exigiu que Sassetti pagasse as garantias que as equipes novas precisavam pagar para poder estrear no certame, cerca de US$ 100 mil, na época. Sassetti não quis pagar a quantia, alegando que a equipe era a Coloni rebatizada. Além disso, outras equipes também mudaram de nome e não pagaram a garantia.

De certo modo, Sassetti estava certo, e a equipe chegou a participar dos treinos de reconhecimento do circuito de Kyalami, na quinta. Porém, a FIA decidiu que a equipe era nova e a excluiu da primeira etapa do mundial.

Com esse pequeno problema, a equipe decide dar uma reformada nos carros da Coloni, renomeados de Moda S921. Os desenhos ficaram a cargo de Nick Wirth (fundador da Simtek) e de mecânicos de outros times. Mesmo com o carro pronto às pressas, a equipe desistiu de participar da 2ª etapa, no México, e os profissionais contratados, incluindo Bertaggia (este nem andou nos carros) e Caffi, acabaram demitidos. E eles nem haviam estreado!

E chegamos na terceira etapa, o GP do Brasil. A equipe estava esperançosa para a tão sonhada estréia e os lugares de Caffi e Bertaggia forma preenchidos pelo super herói das equipes bizarras, Roberto Moreno. Para o segundo carro, o italiano contava com o inglês Perry McCarthy. Só que a super licença do inglês foi cassada, o que foi até bom para a equipe, pois as peças de reposição e os equipamentos básicos não davam nem para um carro.

Segundo Flávio Gomes, que cobria o GP na época: “O carro era uma temeridade. Os mecânicos da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi (eram João, Cláudio e Walter) , atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.”

A miséria era tanta que, em troca de divulgação da churrascaria Fogo de Chão no macacão de seus pilotos, toda a equipe tinha almoço de graça durante toda a estadia no Brasil.

Portanto, a honra da estréia ficou a cargo de Moreno, que na pré-qualificação travaria uma batalha épica contra Bertrand Gachot e Ukyo Katayama da Larrousse, Michele Alboreto da Footwork, Andrea Chiesa da Fondmetal.

Logo na sua 1ª saída para a pista, a manopla de câmbio escapa da mão de Moreno. Depois do problema resolvido, Moreno volta à pista e toma um baile das outras equipes, ficando cerca de 15 segundos atrás do último colocado. Uma verdadeira vergonha.

Depois da brilhante estréia aqui no Brasil, o circo parte para a Espanha, aonde aconteceria a 4ª etapa do mundial daquele ano. Depois de resolvido seu problema com a super licença, finalmente Perry McCarthy poderia fazer a sua estréia. Só restava uma dúvida: ele teria um carro?

Na pré-qualificação, Roberto Moreno foi o 1º piloto da equipe a sair para a pista. Depois de algumas seqüências de curvas, o motor de Moreno estoura. Além disso, a equipe se enrolou toda e só conseguiu preparar o carro do McCarthy para a segunda metade da pré-qualificação. Se é que conseguiram preparar alguma coisa, pois o carro de Perry quebra antes mesmo de ele entrar na pista. O carro dele parou depois de andar apenas 18 metros.

O carro não andou nem 18 metros e quebrou. Um recorde!

Usando as peças do carro de Perry, a equipe ainda coloca Moreno de volta na pista, mas o brasileiro não é Jesus e milagres não aconteceram. O carro era 10 segundos mais lento que o último colocado.

Na etapa seguinte, em Ímola, a equipe finalmente consegue colocar seus dois carros na pista. Por incrível que pareça, a equipe consegue uma excelente melhora e Moreno fica apenas 7 segundos atrás do pole, Nigel Mansell. McCarthy até conseguiu estrear, ficando 8,5 segundos atrás de Moreno. Faltou pouco para colocarem um carro no grid de largada.

E o milagre veio em Mônaco. Numa atuação digna de campeão mundial, Roberto Moreno consegue se classifica para o treino de classificação no sábado. Não satisfeito, na metade do treino de sábado, o brasileiro tem uma das atuações mais sobrenaturais da F1 e coloca seu carro na metade do grid. O feito foi tão grande que quando Moreno retornou para os boxes, todos os engenheiros, mecânicos e chefes de todas as equipes da F1 estavam de pé, aplaudindo Moreno.

Moreno deu um show em Mônaco

Porém, estamos falando da Andrea Moda e suas trapalhadas. Depois da volta mágica de Moreno, ele volta para os boxes arrastando seu carro pela pista, com a intenção de voltar para os treinos. Claro que eles não conseguem arrumar o carro a tempo, mas mesmo assim, o brasileiro conseguiu se classificar em último.

McCarthy também andou em Mônaco. Deu três voltas e depois teve que ceder todas as peças do seu carro para Moreno poder correr. Mesmo assim, eles teriam um problema (novidade) para a corrida. Moreno havia dado muitas voltas com seu motor e eles não sabiam até quando o carro iria agüentar. Moreno viu seu motor Judd abrir o bico depois de 11 voltas completadas (na verdade, foram as únicas voltas que a Andrea Moda conseguiu dar em uma corrida). Mesmo assim, o “impressionante” desempenho em Mônaco fez com que os patrocinadores dessem a cara novamente nos carros da equipe.

