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Há dois dias, o GP de Mônaco completou 62 anos. Uma pena que segunda eu estava ocupado e mal se lembrava de que isso tinha acontecido. Foi o GP de Mônaco de 1950. Naquela época não existia as curvas da Piscina, Saint-Devote e a La Rascasse. Mal existia o túnel que vemos hoje. Na verdade existia, mas não é o mesmo túnel de hoje.

Naquele GP, Juan Manuel Fangio deu um show. Nos treinos, o argentino foi 2,5 segundos mais rápido que o segundo colocado, Nino Farina. Mas eram 100 voltas no circuito de Montecarlo e qualquer coisa podia acontecer. Assim como aconteceu em .

E assim Juan Manuel Fangio foi para o grid na pole. Na largada, ele se manteu na primeira posição. Ainda na primeira volta, uma onda vinda do porto inundou a curva do Tabaco. Com carros como aqueles, era perigoso fazer uma uma curva como a do Tabaco, ainda mais molhada por conta da onda.

Por sorte, Fangio conseguiu sobreviver ao Tabaco molhado, mas Farina que era o segundo não. Ele rodou e bateu forte. Mais oito pilotos abandonaram no Tabaco molhado. Farina, Fagioli, Rosier, Manzon, de Graffenried, Trintignant, Harrison e Franco. Uma verdadeira carnificina no Tabaco. E ainda teve Harry Schell que bateu um pouco antes do Tabaco molhado. No meio da carnificina, José Froilan Gonzalez que havia danificado o seu carro no engavetamento no Tabaco molhado. Por ironia, o carro de Gonzalez pegou fogo e o hermano sofreu algumas queimaduras, mas nada com que se preocupar. De 19 carros que largaram, apenas 9 sobreviveram à curva do Tabaco.

E Fangio continuava na liderança por várias voltas. Depois da metade da prova, Fangio já havia dado voltas sobre a maioria dos pilotos que haviam sobrevivido. Todos menos Alberto Ascari que era o segundo colocado aquela altura. Mas as voltas foram passando e chegou a hora de dar uma volta sobre Ascari.

Ascari tentava segurar, mas não dava. Fangio era muito mais rápido que qualquer um presente naquelas ruelas de 10 metros de largura. E Fangio deu uma volta em Ascari. E foi assim que Juan Manuel Fangio venceu o primeiro GP de Mônaco de F1. Dominante, do jeito que Juan Manuel Fangio gostava. Gostava…

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Não quero escrever coisas de hoje. Vou escrever sobre a primeira corrida de F1. A F1 já existia antes da verdadeira F1, mas se chamava Campeonato Europeu de Carros. Gente como Bernd Rosemeyer, Rudolf Caracciola e Tazio Nuvolari corriam em pistas como Nordschleife, Spa antigo e Monza antigo.

O campeonato foi extinto em 1939 por causa da Segunda Guerra Mundial. 11 anos sem corridas de campeonato. Até que uns zé-ruelas pensaram que as corridas estavam voltando, mas não existia nenhum campeonato para isso. Então resolveram criar a Fórmula 1.

A primeira corrida seria em Silverstone no dia 13 de maio de 1950. Mas Bernd Rosemeyer já tinha morrido, Rudolf Caracciola tinha se aposentado e Tazio Nuvolari também havia se aposentado. Quem iria ser “O” CARA ?

Nínguem sabia pois nenhum daqueles pilotos tinha feito um campeonato que valesse a pena competir. Ganhar a F1 significava que você era o melhor do mundo. Já que as corridas que eram realizadas só eram Grand Prix em que vários pilotos diferentes ganhavam e nínguem era melhor que nínguem.

Hora de começar a brincadeira. De cara, a Alfa Romeo os seus 4 pilotos nas 4 primeiras posições. Mais precisamente: Nino Farina, Luigi Fagioli, Juan Manuel Fangio e Reg Parnell. A diferença entre os tempos de Farina e Parnell era de 1,4 segundos. A Alfa Romeo havia detonado seus principais rivais da Maserati e da Talbot-Lago. A Maserati fornecia chassis para algums equipes privadas, não tinha uma equipe própria mesmo como os rivais da Alfa Romeo. A Maserati passava maus bocados. Apenas o tailandês Prince Bira não tinha ficado mais de um segundo de diferença para os Alfa Romeo.