Moreno conseguiu dar 11 voltas na corrida. Foram as únicas da equipe na F1.

Depois de Mônaco, a F1 foi para o Canadá e mais uma das bizarrices acontece. A equipe e os pilotos estavam presentes, mas por falta de pagamento, a Judd não enviou os motores para o time. O jeito foi arrumar um motor emprestado com outra equipe, a Brabham, que também andava com os sofríveis motores Judd. Com apenas um motor, só Moreno foi para a pista, mas não por muito tempo. O brasileiro conseguiu dar apenas 4 voltas com o tal motor emprestado, que explodiu.

De volta para Europa, a equipe se aprontava para participar do GP da França. Porém, uma greve de caminhoneiros fechou as principais rodovias da França. Todas as outras equipes pegaram um atalho até Magny-Cours, menos o caminhão da Moda, que ficou preso num gigantesco engarrafamento. Novamente a equipe não participa de um GP e acaba perdendo seus valiosos patrocinadores adquiridos depois da façanha de Moreno em Mônaco.

Como toda desgraça é pouca para a equipe, para a etapa seguinte, em Silverstone, acontece mais uma atrapalhada. No treino de sexta acontece a mesma história de sempre e McCarthy teve que ceder algumas peças de seu carro para Moreno andar. Além disso, teve que esperar o seu companheiro marcar um tempo para poder tentar alguma coisa.

Mas quando o brasileiro foi para a pista ele estava usando pneus de chuva, pois havia chovido durante a madrugada e a pista estava um pouco úmida no início dos treinos. Com esse probleminha de dividir o carro com Moreno, o inglês saiu muito atrasado para o treino e nem trocou os pneus. Só que quando ele saiu para tentar andar com o carro a pista já estava bem seca e mais uma fez a equipe vira motivos de piada. Lá estava o cara tentando dar voltas rápidas com pneus de chuva em pista seca. Era uma atrapalhada atrás da outra.

Moreno foi razoavelmente bem, ficando 2 segundos atrás do último colocado e McCarthy, com pneus de chuva, foi 30 segundos mais lento que o pole do dia, Mansell. Foi mais um mico para entrar para a história da F1.

Uma das suas trapalhadas: pneus de chuva em pista seca

Na Alemanha, mais um fato insólito acontece com a equipe. McCarthy simplesmente perde a pesagem oficial porque estava jogando Super Nintendo na garagem da equipe. Dessa forma, o inglês acaba sendo desqualificado. Já Moreno, mesmo tirando o máximo do carro, não conseguiu classificá-lo para o treino de sábado, ficando alguns décimos atrás do último colocado.

Na Hungria um fato animava toda a equipe. Van de Poele saiu da Brabham e foi para a Fondmetal, no lugar de Chiesa, que havia sido demitido. Com isso faltava um carro no grid e as chances de um carro da Moda participar da corrida eram grandes, pois pelo menos um carro da equipe iria participar dos treinos de sábado. Claro que com Moreno. Moreno dá um show em Hungaroring, ficando apenas 6 segundos atrás do pole, Ricardo Patresse. Mesmo assim, ele foi o carro mais lerdo de todos e não se classificou para a corrida. Neste momento, as coisas começam a ficar ruins para a Sassetti. A FIA deu um ultimato: ou davam um carro descente para McCarthy ou o registro da Moda seria impugnado.

Mas com o fim das atividades da Brabham, em Spa a pré-classificação tornou-se desnecessária, “promovendo” os carros da Andrea Moda à qualificação propriamente dita. Mesmo com o francês Erik Comas, da Ligier, sem marcar tempo, os carros da Moda só conseguiram os últimos tempos do treino. E McCarthy foi 10 segundos mais lento que Moreno.

Para completar a história, Sassetti acabou preso pela polícia belga por emitir notas fiscais falsas. Sem alternativas, a FIA anula o registro da Andrea Moda e a exclui do campeonato por “trazer má-reputação ao esporte”. Foi o fim para a equipe mais atrapalha de todos os tempos.

A falta é justificada pelo desempenho da equipe.

O carro da Andrea Moda, o S921, ainda foi comprado para a obscura equipe Bravo GP. Mas seria feito as devidas modificações. O novo carro seria chamado de Bravo S931 (por isso que o carro da Simtek de 94 era chamado de S941) . O chefe de equipe seria um certo Adrian Campos. Os pilotos seriam Jordi Gene (o irmão do Marc e não se sabe se ele é melhor) e Nicola Larini. Pilotos de teste: Ivan Arias e Pedro de la Rosa.

O projeto começou a morrer quando Mosnier morreu, de câncer fulminante, apenas dias depois da apresentação do projeto. A equipe ainda se inscreveu para 1993, mas o carro acabou não sendo colocado sequer pra testes e sumiu, oficialmente, dias antes do GP da África do Sul.

Tuíter

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