Os seus companheiros de equipe marcaram tempos altos demais. Toulo de Graffenried havia marcado um tempo 3,6 segundos mais lento que Reg Parnell, o pior dos Alfa Romeo. Louis Chiron marcou um tempo 4,4 segundos mais lento que Parnell. David Hampshire marcou um tempo 8,8 segundos mais lento que Parnell. David Murray e Joe Fry marcaram tempos 10 segundos mais lento que Parnell. Para terminar, Felice Bonetto iria participar da corrida com seu Maserati, mas acabou desistindo.

A outra concorrente da Alfa Romeo era a francesa Talbot-Lago. A Talbot-Lago não era bem uma equipe. Apenas fornecia chassis para equipes privadas como a Automobiles Talbot-Darracq. A Talbot-Lago só competiu com pilotos franceses e um belga. Nínguem foi páreo para os Alfa Romeo. Yves Giraud-Cabantous havia marcado um tempo 1,2 segundos mais lento que Reg Parnell, o pior dos Alfa Romeo. Outro piloto da Talbot-Lago foi Eugène Martin que marcou um tempo 3,2 segundos mais lento que Reg Parnell. Os outros franceses da Talbot-Lago, Louis Rosier e Phillipe Étancelin foram mais lentos que Toulo de Graffenried, apresentado acima. O único piloto belga da Talbot-Lago, Johnny Claes foi o pior deles ao marcar um tempo 18 segundos mais lento que o pole, Nino Farina.

Antes da largada, Juan Manuel Fangio resolve conversar um pouco com Luigi Fagioli. Uma conversa rápida. Deve ter sido para falar algo sobre a corrida e aquela babaquice de boa sorte, essas coisas.

Na largada, Nino Farina segura a primeira posição, mas Fagioli continua ali. Parnell fica um pouco para trás, mas se recupera. Fangio continua em terceiro. A corrida continua rolando, sempre com Farina sólido na liderança com Fagioli lutando pela segunda posição com Fangio. Parnell apenas olhava ao longe.

Aquela altura, Prince Bira abandonava a corrida sem uma única gota. Bira era a esperança da Maserati, mas ele abandonou. Estava fazendo uma boa corrida em sétimo, brigando com os franceses da Talbot-Lago. Brian Shawe-Taylor entrava no lugar de Joe Fry no Maserati de número 10. Mas não foi só Brian Shawe-Taylor que substituiu alguém no meio da corrida. Tony Rolt correu no lugar de Peter Walker no ERA de número 9, mas não durou muito. Rolt abandonou na volta 5 com problemas na caixa de velocidades. E nesse meio tempo, Nino Farina já havia marcado a volta mais rápida: 1.50.6

Fangio continua tentando fazer a ultrapassagem sobre Luigi Fagioli. Fangio tenta botar de lado para fazer a ultrapassagem na reta do Hangar, mas Fagioli o fecha perigosamente. Fangio reclama levantando o braço, mas Fagioli ignora tal ato.

Na volta 62, Fangio acaba por abandonar com um vazamento de óleo. Um segurança vai ajudá-lo. Fangio vai até ele, fala sobre como a corrida é ruim e até fala um palavrão. Algo como “porra” ou “é foda” .

Com Fangio fora do caminho, Fagioli pode facilmente manter a segunda posição sobre Reg Parnell. Mas Fagioli queria mais. Fagioli olha para os boxes e grita bem rápido “quantas voltas faltam ?! ”

Na volta seguinte, eles dizem que ele estava indo para a volta 65. Então, ele resolve acelerar mais para tentar chegar em Farina. Ele acelera o máximo possível, mas não dá. Giuseppe “Nino” Farina era o primeiro a vencer uma corrida na F1. E de quebra marcou um hat-trick ao fazer a pole-position, volta mais rápida e a vitória.

E de quebra, rolou a primeira dobradinha da história com uma dobradinha da Itália (Farina e Fagioli) . Reg Parnell completou em terceiro a 52 segundos do líder.

E quanto aos Maserati ? David Hampshire foi o melhor dos Maserati, mas foi só o nono na corrida. Brian Shawe Taylor assumiu o lugar de Joe Fry na Maserati 10 no meio da corrida e terminou a corrida em décimo. Prince Bira abandonou na volta 49. David Murray abandonou com um problema no motor na volta 44. Toulo de Graffenried também sofreu com seu motor e abandonou na volta 36. O monegasco Louis Chiron também sofreu com seu Maserati e abandonou com um problema na embreagem na volta 26.

Mas e a Talbot-Lago ? A Talbot-Lago levou 5 pontos para a França. 3 com Yves Giraud-Cabantous e 2 com Louis Rosier. Phillipe Étancelin terminou em oitavo a 5 voltas do líder. Johnny Claes não levava jeito para a coisa mesmo. Claes terminou em último a 6 voltas do líder. E Eugène Martin abandonou na volta 8 com problemas na pressão do óleo.

Nino Farina levando a primeira bandeirada da história da F1

Pos No Piloto Construtor Voltas Tempo/Abandono Grid Pts
1 2 Italy Giuseppe “Nino” Farina Alfa Romeo 70 2:13:23.6 1 9
2 3 Italy Luigi Fagioli Alfa Romeo 70 + 2.6 2 6
3 4 United Kingdom Reg Parnell Alfa Romeo 70 + 52.0 4 4
4 14 France Yves Giraud-Cabantous Talbot-Lago-Talbot 68 + 2 Voltas 6 3
5 15 France Louis Rosier Talbot-Lago-Talbot 68 + 2 Voltas 9 2
6 12 United Kingdom Bob Gerard ERA 67 + 3 Voltas 13  
7 11 United Kingdom Cuth Harrison ERA 67 + 3 Voltas 15  
8 16 France Philippe Étancelin Talbot-Lago-Talbot 65 + 5 Voltas 14  
9 6 United Kingdom David Hampshire Maserati 64 + 6 Voltas 16  
10 10 United Kingdom Joe Fry
United Kingdom Brian Shawe Taylor
Maserati 64 + 6 Voltas 20  
11 18 Belgium Johnny Claes Talbot-Lago-Talbot 64 + 6 Voltas 21  
Ret 1 Argentina Juan Manuel Fangio Alfa Romeo 62 Vazamento de óleo 3  
NC 23 Republic of Ireland Joe Kelly Alta 57 Não classificado 19  
Ret 21 Thailand Prince Bira Maserati 49 Sem gasolina 5  
Ret 5 United Kingdom David Murray Maserati 44 Motor 18  
Ret 24 United Kingdom Geoffrey Crossley Alta 43 Transmissão 17  
Ret 20 Switzerland Toulo de Graffenried Maserati 36 Motor 8  
Ret 19 Monaco Louis Chiron Maserati 26 Embreagem 11  
Ret 17 France Eugène Martin Talbot-Lago-Talbot 8 Pressão do óleo 7  
Ret 9 United Kingdom Peter Walker
United Kingdom Tony Rolt
ERA 5 Caixa de velocidades 10  
Ret 8 United Kingdom Leslie Johnson ERA 2 Compressor 12  

E esse foi a primeira corrida da história da F1.

O assunto é nulo. Eu sei. Tem aquela disputa pela vaga na Williams e na HRT. Tem Adrian Sutil nos tribunais, etc e etc. Como o título fala por si só, eu vou apresentar as 11 vitórias caseiras mais legais da F1. Mas porque 11. Porque eram para ser 10, mas me lembrei de outra importante.

11- Felipe Massa, Interlagos, 2006

Quando a alegria brasileira voltou para Interlagos

Em 2006, havia aquela angustia dos torcedores brasileiros. Desde 1993 um brasileiro não ganhava num GP Brasil de F1. Tinha o Barrichello, mas o azar sempre esteve ao seu lado em Interlagos (2009 foi o cúmulo) . Felipe Massa foi lá e cravou a pole-position. O que animou muitos brasileiros, inclusive aqueles que votaram naquelas curiosas cabines de votação para ver quem ia ser campeão.

Felipe Massa honrou seu macacão tupiniquim e venceu para a alegria dos torcedores brasileiros que apareceram em Interlagos. Essa vitória botou Felipe Massa como um dos favoritos para ser campeão em 2007.

10- Stirling Moss, Aintree, 1955

Gostou de ser vice

Uma vitória suada contra um dos maiores de todos os tempos ou um presente daquele maestro que era seu companheiro de equipe?

Stirling Moss é cavalheiro demais para pedir algo assim a Fangio, mas conquistar essa vitória incrível em Aintree 55 foi perfeito para Moss.

Só que a distânica de 0,2s de um para o outro foi controversa. Ate hoje não sabemos – e talvez nunca – se a corrida foi realmente vencida por Moss ou foi Fangio que abriu a porteira para o inglês.

9- Juan Manuel Fangio, Buenos Aires, 1955

No sangue e no suor

O GP da Argentina quase sempre começava as temporadas de Fórmula 1, e Juan Manuel Fangio quase sempre vencia a corrida, mas porque o GP de 1955 foi de fato mais importante que os outros?

Com temperatura de pista na casa dos 40° e em uma época em que o limite de 2 horas de prova não era regra, as 96 voltas do GP da Argentina daquele ano foram um páreo duro. Duríssimo! Se pilotar nos dias de hoje provas “curtas”, com um carro cheio de tecnologia, já é complicado, imagine ter que trocar marchas manualmente e pilotar um carro a mais de 200 km/h sem segurança e sem direção hidráulica.

Apenas Fangio e seu colega argentino Robert Mieres completaram a distância sem entregar seu carro para outro piloto, o que era permitido na época.

Mesmo com os gases do escape quentes cauterizando sua pele, Fangio se mantinha firme e forte, enquanto seus rivais caiam fora de seus carros direto para ambulâncias com exaustão pelo calor. Fangio não arregou para vencer uma de suas vitórias mais duras na Fórmula 1.

8- Jim Clark, Aintree, 1962- Silverstone, 1963- Brands Hatch, 1964 e Silverstone, 1965

Gostou de vencer

Jim Clark era uma máquina. E ninguém vencia mais do que ele no início da década de 60. Nos GP dentro de casa então… imbatível.

Nos Grandes Prêmios de 62, 63, 64 e 65, disputados em Aintree, Silverstone, Brands Hatch e Silverstone, respectivamente, Clark liderou 314 das 317 voltas, deixando somente um restinho de três voltas para Jack Brabham, que liderou as três primeiras voltas da corrida de 62. Uma máquina de liderar as provas de casa.

7- José Carlos Pace, Interlagos, 1975

A primeira dobradinha brasileira

Em meados da década de 70 os brasileiros tinham muito que comemorar com a Fórmula 1. Emerson Fittipaldi recém conquistara dois títulos e o jovem José Carlos Pace, o Moco, vinha fazendo bonito a bordo de uma Brabham, angariando vários pontos e brigando pelas vitórias. Além disso, a partir de 75, o país tinha uma equipe na Fórmula 1. O futuro era promissor.

O vencedor dos dois GP’s anteriores, Emerson Fittipaldi, largava na primeira fila, mas quem saia na pole e surpreendia a todos era Jean-Pierre Jarier da Shadow. O francês do carro negro como uma sombra manteve a liderança por todos as voltas. Bem, por quase todas, pois a oito voltas do fim seu motor sucumbiu deixando a vitória cair no colo do brasileiro… José Carlos Pace.

Após abrir certa vantagem para Fittipaldi, Moco foi tranquilo para sua primeira e última vitória na carreira, pois pouco tempo depois viria a falecer em um acidente de avião. Emerson conseguiu segurar a segunda posição e junto com Pace cravou a primeira dobradinha brasileira da história da Fórmula 1.

6- Gilles Villeneuve, Circuit Île Notre-Dame (ou atualmente, Circuit Gilles Villeneuve) , 1978

Tudo novo para todos

A Fórmula 1 chegava a Montreal pela primeira vez, e Gilles Villeneuve correria em casa também pela primeira vez com chances de vitória. Era tudo muito novo para todos, ainda mais para o próprio Villeneuve, já que ele também buscava sua primeira vitória na categoria.

A temperatura estava mais fria que normalmente se vê em um GP, mas amena quando se fala de Montreal. E tudo isso se encaixou perfeitamente para que Villeneuve vencesse sua primeira.

Mas nem tudo foi fácil como se pareceu. Villeneuve teve a sorte de contar novamente com o azar de Jean Pierre-Jarier, que assim como no GP Brasil de 75, perdeu uma corrida praticamente ganha com sua Lotus.

Melhor para os 72 mil espectadores que vieram para a Île-Notre Dame ver de perto o GP que marcaria esta importante vitória.

5- Alain Prost, Dijon-Prenois, 1981

Primeira vitória de sua carreira veio em grande estilo

Vencer pela primeira vez na categoria já é um tremendo feito a ser comemorado por dias. E vencer esta corrida dentro de casa deve ter sido ainda mais especial para Alain Prost.

Em 1981, Dijon-Prenois recebia o Grande Prêmio da França, mas uma chuva torrencial fez com que a corrida fosse interrompida e recontinuada durante a estiagem. Naquele momento, já com 59 voltas de prova, Piquet tinha uma vantagem de sete segundos para Prost.

A chuva parou e a pista secou. Na segunda largada, Piquet caiu para o meio do grid com problemas de embreagem enquanto Prost a bordo de sua Renault Turbo abria vantagem suficiente para ser coroado com os louros da vitória pela primeira vez.

E o professor adorou essa ideia de vencer em casa. Depois de 1981, venceu em 1983, 1988, 1989, 1990 e 1993. Ninguém venceu mais vezes em casa do que ele.

4- Nigel Mansell, Silverstone, 1987

Com direito a uma ultrapassagem fenomenal em Nelson Piquet

Na velocíssima Silverstone do final da década de 80, ter um motor que despejasse “milhões” de cavalos sobre as rodas do carro era meio caminho andando para se fazer uma boa prova. E a Williams de época, com seu potente motor V6 Honda Turbo era ideal para vencer.

Ninguém se assustou quando a dupla da equipe pegou a primeira fila nos treinos classificatórios, mas certamente ficaram assustados quando Alain Prost, partindo da quarta colocação, deu o pulo do gato e pegou a ponta.

Só que nada poderia parar o ímpeto das Williams. Nem um pneu que forçou Nigel Mansell a fazer uma troca não programada de pneus quando estava em segundo e na caça de Nelson Piquet. Mas foi depois da saída de troca de pneus (que nesta época não chegava nem próximo dos três segundos de hoje) que Mansell fez jus ao seu apelido de Leão.

Como uma flecha, foi descontando mais de um segundo por volta para Piquet, quebrado recordes em cima de recordes do traçado inglês até que, a duas voltas do fim, colou no brasileiro.

Se Galvão Bueno já dizia o bordão “chegar é uma coisa, passar é outra”, com Mansell isso não pode ser aplicado. Fazendo uma manobra de gênio, deu uma sambada atrás de Piquet, fingiu que ia por fora, mas embicou sua Williams Red Five por dentro e cravou uma das ultrapassagens mais belas da história da Fórmula 1.

Após disso, foi só comemorar junto com a torcida inglesa, que quebrou o “decoro” e invadiu a pista para enaltecer o feito de Mansell.

3- Ayrton Senna, Interlagos, 1991

Esbugalhando sua embreagem nas voltas finais

Vencer o Grande Prêmio do Brasil sempre foi meta para Ayrton Senna. Mas desde 1984 disputando o mundial, Ayrton nunca conseguiu realizar tal feito. Ele disputou seis edições no Rio de Janeiro sem conseguir a vitória, mas a partir de 1990, com uma Interlagos modificada a pitacos do próprio piloto, São Paulo voltaria a sediar a prova, e quem sabe isso não traria mais sorte a ele.

E foi mais ou menos o que aconteceu. Logo na segunda edição da prova de retorno às terras paulistas, Senna conseguiu realizar o tão almejado sonho. Mas engana-se quem acha que foi fácil. O que Ayrton teve que fazer naquelas últimas voltas em Interlagos foi coisa de um piloto realmente de outro nível.

Do meio da corrida para o final, Ayrton estava com sérios problemas para colocar a quarta marcha. Ela não entrava, e quando entrava, era cuspida para fora de uma hora para outra. E com o passar das voltas, ela não entrava mais, e assim foi com a segunda, com a terceira, com a quinta… até que só restou para Ayrton a sexta marcha. A cinco voltas do fim Senna só teria essa longa marcha para realizar seu feito.

Como o próprio disse após a prova, usar uma marcha tão longa tinha dois problemas. O primeiro é que o carro não tinha força nas saídas de curva, para tentar minimizar o problema, Senna dava “clutch kicks“, desgastando o sistema de embreagem para elevar um pouco o giro do motor Honda.

O outro problema era que, na freadas, o motor empurrava o carro para fora, então, para contornar as curvas, Senna precisava segurar o carro literalmente no braço.

E para piorar ainda mais, uma chuva começou a cair a duas voltas do fim, mas nada poderia segurar Ayrton naquele dia. Ele cruzou a linha de chegada e praticamente desfaleceu. Com espasmos musculares pelo corpo todo em virtude do esforço excessivo, não conseguia sequer levantar o troféu após a conquista. Feito heroico que coroava e perpetuava ainda mais ele nos corações de todos os brasileiros.

2- Lewis Hamilton, Silverstone, 2008

Pilotagem de campeão

A Inglaterra não tinha um piloto de expressão desde Damon Hill, mas com a chegada de Lewis Hamilton à Fórmula 1 tudo mudou. Em seu primeiro ano na categoria já mostrou a que veio, mas foi no ano seguinte que ele comprovou todo o seu talento.

Correndo em casa pela segunda vez na carreira, vinha de uma fase difícil. Batidas e punições o atormentavam, e uma má posição de largada logo em seu GP caseiro não estava em seu plano ideal, ainda mais quando Northamptonshire amanheceu com chuva. Parecia que o fim de semana não seria seu.

Mas foi um ledo engano. Logo na largada já pulava de quarto para segundo, batendo rodas na primeira curva com o companheiro Heikki Kovalainen. Na volta quatro o ultrapassou e abriu vantagem na molhada Silverstone.

Só que a pista foi secando e Kimi Raikkonen encostando. Na volta 21 ambos entraram nos pits juntos, mas a chuva, neste momento, voltou a apertar. A Ferrari, tentando apostar alto, foi com pneus slicks enquanto a McLaren preferiu manter os intermediários, que logo se mostraram a opção correta, pois Raikkonen logo de cara virava um segundo mais lento que Hamilton.

Mas mesmo quem estava com pneus de chuva não conseguia segurar o ímpeto de Lewis, que em determinada parte da prova virava absurdos três segundos mais rápido que todos, terminando a prova com extrema vantagem de 1m08s de frente. Fantástico!

1- Felipe Massa, Interlagos, 2008

Era difícil. Era complicado. E porque não, para mim naquele fim de semana, achava impossível! Mas torcia, claro, pois queria ver um brasileiro campeão do mundo novamente.

Com Massa largando na pole e com Hamilton largando em quarto, comecei a ter um pouco mais de esperança no impossível. Naquele esquema: vai que… vai que chove né?

Mas não precisava ser o dilúvio que atrasou a largada da prova. Era água que saía por todos os ladrões. Pintava ali uma chance.

E Hamilton, cometendo suas corriqueiras trapalhadas e se embananando no meio do grid, hora sendo campeão (chegando entre os cinco primeiros se Massa vencesse), hora perdendo o título. Foi emocionante demais.

E assim foi Massa liderando sempre e Hamilton brigando no meio. E para dar a emoção final, a famosa chuva de Interlagos veio para complicar a vida dos gregos e troianos. Parar para trocar pneus ou não? Massa não podia arriscar. E muito menos Hamilton. Mas Glock podia.

Emoção ainda maior quando um jovem piloto da Toro Rosso dava aquele passão em Hamilton nas voltas finais, deixando o inglês em sexto e dando o título nas mãos de Massa. Um jovem alemão que seria bicampeão do mundo anos depois… esqueci o nome do rapaz.

Mas que arriscou nos pneus de seco no fim se deu mal (para o público brasileiro) já que não se aguentavam na pista. E o que o diga Glock, que não segurou a investida de Hamilton na última curva e perdeu a quinta colocação, dando o título nas mãos do inglês por incríveis um ponto. Final épico. O melhor de todos os tempos de uma temporada.

Toda vez que eu me lembro desse GP, sinto uma vontade de gritar MEEEEEEEEEERDA!!! Eu, na época com 8 anos, não tinha capacidade de acreditar que aquilo tinha acontecido.

 

Tuíter

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